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Cultura

28/12/2015


Diretor do polêmico filme sobre Assis Chateaubriand fala sobre a produção

Na Revista NORDESTE

O Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro, realizado há 10 anos em João Pessoa, superou as dificuldades impostas pela recessão econômica e teve uma edição considerada histórica neste mês de dezembro. A programação aconteceu no principal cinema da capital paraibana e contou com a presença de nomes como o do músico Geraldo Vandré, do ator Lima Duarte e das atrizes Bete Mendes e Virgínia Cavendish.

O grande destaque da edição ficou por conta da exibição do longa-metragem Chatô – O Rei do Brasil, que contou com a presença do diretor do filme, Guilherme Fontes; do ator Marco Ricca, que interpreta o personagem central; além do autor da biografia que inspirou a produção, Fernando Morais. 

Aclamado pela crítica especializada, o filme conseguiu retratar o magnata das comunicações em todos os seus paradoxos – o paraibano era romântico, sensível, engraçado, mulherengo, tirano e maldoso. “Esse era o Chatô. Ele era mil figuras num homem só”, destacou Fernando Morais.

Fontes construiu a narração da história do personagem a partir de um julgamento no seu último dia de vida, em um programa de TV ao vivo. O réu vê sua vida passar diante dos seus olhos, através de pessoas que participaram de diferentes momentos de sua trajetória. Os fatos não são narrados de forma cronológica e em alguns momentos podem causar confusão, especialmente por não existirem grandes conexões entre os tempos e cenas. O telespectador precisa se esforçar para entender a essência contraditória do “Cidadão Kane brasileiro”.

Há bastante humor durante a narrativa, o que permitiu ao diretor lidar com passagens polêmicas da vida de Chatô de forma mais leve. Apesar do exagero e das brincadeiras, há muito da história e da atualidade do Brasil ali, refletindo a manipulação da mídia, acordos políticos e estratégias para manutenção do poder. A história se passa entre as décadas de 30 e 60, as filmagens foram feitas há 15 anos e ainda assim são situações que parecem refletir o atual momento sociopolítico do Brasil – são três tempos que se confundem e causam reflexão sobre para onde nossa nação tem caminhado.

A produção de Chatô por si merecia um novo filme. Entre a pré-produção e o lançamento passaram-se 20 anos, entre arrecadação de patrocínio, reviravoltas, batalhas judiciais, interrupções e muitas dúvidas. “Esse filme é para as pessoas entenderem que não vale a pena desistir de nada”, finalizou Fontes, que preferiu não se ater às polêmicas que envolvem as duas décadas de espera.

Confira trechos da entrevista coletiva concedida por Guilherme Fontes:

 

– Como surgiu a ideia do filme 

Fontes: Jamais tinha tomado conhecimento do Chatô antes de ler a biografia do Fernando Morais. Eu estava me separando, vivendo um caos emocional em casa, e precisava de um novo desafio. Então eu disse olhando para aquele livro enorme: já sei qual vai ser o meu primeiro filme. Vou começar a dirigir cinema a partir disso aqui.

– Os primeiros passos

Fontes: Logo o casamento acabou e eu segui adiante. Mas desde o início muito incerto do caminho que eu iria percorrer e das dificuldades que teria para conseguir o dinheiro, para resumir a obra, da responsabilidade que teria com as pessoas que conviveram com Chatô.

– História x ficção

Fontes: Essa verdade histórica sem dúvida me interessa, mas até a página dois. Eu tenho respeito pela história, mas eu não conseguiria dar a dimensão de Carlos Lacerda, por exemplo, em uma só cena. Até porque eles não são protagonistas desse filme. Então esses personagens serviram apenas para a construção da minha história, da minha fábula.

– O que tem de Guilherme no filme

Fontes: Eu fui de uma forma ou de outra mostrando a minha paixão pelo Brasil, minha paixão pelo personagem, por esse homem que empreendeu e favoreceu o país inteiro, desbravando caminhos e abrindo portas para uma série de coisas.

– Dificuldades na produção

Fontes: Para chegar aos pés da obra do Fernando Morais e para chegar aos pés do que o Chatô representou para o Brasil, era uma tarefa insana. Eu não sei como consegui chegar direito ao final. Eu só sei que não podia desistir porque uma ou outra pessoa não estavam interessadas que eu chegasse até aqui.
 

– Simbolismo de lançar o filme na Paraíba, estado de Chateaubriand – Exclusivo para a NORDESTE

Fontes: É um acontecimento importante demais. Quando eu comecei os estudos vim até aqui, fui até Umbuzeiro (cidade natal de Chateubriand), conheci a terra dele. Para mim é emblemático estar aqui. Achei muito legal a proposta do Aruanda. O filme já foi lançado em Rio e São Paulo e logo deve chegar a João Pessoa.

                                                         

A edição 109 da NORDESTE traz uma reportagem completa sobre o Fest Aruanda e a exibição de Chatô – O Rei do Brasil

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