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Brasil

03/03/2015


Em clima tenso, políticos ensaiam discurso para responder à lista da Lava Jato

Política

À espera da divulgação da lista de políticos que serão alvo de investigação por conta das suspeitas de envolvimento em desvios na Petrobras, deputados e senadores já ensaiam discursos para desqualificar as possíveis acusações a serem feitas pelo Ministério Público.

Em meio a um clima de suspense no Congresso, o discurso corrente entre os parlamentares que podem estar na lista é de que, se as provas fossem consistentes, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não pediria mais investigação por meio de um inquérito, mas apresentaria diretamente uma acusação formal contra os políticos investigados.

Por enquanto, parlamentares alimentam a expectativa em torno do pedido de levantamento do sigilo sobre o processo relacionado à Operação Lava Jato da Polícia Federal. O pedido foi feito pelo procurador-geral e depende de uma decisão do relator do processo no Supremo Tribunal Federal, ministro Teori Zavascki. Janot pedirá mais investigação em vez de oferecer a denúncia contra os políticos que possuem foro privilegiado, por entender que, neste caso, é necessário evocar o princípio da “responsabilidade e firmeza”.

O deputado Artur Lira (PP-AL) aponta a delação premiada como um "instrumento de tortura" para os parlamentares. "Delação premiada no Brasil virou um instrumento de tortura. Não é porque uma pessoa fooi citada que ela é culpada", disse o ex-líder do partido da Câmara que é filho do senador Benedito de Lira (PP-AL), que teria sido citado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa em depoimentos na Polícia Federal, como um dos políticos que teriam se beneficiado do esquema isntalado na estatal.

Para o deputado, a demora de Janot em oferecer a denúncia é porque ele está sendo precavido. "Ele está sendo precavido para não pecar pelo excesso", disse.

Suspense
Na tarde de segunda-feira, a notícia de que os citados no inquérito seriam avisados pelo procurador antes da divulgação da decisão deixou os parlamentares ainda mais ansiosos. Muitos deputados e senadores deixaram o gabinete de plantão à espera de qualquer correspondência vinda da Procuradoria Geral da República. O aviso é uma prática adotada por Janot para que os indiciados não saibam por terceiros sobre a acusação.

Embora os possíveis suspeitos apontem a fragilidade das provas, a decisão de Janot de não oferecer denúncia é embasada na avaliação de que já existirem indícios fortes contra os acusados. No entanto. é necessário dar mais robustez às provas contra os políticos.

A Operação Lava-Jato investiga um esquema de pagamento de propina envolvendo empreiteiras, políticos, partidos e diretores da Petrobras. A parte da investigação que não envolve foro privilegiado está sendo feita pela Justiça Federal do Paraná. Já a parte envolvendo políticos, que possuem foro privilegiado, é conduzida pela PGR. Entre os investigados estariam políticos do PP, PT, PMDB, PTB, entre outros.

Argumento
Outro alento tem servido aos políticos: a possibilidade de que recursos doados para as campanhas e declarados à Justiça Eleitoral não seriam alvo do inquérito a ser pedido pelo procurador. "Nós no PT estamos mais tranquilos porque foram doações legais, declaradas. Não é dinheiro de propina", disso senador Lindbergh Farias (PT-RJ), também citado no depoimento de Paulo Roberto Costa.

Já o presidente do PMDB, Valdir Raupp (RO), também citado em depoimentos da delação premiada, fiava-se no mesmo argumento. De acordo com peemedebistas, recursos recebidos por Raupp e declarados à Justiça Eleiroal somam R$ 1,2 milhão e foram distribuidos por cincoo diretórios do PMDB. Deste montante, R$ 300 mil alimentaram a campanha em Rondônia.

Ritmo
A demora na decisão de Janot já provocou mudanças no ritmo da Câmara. Na semana passada, os partidos ocorreria a escolha pelas comissões da casa, decisão que acabou adiada para esta semana para que os parlamentares façam as escolhas diante de um cenário político mais concreto.

O PP, por exemplo, cotado para comandar a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara por indicação de Eduardo Cunha tem 6, dos 45 parlamentares da sigla citados na investigação.

 

(Do iG)

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