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Brasil

30/03/2016


Dilma volta a dizer que tentativa de “apeá-la do poder” é “golpe”

A presidente Dilma Rousseff voltou a chamar de "golpe" a tentativa de apeá-la do poder por meio de um impeachment sobre as contas do governo referentes a 2015. "Um presidente só pode sair pelo que ocorreu no mandato passado. O que está em questão no impeachment são as contas de 2015. Ora, elas só vão ser apresentadas em abril, não foram julgadas pelo TCU nem tampouco pelo Congresso Nacional. Que processo é esse? Esse é um processo golpista", criticou Dilma, durante o lançamento da terceira fase do programa Minha Casa, Minha Vida, no Palácio do Planalto. A cerimônia teve a presença maciça de líderes de movimentos sociais.

Contra um discurso propagado pela Globo e pela oposição, Dilma ressaltou que "não adianta discutir se o impeachment está previsto ou não na constituição. Ele está. Mas o que não está previsto é que sem crime de responsabilidade ele é passível de legalidade, de legitimidade. Não é. E aí o nome é golpe". A presidente alertou que os defensores do impeachment querem tirar os benefícios sociais da população. "Quer tirar o governo para golpear direitos garantidos da constituição. Se fazem isso contra mim, o que não farão contra o povo?", perguntou.

Ao dizer que "a Constituição de 1988 tem que ser honrada", Dilma afirmo ainda que no regime presidencialista, estabelecido no Brasil, "o presidente tem que ser eleito pela maioria do povo brasileiro". "Assim sendo, não existe essa conversa de 'não gosto do governo, ele cai', como está previsto no sistema parlamentarista. No presidencialista está previsto o impeachment. Mas é absolutamente má-fé dizer que todo impeachment está correto. A constituição exige que é preciso prever um crime de responsabilidade. Impeachment sem crime de responsabilidade é o que? É golpe", completou Dilma, sob os gritos de "não vai ter golpe" dos presentes na cerimônia.

A presidente também lamentou a divisão dos brasileiros e a intolerância com os que pensam diferente. "Eu lamento que se crie na sociedade um clima de intolerância e ódio, isso é imperdoável. Porque o Brasil gosta do diálogo, do convívio", afirmou. "Nós não víamos o país dividido por pessoas que acreditam em coisas diferentes. Lamento profundamente. Nós não somos uma cultura intolerante. Lamento aqueles que vêm destilando ódio entre os brasileiros. E isso é grave, porque a intolerância é a base da violência", completou.

O Minha Casa Minha Vida 3 entregará 2 milhões de unidades até o fim do mandato da presidente Dilma, em 2018. Com R$ 210,6 bilhões investidos, dos quais R$ 41,2 bilhões são do Orçamento Geral da União, o programa também amplia o número de famílias que podem ser contempladas, já que o teto da renda dos candidatos subirá até 30%. Além disso, será criada uma nova faixa, chamada 1,5 (um e meio), para famílias que recebem até R$ 2.350 por mês.

Brasil 247

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