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Brasil

02/09/2014


Em debate, Dilma e Marina se confrontam e deixam Aécio Neves em segundo plano

O segundo debate entre os presidenciáveis se caracterizou pelo embate direto das duas principais candidatas ao Palácio do Planalto, segundo as últimas pesquisas de intenção de voto. Subindo o tom e trocando farpas, Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) discutiram sobre economia, governabilidade e pré-sal, no encontro realizado pelo SBT nesta segunda-feira (1º). Ofuscado pelas duas, Aécio Neves (PSDB) teve de se contentar com a posição de coadjuvante.

A briga direta entre as duas parece ser um reflexo da últimas pesquisas, que mostraram um forte avanço da ex-senadora. No Datafolha, o mais recente levantamento divulgado, Dilma e Marina aparecem empatadas com 34% dos votos na simulação de primeiro turno. Aécio fica bem atrás, com 15%.

Durante todo o debate, Dilma procurou mostrar que a rival não tem propostas concretas, muito menos realizáveis financeiramente. Em certo momento, a petista chegou a dizer textualmente que Marina caprichava na retórica e nas "frases de efeito", mas não conseguia dizer nada de objetivo.

Marina, por sua vez, procurou ressaltar que a petista não reconhece os seus erros na condução do Governo Federal, especialmente na economia. A candidata do PSB procurou colar em Dilma a pecha de intransigente e de pouca afeita ao diálogo com quem pensa diferente dela.

Primeiro bloco

Dando indícios de que Marina seria o principal alvo, Dilma abriu o debate questionando a candidata do PSB. Listando as inúmeras promessas que a socialista fez, como a de destinar 10% do PIB para a saúde, a presidente quis saber como a adversária ia levantar fundos para pagar todos os seus projetos, que custariam R$ 140 bilhões.

Mais do debate:

"Fazer com que nosso orçamento possa ser acrescido pela eficiência em relação aos tributos recolhidos da sociedade. A sociedade paga muito alto para que as escolhas que são feitas sejam na direção errada”, respondeu Marina, prometendo fazer uma melhor distribuição da arrecadação de impostos.

Dilma acusou a adversária de não ter ser sido clara em sua resposta. “A senhora falou, falou e não disse nada.”

Segundo bloco

No segundo segmento do debate, os candidatos responderam às perguntas de jornalistas. Dilma e Marina mais uma vez concentraram as atenções. Membro da Assembleia de Deus, a candidata falou de dois temas que costumam ter forte rejeição entre os eleitores evangélicos.

"Eu não apoio a realização do aborto. Mas não satanizo quem apoia a descriminalização das drogas ou o aborto. São questões muito complexas e que merecem cuidado", explicou Marina ressaltando ainda a sua proposta de 2010 de convocar um plebiscito.

Terceiro bloco

O penúltimo bloco se caracterizou por um endurecimento do embate entre Dilma e Marina, em questões como governabilidade e economia. Ambas as candidatas aumentaram o tom ao trocar perguntas entre si. Com isso, o candidato do PSDB ficou mais uma vez em segundo plano. Marina voltou a repetir uma pergunta que tinha feito no primeiro debate, questionando por que o governo da petista deu errado.

"O que deu certo foi que tiramos 36 milhões de pessoas da pobreza. Muitas coisas ainda vamos continuar fazendo… Eu apostei na governabilidade, nunca negociei contra os interesses do Brasil. Sem apoio no Congresso Nacional, não é possível apoiar um governo estável", retrucou Dilma.

"Exatamente o que eu disse mais de uma vez. Dilma tem muita dificuldade em reconhecer os problemas de seu governo. E se não reconhece começa a passar uma situação de desconfiança em um próximo mandato", respondeu Marina, em réplica.

Segundo confronto presidencial

Este foi o segundo foi confronto entre os concorrentes ao Palácio Planalto. O primeiro foi realizado pela Band na semana passada. Antes do debate, o presidente do PSB, Roberto Amaral, disse que sua candidata se preparou para ser alvo dos adversários. “[A orientação] é não aceitar nenhuma provocação. Não vamos fazer o jogo deles.”

Dilma e Marina chegaram aos estúdios da emissora com uma diferença de 10 minutos. A primeira chegou às 17h e a segunda, às 17h10. O carro da presidente estava escoltado por duas vans e uma ambulância. Desceu usando seu tradicional terno vermelho ao lado de Aloisio Mercadante, chefe da Casa Civil, e do presidente do PT, Rui Falcão. Assim como a candidata do PSB, só conversou com os jornalistas que promoveram o debate do SBT.

Além de Dilma, Aécio e Marina, também participaram os candidatos Eduardo Jorge (PV), Luciana Genro (PSOL), Pastor Everaldo (PSC) e Levy Fidelix (PRTB).

Luciana, Jorge e Fidelix chegaram ao debate no banco da frente de seus carros. Os dois primeiros em veículos populares, o segundo em um carro de luxo. A candidata do PSOL abaixou o vidro, mas quase ninguém reconheceu. O do PRTB acenou ao ouvir um "olha o aerotrem" e o candidato do PV chegou concentrado no celular, usando uma camiseta do partido.

 

(Do iG) 

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