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Brasil

31/03/2015


Diretor de empreiteira fica com tornozeleira eletrônica

O empreiteiro Dalton Avancini, diretor-presidente da Camargo Corrêa Construções e Participações, deixou a Custódia da Polícia Federal em Curitiba (PR) ontem e seguiu escoltado por agentes direto para sua residência, em São Paulo, onde vai aguardar o processo da Lava Jato em regime de prisão domiciliar. A exemplo de seu colega de empreiteira, Eduardo Leite – vice-presidente da Camargo Corrêa -, Avancini também ficou com a companhia de uma tornozeleira eletrônica.

Avancini fez 11 depoimentos nas últimas semanas no âmbito de delação premiada. O acordo foi homologado pela Justiça Federal no Paraná, base da Operação Lava Jato. O empreiteiro foi preso no dia 14 de novembro de 2014 pela Operação Juízo Final, sétima etapa da Lava Jato que mirou o braço empresarial do esquema de corrupção que se instalou na Petrobrás.

A força tarefa da Lava Jato descobriu que o cartel tomou conta de contratos bilionários da Petrobras no período entre 2003 e 2014. Em troca de propinas para políticos – pelo menos 50 deputados, senadores e governadores estão sob investigação – e para ex-dirigentes da estatal petrolífera, as empreiteiras distribuíam valores, inclusive para o caixa de partidos.

Avancini relatou aos investigadores detalhes da ação do cartel na Petrobras e também em outras áreas do governo federal. Há duas semanas, Eduardo Leite foi removido para casa, em São Paulo, de tornozeleira eletrônica. Na tarde de ontem, Avancini fará o mesmo roteiro e com o mesmo equipamento preso ao tornozelo, por meio do qual ficará sob monitoramento dia e noite. Ele assumiu o compromisso de continuar colaborando com a Justiça, prestando novos depoimentos sempre que intimado. “Dalton Avancini colaborou e vai continuar colaborando com a Justiça”, disse o criminalista Pierpaolo Bottini, que defende o empresário.

Tarso defende o afastamento de Vaccari
São Paulo (AE) – O ex-governador do Rio Grande do Sul e ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro (PT) defendeu que o PT peça ao tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, que se afaste do cargo e que, se ele não aceitar fazer isso, a legenda o afaste preventivamente. “Se ele for denunciado e a denúncia for aceita, como é a informação que nós temos, acho que o partido deve pedir que ele se afaste e, se não se afastar, afastá-lo preventivamente”, disse, ao deixar o hotel onde estava reunido com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dirigentes petistas, em São Paulo.

Tarso voltou a argumentar que a sigla deve examinar a denúncia e avaliar a situação de Vaccari Neto. “Se o Vaccari não tomar uma decisão, a minha opinião e eu já manifestei isso inclusive à direção do partido, é que o partido deve examinar. Ele (o PT) deve determinar o exame das provas e da denúncia que existe”, complementou.

A Justiça Federal aceitou no dia 23 a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra Vaccari Neto e o ex-diretor de serviços da Petrobras Renato Duque. Eles respondem a acusações de corrupção e lavagem de dinheiro, no âmbito da Operação Lava Jato.

Futuro
O ex-governador do Rio Grande do Sul também repetiu ser favorável ao partido discutir sua “refundação”, uma “renovação profunda” para adequar os pressupostos éticos e políticos da agremiação ao momento atual. Tarso reafirmou ainda que o PT precisa debater como estruturar uma coalizão de governo mais programática no futuro.

“Ninguém está recomendando que se rompa com a coalizão atual, tem que ter condições de o governo continuar, mas o partido tem que pensar, no futuro, numa coalizão mais coerente, mais programática e mais orgânica”, afirmou, após argumentar que todos as administrações pós-redemocratização se sustentaram no sistema de coalizão atual.

Sobre a participação na reunião do futuro ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, O ex-governador preferiu não dar detalhes “Quem tem que falar é o pessoal que convocou a reunião. Ele (Janine Ribeiro) falou sobre suas posições sobre ética política, como ele vê o cenário nacional”, afirmou, brevemente.

Segundo o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, que deixou mais cedo o encontro com dirigentes petistas, a conversa com o futuro ministro da Educação já tinha sido marcada pela entidade antes da indicação para a gestão federal. Os dirigentes, entre eles os presidentes nacional, Rui Falcão, e estadual do partido em São Paulo, Emídio de Souza, continuam reunidos a portas fechadas com Lula. A reunião extraordinária, convocada pelo ex-presidente, para uma “discussão das tarefas do PT na atual situação política”.

Tribuna do Norte 

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