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Bahia

27/06/2016


Entre rezas e fogos, tradição do São Pedro ainda resiste

Diz a tradição que o Dia de São Pedro só é tradicional se tiver chuva. E a dois dias da festa, que é comemorada nesta quarta-feira, o primeiro dia do tríduo religioso em homenagem ao santo, ontem em Salvador, foi marcado por chuvas persistentes, fina e com muito frio. A temperatura, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), chegou aos 21 graus, com uma sensação térmica dois graus abaixo.

E quem começou os festejos religiosos em Salvador foram justamente as viúvas e viúvos, e alguns pescadores, que ontem pela manhã lotaram a Igreja de São Pedro, no largo da Piedade, para a primeira de uma série de atividades religiosas que prosseguem até esta quarta-feira, quando acontece a tradicional procissão pelas ruas do centro. Na mensagem da publicada pela Arquidiocese de Salvador, o tema deste ano: “A Misericórdia de Deus na vida de São Pedro”, que segundo o pároco da igreja, padre Aderbal Galvão de Souza, “expressa o desejo de caminhar em sintonia com a Igreja, e inspirado no Santo da Misericórdia”, diz.

Quem foi à Igreja de São Pedro, na Praça da Piedade, ontem pela manhã, teve que enfrentar chuvas constantes e frio. Mesmo assim a igreja lotou para a missa das 11 horas, que abriu o tríduo religioso em homenagem ao santo, que vaio até esta terça-feira. “Vim e sempre que posso venho ás missas de São Pedro, meu santo da devoção, disse a aposentada Nilzete Medeiros, acompanhada da filha e neta. “Muita gente só se lembra de São João, esquecendo que São Pedro é o pai da Igreja”, emendou.

Na história da Igreja Católica, São Pedro é considerado o primeiro Papa, por ter tido a responsabilidade dada por Jesus, de gua5rdar as chaves da Igreja Cristã primitiva. Pedro foi um dos 12 apóstolos de Jesus, tendo o dia 29 dedicado a ele. Na sua lista de missões, São Pedro é o guardião das portas do céu e responsável por fazer chover na Terra. Além disso, protege pescadores e viúvas, por isso é o seu padroeiro. É um dos três santos comemorados no mês de Junho, ao lado de Santo Antonio e São João.

Religiosidade

A festa de São Pedro é uma das celebrações mais importantes e antigas do calendário da Igreja Católica, celebrada desde op século II. Foi colocada pela Igreja em 29 de junho para ocupar o lugar de uma antiga celebração pagã que exaltava as figuras de Rômulo e Remo, os mitos considerados fundadores da cidade de Roma.
Nos festejos religiosos em Salvador, a o ponto alto é a quarta –feira, Dia de São Pedro, quando vão ser celebradas sete Missas na Igreja Matriz e a Missa Solene campal, em frente ao templo, presidida pelo bispo da Diocese de Jequié, Dom José Ruy Gonçalves Lopes. Haverá também uma procissão que percorrerá as ruas Direita da Piedade, Politeama de Baixo e Forte de São Pedro, Avenida 7 de Setembro, retornando à Igreja de São Pedro.

Na mensagem destacada aos fiéis, o padre Aderbal explica que “serão três dias de oração, escuta da Palavra de Deus, revisão da prática cristã e de preparação para fazermos da comemoração de São Pedro não apenas uma festa do padroeiro, mas a celebração de um grande santo que intercede por nós e, com o seu testemunho, inspira-nos a ser misericordiosos como o Pai”, frisa o pároco. 

Hoje o tema religioso abordado será “Misericórdia é partilha” e amanhã, último dia do tríduo, o tema será, “Misericórdia é missão”.Na quarta-feira, o dia festivo de São Pedro começa com uma missa às sete horas na intenção do Papa Francisco. Uma segunda missa acontece às oito horas, em homenagem aos pelos aniversariantes da paróquia, comerciantes, comerciários e vendedores ambulantes. Às 9h30 acontece a celebração pelos viúvos e viúvas.

Na parte da tarde acontece a primeira missa, ás 13 horas, em homenagem aos movimentos, ministérios e pastorais da paróquia; às 14h30, pelos idosos e doentes, e logo em seguida, tem início a procissão que percorrerá as ruas do centro. O evento religioso serás encerrado às 16h30 com uma missa solene campal.
Data é comemorada com fogueira e guerra de espada

Menor em festividade que o São João, mas reverenciado pelos mais velhos, o Dia de São Pedro ainda é comemorado com fogueiras e uma “guerra de espadas”, que acontece no bairro de Periperi, no Subúrbio Ferroviário de Salvador. A tradição acontece na Praça da Revolução e ruas adjacentes na véspera de São Pedro, a partir das 19 horas, movimentando “espadeiros” de vários outros bairros de Salvador e revivendo uma tradição comum em cidades como Cruz das Almas, Senhor do Bonfim e Barra.

A exemplo do que acontece no interior do estado, as casas que ficam no roteiro da “guerra de espadas” são pro09tegidas com tapumes e permanecem fechadas durante a noite de São Pedro. QUEM gosta do evento diz que trata-se apenas de uma tradição, mas quem é contra, critica o evento pelo alto risco e violência que oferecem ás pessoas.

Na 5ª Delegacia, que fica próxima ao antigo conjunto residencial da URBIS, na localidade do Barreiro, os agentes informam que a festa é proibida e quem for flagrado tocando espadas poderá ser detido. Contudo, a exemplo do que aconteceu no ano passado, a tradição parece estar assegurada para a noite de amanhã e durante todo o dia de quarta-feira, quando se comemora São Pedro.

No interior

Este ano, a Bahiatursa patrocinou os festejos juninos de São João e São Pedro em 92 municípios baianos. As cidades participaram da seleção de projetos para os festejos de São João e São Pedro, parte integrante do projeto São João da Bahia e Demais Festas Juninas 2016. Dentre os festejos mais tradicionais estão Bom Jesus da Lapa, Itiruçu, Paripiranga, Heiópolis, Miguel Calmon, Dias D’ávila, Igaporã, entre outros. 

Tribuna da Bahia

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