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Brasil

21/01/2016


Em entrevista, Lula rebate denúncias e critica imprensa conservadora

Nas longas respostas elaboradas aos 11 jornalistas que participaram da entrevista a blogueiros progressistas nesta quarta-feira 22 no Instituto Lula, em São Paulo, o ex-presidente rebateu denúncias de investigação envolvendo seu nome, criticou a imprensa, o impeachment, falou de eleições e do PT. Mas também usou seu tempo para mandar recados à presidente Dilma Rousseff. Vários deles.

Diversos trechos de sua fala vinham acompanhados de expressões como "eu espero que a Dilma…"; "eu acredito que a Dilma vá…" ou ainda "quero crer que a Dilma…". Eles se referiam principalmente a tomada de medidas em prol do crescimento econômico do Brasil e, consequentemente, pela saída da crise, e a uma desejável reação do governo diante de tantas críticas ou notícias negativas na imprensa.

Lula comentou, em uma das respostas, o quão difícil é eleger um sucessor. "É muito difícil eleger sucessor. Quando você tem um cara de oposição no governo, tudo fica mais fácil porque é só descer o cacete. Mas quando você elege um sucessor, você tem obrigação de ser parceiro, obrigação de ajudar nos bons momentos e nos maus momentos, se não você não é parceiro, se não você não é companheiro".

O ex-presidente admitiu um "equívoco político" do governo Dilma, "já admitido" por ela, que foi o fato de o PT ganhar as eleições com um discurso e depois tê-lo mudado. "A Dilma dizia que não mexeria no direito do trabalhador nem que a vaca tussa, que ajuste era coisa de tucano… e depois ela foi obrigada a fazer", lembrou. "Nós não ganhamos uma pessoa do mercado com isso", lamentou. "Não ganhamos ninguém e perdemos a nossa gente".

Segundo ele, "a Dilma tem um desafio agora. Em algum momento nesse mês vão ter que anunciar alguma coisa, até para explicar por que o [ex-ministro da Fazenda, Joaquim] Levy saiu, o que vai mudar". Lula cogitou que a presidente faça um pronunciamento "logo, logo" para anunciar o que virá nos próximos anos de seu governo.

Como que num lamento, Lula admitiu aos jornalistas que não venderia os ativos da Petrobras. "Eu, sinceramente, não venderia. Se o governo entendeu que essa era a saída, paciência. Eu não faria", disse. "Nós não podemos abrir mão do que é estratégico para o país", acrescentou, citando França e Alemanha como exemplos. "Aquilo que é estratégico está nas mãos deles. Não abrem mão, não".

Ao fazer críticas a notícias negativas divulgadas diariamente na imprensa tradicional, Lula sugeriu: "A Dilma tem que fazer a pauta desse país, toda semana criar um fato político. Se não será pautada pelos jornais, todo dia uma denúncia diferente". Para ele, "o governo não pode deixar que uma minoria paralise o País, paralise o governo".

Sobre medidas econômicas capazes de fazer o Brasil superar a crise, o ex-presidente defendeu uma "forte política de crédito" a fim de "colocar os pobres em cena outra vez" e movimentar o mercado interno, além de ações mais ousadas do governo. "Eu acredito que a Dilma será ousada daqui para a frente", afirmou. "E deve ser ousada".

Lula ressaltou que presidente "tem que conversar mais com a sociedade, se organizar mais com os partidos aliados". "Acho que o grande sinal que o governo tem que dar é esse: nós vamos retomar o crescimento desse país custe o que custar", disse. "Isso é necessário. É necessário porque se a gente não tomar iniciativa, há uma estimativa de que o PIB possa cair mais 3% em 2016", afirmou, em referência às previsões do FMI divulgadas nesta terça-feira 19.

Questionado sobre a atual política de juros, Lula opinou, poucas horas antes de o Copom, do Banco Central, anunciar sua posição sobre a taxa básica de juros, que "não há nenhuma necessidade de aumentar a taxa Selic nesse momento". Para o petista, "o governo está com a bola e tem que dizer qual o ritmo do jogo". O antecessor de Dilma defendeu investimentos em infraestrutura, mesmo que seja necessário se endividar.

"Não tem problema você aumentar a dívida em alguma coisa se for para construir um ativo novo para gerar emprego novo, para gerar renda, para gerar desenvolvimento. Não tem nenhum problema", avaliou. Sobre desemprego, elogiou que a presidente tenha terminado o primeiro mandato com o menor índice da história do País. "Ela tem que saber que é primazia dela chegar a 4,8% [anual] e que tem que ser dela a retomada do crescimento", finalizou, como que num pedido.

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