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05/07/2019


Em queda livre e constrangido pela Vaza Jato, Moro aparece em vídeo com dono da Lojas Havan

247 – O ministro da Justiça, Sérgio Moro, participou nesta sexta-feira, 5, de evento com o mercado financeiro realizado nesta sexta-feira (5), em São Paulo.

No mesmo dia em que a revista Veja divulgou reportagem em parceria com The Intercept, que mostra o conluio de Moro com procuradores e sua tentativa de driblar o STF, o juiz apareceu constrangido em vídeo ao lado do empresário Luciano Hang, bolsonarista dono das Lojas Havan.

Assista:

Luciano Hang
@luciano_hang
Estou no Expert 2019 da XP, em São Paulo, e encontrei nosso Ministro Sérgio Moro. Tenho cada vez mais certeza que estamos no caminho certo. Moro é um herói vivo nacional, que salvou o nosso país. Estamos juntos! ✌🏼

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11:25 – 5 de jul de 2019
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Leia matéria do Infomoney sobre a participação de Moro no evento:

“Eu não tenho medo do que eles realmente têm”, diz Sérgio Moro após novos vazamentos

Após a divulgação de novos diálogos mantidos com procuradores na época em que era o juiz federal responsável por casos da Operação Lava-Jato, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, voltou a defender sua conduta e a condenar o acesso de hackers a mensagens privadas supostamente trocadas por ele.

Em evento com o mercado financeiro realizado nesta sexta-feira (5), em São Paulo, o ministro manteve a estratégia de não confirmar a autenticidade do material e pedir acesso à sua integralidade, além de criticar os jornalistas responsáveis pelas publicações. “Eu não tenho medo do que eles realmente têm. Acho eticamente reprovável, mas não tem esse tipo de ameaça. Não tenho medo. Eu sei o que fiz na Lava-Jato e até onde fui nas minhas comunicações [como juiz] com qualquer pessoa que seja”, afirmou.

Uma reportagem publicada pela revista Veja em parceria com o site The Intercept Brasil mostra novos diálogos entre Moro, então juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba (PR), e Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato.

Segundo a publicação, o atual ministro pediu aos acusadores a inclusão de provas nos processos, interferiu no ritmo dos trabalhos dos procuradores e desaconselhou sobre possível acordo de delação premiada com o ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ).

A reportagem diz, ainda, que Moro teria tido acesso à versão prévia de manifestação do Ministério Público Federal sobre um processo e feito sugestões sobre a dinâmica de operações a serem deflagradas pelos investigadores.

Entrevistado pela jornalista Natuza Nery, o ministro também reclamou da ausência de direito de resposta antes da publicação da reportagem, disse que as publicações usaram de “extremo sensacionalismo” e manteve o tom de suspeita de possível adulteração total ou parcial do conteúdo. O ministro recebeu forte apoio dos presentes, que o aplaudiram de pé ao final do seminário.

Durante a entrevista, Moro entrou em duas situações específicas apresentadas pela reportagem para se defender e criticar os procedimentos adotados pela publicação.

No que diz respeito à cobrança para que o MPF se manifestasse sobre pedido de prisão preventiva do pecuarista José Carlos Bumlai, o ministro alegou que havia proximidade do recesso judiciário. Diz ele que o pedido teria sido feito para que o caso fosse analisado antes disso, o que seria favorável ao réu.

“O que tem de ilícito em uma mensagem dessa espécie? Eu coloquei essa pessoa em prisão domiciliar alguns meses depois, contra o pedido do Ministério Público. E a quebra de imparcialidade ou conluio ou algo parecido?”, questionou.

Outro ponto rebatido pelo ministro diz respeito a um pedido de inclusão de prova à denúncia contra Zwi Skornicki, representante de um estaleiro que pagou propinas a ex-funcionários da Petrobras. “Sobre aquele fato, houve absolvição. Eu vou pedir para incluir um fato e depois eu vou absolver? Então não é questão de parcialidade, é questão de esquizofrenia”, alegou

Há pouco menos de um mês, Moro vem sendo cobrado de explicações por diálogos mantidos com procuradores em plataformas privadas. O conteúdo foi obtido por um hacker, que compartilhou as informações com o site The Intercept Brasil. Desde então, o ministro foi duas vezes ao Congresso Nacional para prestar esclarecimentos sobre o ocorrido.

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