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Brasil

28/01/2016


Dilma indica hoje se saberá ou não sair da crise

A crise brasileira é gravíssima. Por isso, é preciso dar um voto de confiança à presidente Dilma Rousseff, que anunciará medidas econômicas hoje na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, em Brasília.

As principais medidas devem ser o anúncio de linhas de crédito via bancos públicos no valor de cerca de R$ 70 bilhões, novo pedido para recriar a CPMF e insistir na proposta de uma reforma da Previdência.

Nos últimos dias, a presidente deu declarações que continuam a sinalizar que ela ainda prefere responsabilizar fatores externos a assumir os erros que cometeu. Dilma passou a citar o FMI (Fundo Monetário Internacional) como um avalista à repetitiva tese de que os principais problemas da economia brasileira decorrem da crise internacional ou do impacto da Lava Jato sobre grandes empresas nacionais. Certamente, esses dois fatores contribuíram e contribuem para agravar nossas dificuldades econômicas. Mas erros da presidente causaram destruição de valor muito maior.

Ministros insistem em priorizar o comércio exterior, área para a qual a presidente não deu importância nos últimos anos e que está demonstrando reação agora por causa da desvalorização do real em relação ao dólar. Foi uma desvalorização que aconteceu à revelia do governo, por erros de nossa política econômica, e não algo pensado para estimular o setor exportador.

Mas um câmbio desvalorizado, se pressiona a inflação, ajuda alguns setores exportadores, sobretudo no agronegócio. Além das medidas concretas que serão anunciadas, será importante ver o tom do discurso da presidente.

Empresários importantes aceitaram integrar o Conselhão porque é uma chance de se aproximar e influenciar o poder, mesmo com um presidente fraco. Empresário adora o Palácio do Planalto, não importa o presidente de plantão. Há oportunidade para lobby.

Mas, nas conversas reservadas, os mesmos empresários dizem que a presidente tem sido incapaz de recuperar a confiança dos agentes econômicos. Há uma descrença na capacidade do governo de saber enfrentar a crise. Hoje, a presidente precisará convencer não só os integrantes do Conselhão, mas a sociedade brasileira de que há uma saída.

Em resumo, o discurso de Dilma será importante do ponto de vista econômico e também político. O Brasil precisa de distensão. Seria desejável um aceno da presidente para um diálogo sincero com a oposição. É fundamental reverter esse clima negativo, esse círculo vicioso no qual o país se encontra. Isso não é importante apenas para o governo, mas para a vida real dos brasileiros que têm convivido com o fantasma do desemprego. Muitas famílias já são vítimas desse fantasma.

Ainda do ponto de vista político, a tese de impeachment se enfraqueceu. É fato. Mas ela voltará à pauta depois do Carnaval, com o reinício efetivo dos trabalhos do Congresso. Se a economia continuar piorando, ganhará força novamente. Dilma não deve ter a ilusão de que o pedido de abertura de processo de impeachment está enterrado.

Blog do Kennedy

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