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Educação

15/10/2018


Edital do Enem em 2018 trouxe mudanças nas provas

O edital do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2018 trouxe mudanças significativas na logística de aplicação das provas. Algumas foram implementadas de última hora no exame de 2017, pegando os estudantes de surpresa. Este ano as novidades foram publicadas em março e alunos e professores tiveram tempo de se debruçar sobre as alterações de forma crítica. De maneira geral, a avaliação que se faz é de que as mudanças foram positivas para os vestibulandos, como a aplicação das provas em dois domingos consecutivos, em vez da realização no mesmo fim de semana, como acontecia até 2016. Os estudantes também poderão ficar despreocupados em relação ao horário de verão, que foi postergado do dia 4 de novembro, primeiro dia de provas, para 18 do mesmo mês. A solicitação foi feita pelo Ministério da Educação para evitar transtornos no dia do exame.

Para o professor de física da terceira série do ensino médio do Colégio Damas, Nélio Ferreira, uma mudança negativa no edital foi a da ordem das provas. Agora, no primeiro domingo (4), serão aplicadas as de Linguagens, Ciências Humanas e Redação, com 5h30 de duração. No segundo domingo (11), serão aplicadas as de Matemática e Ciências da Natureza, com 5h de duração, acréscimo de 30 minutos em relação aos anos anteriores. “Achei que ficou muito cansativo, mesmo com o aumento do tempo de prova, porque são 90 questões apenas com disciplinas de exatas, enquanto no primeiro tem a redação e longos textos. Ainda que o aluno tenha um espaço de uma semana entre uma avaliação e outra, acaba sendo estressante”, diz Nélio.

Sobre a retirada do edital do item que determinava a anulação da redação que desrespeitasse os direitos humanos, o professor diz que discorda enquanto educador de uma escola cristã. “Pensamos que para qualquer sociedade deveria ter como base o respeito aos direitos humanos e à valorização da pessoa”, defende Nélio.

A professora de geografia e ciências humanas do Colégio Damas, Amália Guimarães lembra que outra alteração positiva no edital foi a personalização do caderno de provas. “O aluno entende que isso trouxe mais segurança no sentido de diminuir a possibilidade de fraude”, coloca. Amália avalia que, em sua totalidade, as mudanças foram muito positivas. “Passamos o ano todo trabalhando esse novo formato e o emocional dos alunos para essa estrutura. Temos que lembrar também que o Enem não é mais usado como certificado de conclusão de ensino médio, e que se espera um nível de dificuldade maior nas questões”, afirma Amália.

O ex-aluno e monitor do Colégio Damas, Marcelo Lins, 19, aprovado em Direito pela UFPE em 2016, lembra que o Enem continua sendo um exame que exige controle emocional. “A primeira prova tem duração de 5h30. O ideal é fazer a redação antes, na margem de 1h a 1h15, e separar 20 minutos para marcar o gabarito, o que garante dois minutos e meio por questão. Usando o mesmo raciocínio, no segundo domingo o aluno terá três minutos por questão, lembrando sempre de fazer as mais fáceis para garantir o maior número de acertos. Já na redação, o critério é que na conclusão o aluno apresente soluções que não sejam boas apenas para um grupo, mas para a sociedade como um todo”, orienta.

Camile Dutra, 18 anos, vai prestar vestibular pra Medicina. Para ela, algumas mudanças foram boas, outras nem tanto. “A aplicação do Enem em um fim de semana era muito exaustivo, apesar da ansiedade que ficamos com a folga de sete dias. O que achei ruim foi colocar todas as provas de exatas juntas porque fica pesado”, disse.

Diário de Pernambuco

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