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Brasil

07/01/2016


Dois pesos e duas medidas: Dilma critica vazamentos da Operação Lava Jato

A presidente Dilma Rousseff criticou nesta quinta-feira 7, em sua primeira entrevista do ano à imprensa, os vazamentos de investigações policiais, como a Operação Lava Jato, e disse que não se pode ter "dois pesos e duas medidas para ninguém no Brasil". Ela voltou a assegurar que em sua conduta "não paira nenhum embaçamento".

"Tenho muito medo da espetacularização e vazamentos porque os vazamentos não se dão num quadro de responsabilidade de apuração. Quando se derem nesse quadro, é importante ser difundido para a população. Mas não é possível ter dois pesos e duas medidas para ninguém no Brasil", afirmou Dilma, durante café da manhã com jornalistas.

A presidente sugeriu que a maior parte das informações que chegam ao público é contra quadros ligados ao governo. Nesta quinta-feira, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, foi alvo de denúncia na imprensa relacionada à Lava Jato. A presidente afirmou ser preciso "manter o direito de defesa" aos acusados e declarou "apoiar integralmente" o trabalho do Ministério Público, da Polícia Federal e da Justiça.

Ao se defender, assegurou não ter cometido qualquer irregularidade, como já fez em outras ocasiões. "Tenho clareza que devo ter sido virada ao avesso e tenho clareza também, até porque entendo de mim mesma, que podem continuar me virando do avesso. Sobre minha conduta não paira nenhum embaçamento, nenhuma questão pouco clara".

Dilma disse ainda, questionada sobre aprovação de reformas, que a oposição tem que ter "pelo menos o mínimo de compromisso com o País". Abaixo, reportagens da Agência Brasil sobre as declarações de Dilma em relação à economia:

Dilma afirma que equilíbrio fiscal é essencial para reduzir inflação

Ana Cristina Campos e Danyele Soares – A presidenta Dilma Rousseff afirmou hoje (7), em café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, que o equilíbrio fiscal é essencial para reduzir a inflação. O objetivo do governo é trazer a inflação "o mais rápido possível" para o centro da meta de 4,5%. "Com o equilíbrio fiscal, é possível garantir o superávit de 0,5% [do Produto Interno Bruto (PIB)] e criar condições para trazer a inflação para o centro da meta". O superávit primário é a economia feita pelo governo para pagar os juros da dívida pública.

Segundo a presidenta, questões de política interna, como a aprovação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e a prorrogação da Desvinculação de Receitas da União (DRU), são mais importantes que a discussão sobre o impeachment aberto contra ela na Câmara dos Deputados. "O Brasil não pode parar [por causa do processo]".

Dilma afirmou que é preciso desmentir "um mito": de que a carga tributária no país vem crescendo. "Pelo contrário, está em 33,4%. Considerando só os impostos federais, cai para 22% e se desse valor for retirado o que vai para Previdência, Sistema S e FGTS [Fundo de Garantia do Tempo de Serviço], o montante vai ao que era a carga tributária em 2002".

A presidenta espera que este ano seja melhor que 2015 e destacou que vai se esforçar para retomar o crescimento e garantir a estabilidade econômica.

Aprovar a CPMF é questão de saúde pública, diz Dilma

A presidenta disse que a aprovação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) é questão de "saúde pública".

"Não é questão só de reequilíbrio fiscal, mas também é questão de saúde pública. Aprovar a CPMF pode ajudar a resolver o problema da saúde pública no país", afirmou.

A presidenta também comentou que o país precisará de reformas, como a administrativa e a da Previdência. "O Brasil vai ter que encarar a reforma da Previdência", disse.

Perguntada sobre denúncias de corrupção em seu governo, ela disse que foi "virada do avesso". "Podem continuar me virando do avesso. Não paira sobre mim nenhum embaçamento".

Dilma também afirmou que sua relação com o vice-presidente Michel Temer está "ótima". 

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