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Economia

05/11/2015


Dólar alto ameaça descontos em importados na Black Friday

Segundo o professor de economia da ESPM-SP, Raphael Videira, são dois os movimentos que acontecem com a alta do dólar. Além do aumento no preço dos produtos eletrônicos importados, os nacionais ficam mais atrativos. “Até pouco tempo atrás tinha um similar importado que era comprado porque compensava mais, hoje ele perde o atrativo perto de um produto nacional que é mais em conta”, afirma.

Para André Roncaglia, sócio fundador da consultoria Stokos Research e professor de economia da FECAP e FIPE, o salário desvalorizado em termos reais torna a Black Friday um evento mais valorizado pelo consumidor, pois coloca os preços em um patamar mais acessível. “Na crise, as pessoas têm dificuldade em manter um padrão de consumo e o “efeito desconto” pode contornar isso”, conclui.

O evento, que já se tornou uma data para o varejo brasileiro comemorar foi responsável por um faturamento de R$ 1,16 bilhão em 2014. Para 2015 a expectativa é que movimente cerca de R$ 1,9 bilhão entre a quinta e a sexta-feira, 26 e 27 de novembro, segundo pesquisa do Google Brasil.

Claudia Sciama, diretora de negócios para o Varejo do Google Brasil, afirmou que como o momento econômico não é dos melhores, muitas pessoas aguardam pela data para fazer um bom negócio. “Em um ano de poucas vendas, o varejo aposta todas as suas fichas na Black Friday”, diz.

A Via Varejo, dona das marcas Casas Bahia e Ponto Frio, não tem nenhum tipo de expectativa para a data. Um porta-voz da empresa afirmou que o impacto da alta do dólar é pequeno, já que a maioria dos produtos comercializados é de origem nacional e os poucos componentes que são importados são diluídos no valor total.

A B2W, dona das marcas Americanas, ShopTime e Submarino, não quis se pronunciar quanto aos efeitos da alta do dólar nas promoções de Black Friday.

O outro lado da moeda

Mas nem todos estão otimistas. O presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar), Claudio Felisoni de Angelo, acredita que nem a Black Friday pode recuperar o ano ruim das vendas. “Os estoques continuam altos e as empresas vão repassar o aumento do dólar mesmo que por pouco”, afirma. Para ele, mesmo com a migração para os produtos nacionais o nível de renda diminuiu e o endividamento aumentou, desestimulando as compras.

Claudio afirma que a tendência é seguir as outras datas importantes para o varejo, como o Dia das Mães, e ter uma diminuição em relação ao ano passado. "Entendo que vai ser uma Black Friday morna, com menos descontos", finaliza.

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