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Brasil

21/11/2014


Economia do Nordeste cresce mais que a do país

Nesta Edição

A geografia econômica do Brasil não é mais a mesma. Os indicadores macroeconômicos de cada região explicam parte dessa mudança. As economias do Norte e Nordeste este ano vão crescer mais do que a média nacional. O PIB (Produto Interno Bruto) nordestino – que é a soma de todos os bens e serviços produzidos na região – deve avançar 2,7% em 2014, enquanto o desempenho esperado para o PIB nacional é de 1,9%.

O tempo em que as praias e paisagens naturais impulsionavam quase sozinhas a economia regional se foi. O crescimento da região vai hoje muito além do turismo. O aumento do poder aquisitivo da população e os investimentos públicos e privados em infraestrutura, na indústria e no setor de energia estão impulsionando o crescimento local e explicando porquê, entre 2003 e 2010, o PIB da região cresceu 37,1% (acima dos 32,2% do Brasil). Com seus mais de 50 milhões de habitantes, se fosse um país, o Nordeste figuraria entre as 10 maiores economias da América Latina, à frente do Equador, Paraguai e Uruguai.

Historicamente marginalizada, a região começa a receber a atenção proporcional ao tamanho de suas potencialidades, tanto do setor público como do privado. Este último, aliás, incrementa o volume de investimentos, tanto pela economia em expansão como pelos incentivos fiscais que encontra ao aterrissar em um dos nove estados. As empresas estão de olho no poder de compra do nordestino, que já alcança R$ 450 bilhões, equivalente à economia de países como a República Checa e o Peru. Em um ciclo virtuoso, o aumento do consumo atraiu a chegada de empreendimentos privados que, por sua vez, foram responsáveis por ampliar o mercado de trabalho e renda.

Estudo feito pela IPC Marketing e publicada pelo estado de São Paulo indica que o Nordeste chegou a um número recorde em relação ao consumo, alcançando os 20% do total consumido no Brasil, enquanto o potencial do Sudeste pela primeira vez ficará abaixo dos 50%. Segundo o diretor da IPC Marketing, Marcos Pazzini, foram as políticas governamentais de transferência de renda que fizeram com que parte da população passasse a ter melhor qualidade de vida e, consequentemente, de consumo.

“Anos atrás eu jamais iria imaginar que teria uma casa própria. Comprei meu apartamento através do Minha casa, Minha vida. Só desse jeito foi que consegui pagar um investimento tão alto”, diz Maria Auxiliadora (46), secretária em um consultório médico de João Pessoa (PB). Maria conta que hoje tem mais acesso a produtos e serviços mais baratos que um imóvel, o que não tinha antes, confirmando a conclusão da IPC.

De acordo com a pesquisa, 20% da origem da renda familiar nordestina vem do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) – boa parte do pagamento é atrelada ao salário mínimo. O Bolsa Família representa 3% e o restante é dividido entre trabalho (71,9%) e outras fontes (5,4%), como aluguel. Já o destino da renda, segundo Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do IBGE, em todo país, vai para habitação, alimentação e transporte. Em Pernambuco, por exemplo, 71% do orçamento das famílias são destinados a estas despesas.

No Nordeste, onde vive mais de um quarto da população brasileira, a classe média cresceu 20 pontos percentuais na última década e representa hoje mais de 40% dos habitantes. Levantamento da consultoria Plano CDE, com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), aponta que são 23,9 milhões de nordestinos na classe C e 23,7 milhões entre a D e E. Ambos representam 45% da população, mesmo com a ligeira diferença.

 

Veja a matéria completa nesta edição da Revista NORDESTE

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