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Brasil

13/11/2014


Emissões de gases de efeito estufa caem mais de 40% em sete anos

As estimativas de emissões de gases de efeito estufa no Brasil entre 2005 e 2012 caíram 41,1%, de acordo com a segunda edição do relatório Estimativas Anuais de Emissões de Gases de Efeito Estufa, lançado hoje (13) pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O total de emissões em 2012 foi 1,2 bilhão de toneladas de gás carbônico equivalente (CO2eq), contra 2,03 bilhões em 2005. Os setores de energia e agropecuária dividem a liderança como maiores emissores, em 2012, com 37% das emissões cada.

O setor de uso da terra e floresta, que em 2005 representavam 58% das emissões de CO²eq, em 2012 passaram a registrar 15% das emissões no país em 2012, como resultado da queda nas taxas de desmatamento a partir de 2004. Os processos industriais e tratamento de resíduos somam 7% e 4% das emissões, respectivamente.

Para o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTI, Carlos Nobre, pela trajetória apresentada, o Brasil poderá atingir as metas máximas de emissão antes do prazo previsto, em 2020. A projeção de emissões de gases de efeito estufa foi estimada em 3,2 milhões de toneladas de CO²eq para 2020, compromisso assumido voluntariamente pelo Brasil na Convenção do Clima em Copenhague, em 2009. As emissões em 2012 estão 44% menores do que o projetado para o ano.

“Vemos que as emissões pelo uso da terra e florestas continuam descendentes. Outra boa notícia é que as emissões da agropecuária sinalizam tendência de estabilização bem mais rápida do que supúnhamos. As emissões cresceram 7%, só que o produto agrícola bruto aumentou entre 26% e 28% e ainda não dá para mensurar os resultados do Plano ABC [Agricultura de Baixa Emissão de Carbono, implementado em 2010]”, destacou o secretário.

Apesar do sucesso nessas duas áreas, o setor de energia cresceu 35,9% em quantidade de emissões entre 2005 e 2012. “Energia renovável não é mais uma alternativa, fontes renováveis, como eólica e solar, são a energia do futuro próximo, não é mais daqui muitas décadas. E o Brasil é privilegiado, porque é o país que tem a maior quantidade de potencial de energia renovável continental por quilômetro quadrado, somando o vento, o sol, a água e a biomassa, então temos que dar vazão a esse potencial, fazer um esforço para a substituição nas próximas décadas de energia fóssil por renovável. Isso é mandatório para não deixar o planeta superaquecer”, explicou Carlos Nobre.

O MCTI também apresentou hoje o projeto Opções de Mitigação de Emissões de Gases de Efeitos Estufa em Setores-Chave do Brasil, executado em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e com apoio financeiro do Fundo Mundial para o Meio Ambiente.

O objetivo é contribuir para fortalecer a capacidade do governo brasileiro para lidar com mudanças do clima com politicas públicas que sejam adaptadas à realidade do país. O setores-chaves de estudo do projeto são: indústria, energia, residencial e serviços, Lulucf (sigla em inglês para usos da terra e florestas), transportes, gestão de resíduos e opções intersetoriais.

O coordenador técnico do projeto, Régis Rathmann, diz que a perspectiva é que em março de 2015 a primeira rodada de informações seja apresentada para subsidiar o governo brasileiro na tomada de decisões sobre a proposta de políticas climáticas na Convenção do Clima em Paris, no ano que vem. “Agora estamos no componente de análises setoriais do projeto, olhando individualmente cada setor. E só a partir da integração dessas análises conseguiremos medir o potencial real de mitigação para esses diferentes setores e consequentemente para a economia brasileira”, explicou Rathmann.

(Da Agência Brasil)

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