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Brasil

11/05/2015


Em depoimento, Yousseff nega que Palocci tratou de dinheiro para Dilma

 O doleiro Alberto Youssef, preso em Curitiba pela Operação Lava Jato, atira com todas as forças contra o PT nesta manhã, em depoimento à CPI da Petrobras. Os deputados da Comissão ouvem hoje os depoimentos de sete pessoas presas na investigação. Os depoimentos serão colhidos no auditório do edifício-sede da Justiça Federal na capital paranaense. Confira o teor de seu depoimento nas reportagens da Agência Câmara:

 

O doleiro Alberto Youssef confirmou à CPI da Petrobras teor de depoimento feito por ele à Polícia Federal em que afirmou que o ex-presidente Lula mandou fazer um pagamento para a agência Muranno Marketing, que prestava serviços à Petrobras.

 

"Quem me contou isso foi o Paulo Roberto Costa", disse Youssef, em referência ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras apontado como beneficiário de propinas de empresas contratadas pela Petrobras para o financiamento de partidos políticos.

 

Youssef disse à CPI que recebeu de Costa a ordem para que procurasse os dirigentes da Muranno e que o dinheiro saiu da parte que cabia ao PT e ao PP.

 

"Paulo disse que, na época, foi R$ 6 milhões e pouco e que isso o PT teria que operacionalizar metade. A outra seria do PP. Em determinado momento, Julio Camargo (representante da empresa Toyo) me fez esse repasse de R$ 3 milhões para o PT", disse.

 

Youssef diz que Planalto sabia de esquema investigado pela Lava Jato

 

O doleiro Alberto Youssef disse, em depoimento à CPI da Petrobras, que o Palácio do Planalto sabia do esquema de financiamento de campanha investigado na Operação Lava Jato.

 

Segundo ele, em 2011 ou 2012, houve "um racha" entre os líderes do PP e isso foi motivo de discussão dos líderes com a Casa Civil e a Secretaria-Geral Presidência da República.

 

De acordo com Youssef, Paulo Roberto Costa disse que o Palácio do Planalto é que iria designar o novo "interlocutor" do partido. O líder do PP, na época, era o deputado Nelson Meurer (PP-PR).

 

Com o racha do partido, o Palácio do Planalto, com a participação de Paulo Roberto Costa, escolheu o deputado Arthur Lira (PP-AL) para substituir Meurer. Youssef disse que a troca de líderes foi feita por intermédio da então ministra Ideli Salvatti e do ex-secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho.

 

As declarações de Youssef foram feitas em resposta a questionamento de um dos sub-relatores da CPI, deputado Bruno Covas (PSDB-SP).

O doleiro negou, porém, ter repassado recursos para a campanha de Dilma Roussef em 2010. Alberto Youssef confirma repasse de R$ 400 mil à cunhada de Vaccari

 

O doleiro Alberto Youssef confirmou à CPI da Petrobras que entregou R$ 400 mil a Marice Corrêa de Lima, cunhada do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. Esse dinheiro, segundo ele, foi pago por ele a pedido da empresa Toshiba. Ele disse, porém, que nunca conversou com Vaccari a respeito disso.

 

Youssef disse ter sido contratado pela Toshiba para efetuar o pagamento e que esse pagamento foi dividido em duas ocasiões. Na primeira, Youssef pessoalmente entregou o dinheiro à cunhada de Vaccari, no escritório do doleiro, em São Paulo.

 

A segundo parte, em espécie, teria sido entregue no diretório do PT em São Paulo por um funcionário do doleiro, Rafael Ângulo, e um diretor da Toshiba, chamado Piva.

 

Segundo Youssef, o dinheiro destinado ao PT somou cerca de R$ 800 mil de um total de R$ 1,4 milhão. A maior parte foi destinada ao PT e o restante para o PP.

 

A ida de Marice, a cunhada de Vaccari, ao escritório dele, teria sido intermediada por Piva. "Ele me pediu para marcar dia e hora para ela ir lá e que ela iria entrar pela garagem. E assim foi feito", disse Youssef.

 

O doleiro negou, porém, informação dada por Paulo Roberto Costa de que o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci teria pedido R$ 2 milhões, "da conta do PP", para a campanha de Dilma Rousseff em 2010. "Não conheço Palocci e nunca tive contato com nenhum assessor dele. Se alguém operacionalizou esse pagamento, não fui eu", disse.

Doleiro diz à CPI da Petrobras que financiou campanhas de PP, PMDB e PT

O doleiro Alberto Youssef disse há pouco, em depoimento à CPI da Petrobras, que participou diretamente do financiamento de campanha de políticos do PP, do PMDB e do PT. Youssef depõe neste momento no auditório do edifício-sede da Justiça Federal em Curitiba.

Ao responder a pergunta do deputado Altineu Côrtes (PR-RJ), ele disse que financiou campanhas de vários candidatos do PP a pedido do ex-deputado José Janene. O doleiro não mencionou nomes.

Youssef disse, ainda, que financiou as campanhas dos senadores Valdir Raupp (PMDB-RO) e Gleisi Hoffmann (PT-PR) a pedido do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Segundo Youssef, o financiamento da campanha de Raupp teria sido feito através de doação oficial da empreiteira Queiroz Galvão, enquanto o da campanha de Hoffmann teria sido feito em dinheiro. O dinheiro teria sido entregue em Curitiba a pedido de Costa.

Alberto Youssef diz que foi "engrenagem" em esquema de desvio da Petrobras

O doleiro Alberto Youssef, apontado como o principal operador do esquema de desvio de dinheiro da Petrobras, disse à CPI da Petrobras que não foi o mentor das irregularidades investigadas pela Operação Lava Jato. "Não fui o mentor, mas uma engrenagem nesse processo", disse.

Ao responder a perguntas do deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), relator da CPI, Youssef disse conhecer pessoas investigadas na Operação Lava Jato, como Fernando Soares (conhecido como Fernando Baiano), Júlio Camargo (da empresa Toyo Setal) e o ex-policial Jayme Alves de Oliveira Filho.

Youssef confirmou à CPI o que já havia dito em depoimentos de delação premiada. Segundo ele, Júlio Camargo representava as empresas Toyo e Camargo Corrêa. De acordo com o doleiro, Camargo pediu a ele dinheiro que seria usado para evitar um pedido de informações da Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara sobre o aluguel de sondas pela Petrobras.

"Ele [Camargo] me pediu que fizesse a ele operação a respeito de aluguel de sondas que ele fez com Soares para a Petrobras. Ele me disse que precisava pagar por conta de requerimento que o Fernando [Soares] tinha pedido ao deputado Eduardo Cunha para que pedisse à Comissão de Fiscalização informações sobre a Mitsui Toyo. Então ele me pediu que entregasse recursos para Fernando Soares", disse.

Segundo investigação do Ministério Público, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o pedido de informações da Câmara sobre aluguel de sondas da Petrobras à Toyo seria decorrente do atraso no pagamento de propina para Soares. O requerimento seria uma maneira de pressionar a empresa a fazer o pagamento.

Soares nega qualquer envolvimento no caso, bem como o presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

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