menu

Brasil

23/08/2014


Em Recife, Marina critica Dilma e acena a Serra e Suplicy

ELEIÇÕES 2014

A candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, realizou neste sábado seu primeiro ato político como presidenciável – e escolheu para a estreia de sua candidatura nas ruas a cidade de Recife, capital de Pernambuco, Estado governado duas vezes por Eduardo Campos. Contrária à aliança com o PSDB em São Paulo – recusa-se a subir em palanques com o governador Geraldo Alckmin -, Marina fez leve aceno aos tucanos no maior colégio eleitoral do país. Disse aos eleitores que sabe que, se eleito senador, o ex-governador paulista José Serra "não vai faltar" a seu governo, caso venha a comandar o Palácio do Planalto. Marina, contudo, não deixou de lado o petista Eduardo Suplicy. "O PMDB de Pedro Simon não vai nos faltar. Tenho certeza de que o PMDB de Jarbas [Vasconcelos] não vai nos faltar. O PDT de Cristovam (Buarque) não vai nos faltar. O PT de Suplicy não vai nos faltar. Eu até te digo mais: mesmo que estejamos em palanques diferentes, se não for o Suplicy e for o Serra, eu tenho certeza de que ele não vai nos faltar", afirmou a ex-senadora.

Marina poupou o adversário tucano na corrida presidencial Aécio Neves de críticas diretas, e concentrou sua artilharia na presidente Dilma Rousseff, que disputa a reeleição pelo PT. Assim como Campos, a ex-senadora, que também foi ministra do governo Lula, evitou criticar o ex-presidente. "No Brasil criou-se uma coisa de 2010 para cá, de que é preciso ser gerente para governar. A gente precisa ter argumento quando vierem com esse papo. O Itamar não era um gerente, era um homem com visão estratégica; o Fernando Henrique era um acadêmico, não era gerente, mas com visão estratégica; Lula era operário, mas um homem com visão estratégica. É por isso que equilibraram a economia e reduziram a inflação. Quando se tem visão estratégica, se sabe unir a equipe, a gente consegue os melhores gerentes", disse, em clara crítica a Dilma, que foi anunciada pelo PT na campanha presidencial de 2010 como "a gerente do ex-presidente Lula". Ao dizer que o país não precisa de uma "gerente" no governo, Marina voltou a dizer que Dilma será a "primeira presidente a entregar um país pior do que recebeu", frase repetida inúmeras vezes por Campos durante a campanha.

A ex-senadora repetiu também outras falas do ex-governador de Pernambuco, morto em acidente aéreo. Ela voltou a dizer que é preciso tirar as velhas raposas do governo e criticou a polarização existente entre PT e PSDB que, nas palavras dela, "fazem oposição pela oposição". "A nova República tem de assumir sua responsabilidade. O PT e o PSDB fazem a polarização. Não se escutam. E se eles não se escutam, como vão escutar a sociedade brasileira? É por isso que o técnico dessa seleção se chama sociedade brasileira", disse.

Economia – Questionada sobre a fala de Dilma, que afirmou na sexta-feira que para levar a inflação para o centro da meta – de 4,5% – é preciso cortar programas sociais, Marina disse que "isso é coisa de quem não quer cortar outras coisas (dos gastos do governo)". A ex-senadora afirmou que, se eleita, não cortará os programas sociais e sinalizou que a redução da inflação, hoje na casa de 6% ao ano, será feita por meio do corte de gastos com a máquina. "Se acabar com o toma lá da cá em torno dos ministérios, combatendo a corrupção, com certeza vamos conseguir combater a inflação, mantendo as prioridades para as políticas sociais. Isso é uma questão de escolhas. O problema é que tem gente que não quer mudar as escolhas."

Recife – O local escolhido para o primeiro evento foi Casa Amarela, bairro pobre da Zona Norte da capital Pernambucana, terra natal de Campos. Marina fez uma caminhada de cerca de uma hora, acompanhada de seu vice, o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS) e de candidatos da Frente Popular, coligação encabeçada pelo PSB na disputa pelo governo pernambucano. Acompanharam a presidenciável o candidato ao governo de Pernambuco pelo PSB, Paulo Câmara, o vice Raul Henry, Fernando Bezerra Coelho, que disputa o Senado, o governador João Lyra Neto e o prefeito do Recife Geraldo Júlio. Não faltou sequer um boneco de Olinda com a figura de Marina pelas ruas.

O trajeto foi acompanhado pela Juventude do PSB, que entoava gritos como "Eduardo, presente, Marina presidente" e palavras de apoio à candidatura de Paulo Câmara na disputa pelo governo. A ex-senadora foi abordada por diversos moradores, que romperam o cordão formado por assessores para pedir autógrafos e tirar fotos com ela. Ao final da caminhada, Albuquerque, Câmara e Bezerra falaram em um palanque improvisado, pedindo ao povo que dê continuidade ao sonho de Campos, elegendo os candidatos do PSB no Estado e votando em Marina para presidente. Marina participará no final do dia de uma segunda agenda no Recife, onde fará um pronunciamento para a militância do PSB.

Nordeste – No Nordeste, Marina aproveitou para destacar a importância da região e criticou os que só dão atenção ao local em período de campanha. "O Nordeste não é um problema para o Brasil, mas uma solução. Desde que não seja visitado e afagado apenas no tempo das eleições, para diminuir a diferença dos votos."

O GLOBO

Notícias relacionadas