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Entrevista

07/11/2019


Entrevista: empresária Mônica Monteiro fala sobre “A hora da mulher vencer na lusofonia”

Empresária concedeu entrevista exclusiva à Revista NORDESTE e fez um balanço Do mercado lusófono.

Revista NORDESTE 

A edição de nº 153 da Revista NORDESTE traz a publicação de entrevista exclusiva com a empresária Mônica Monteiro, representante de negócios em países que falam a língua portuguesa. Em contato com o jornalista Walter Santos, ela relata que o mundo lusófono convive com a expansão de comercial e se estabelece como um mercado, cada vez mais, envolvido com a presença feminina.

Natural de Recife-PE, a empresária Monica Monteiro, se estabelece na atualidade como um dos nomes mais respeitados no campo empresarial lusitano.

“A minha formação primeira foi na área pedagógica e foi, e sempre será, natural em toda a minha carreira no audiovisual e na cultura, integrar a educação e que essas estratégias também tenham possibilidade de acrescentar, de melhorar, de colaborar, nunca suprir. Porque a escola é um espaço democrático importante, é nela que damos os primeiros passos na construção de nossa personalidade. Ali desenvolvemos todas as nossas potencialidades… E nisso, de fato, a minha escola, a minha cidade e o meu país foram escalas fundamentais para eu me articular e promover a mudança que todos nós queremos no campo socioeducativo. Tento me manter no caminho e trabalhar para isso”, respondeu.

CLIQUE AQUI e visualize a entrevista completa na Revista NORDESTE.

Ou, leia abaixo na íntegra:

‘A HORA DA MULHER VENCER NA LUSOFONIA

Empresárias como Mônica Monteiro, do Brasil, envolvida no mundo dos negócios nos países de Língua Portuguesa resolvem comandar os destinos da nova fase lusitana

O mundo da Lusofonia convive com inúmeras empresárias com competência reconhecida em nível internacional, agora dispostas a enfrentar o mercado e o debate para expandir a influência feminina nós negócios. Esta é um dos valores da empresária Monica Monteiro, natural de Recife, e na atualidade um dos nomes mais respeitados no campo empresarial lusitano. Nesta entrevista exclusiva à Revista NORDESTE ela explica tudo.

NORDESTE – A Sra é uma empresária reconhecida dentro e fora do Brasil por, entre outros fatores, saber desenvolver estratégias no campo da produção sócio – educativa onde as mídias são fundamentais. Onde e como Pernambuco, sua terra natal, tem influência?

Mônica Monteiro: Pernambuco terá sempre influência, não como o Estado onde nasci, mas porque toda a minha formação básica foi em Recife. A era analógica onde as relações humanas eram fundamentais, se nos privou do instantâneo e da rapidez da Internet, também balizou toda a nossa aprendizagem. E é claro que não só eu, mas muitos da minha geração buscaram, não digo estratégias, mas soluções para o nosso inconformismo, nossa vontade de contribuir para a educação do país, tendo em vista a nossa posição ainda deficitária. Da década de 70 para a atual, em números percentuais absolutos, não mudou muito o analfabetismo, o que mudou foram os atalhos com o percentual alarmante de analfabetos funcionais, de acordo com os percentuais registrados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, o INEP, responsável pela pesquisa. A minha formação primeira foi na área pedagógica e foi, e sempre será, natural em toda a minha carreira no audiovisual e na cultura, integrar a educação e que essas estratégias também tenham possibilidade de acrescentar, de melhorar, de colaborar, nunca suprir. Porque a escola é um espaço democrático importante, é nela que damos os primeiros passos na construção de nossa personalidade. Ali desenvolvemos todas as nossas potencialidades… E nisso, de fato, a minha escola, a minha cidade e o meu país foram escalas fundamentais para eu me articular e promover a mudança que todos nós queremos no campo socioeducativo. Tento me manter no caminho e trabalhar para isso.

NORDESTE – Sinceramente, quem são suas referências pernambucanas, berço de grandes nomes. Quem são os nomes a influenciar sua história?

Mônica Monteiro: Primeiro de tudo, nossos professores, depois de nossos mais próximos, familiares e amigos. Se ampliarmos, penso que a cidade tem um grande referencial. Ninguém cita sua cidade e estado como referências, mas Pernambuco é referência da literatura, da música, da história, da política, quando pensamos em Manuel Bandeira, em João Cabral de Melo Neto e até Luiz Felipe Ponde.. E se pensarmos em paradigmas, o movimento musical recifense Manguebeat foi um desses e registrou essa mudança no país, nos idos de 90 pelas mãos de Chico Science. Na política, como esquecer do levante popular de Tejucupapo contra a invasão holandesa, liderado pelas pernambucanas Clara Camarão, Maria Quitéria e Joaquina. E ainda de Adalgisa Rodrigues Cavalcanti, primeira deputada estadual pelo estado e defensora de uma justiça social mais equânime. Tem também a lenda chamada Maria Amélia Queirós, uma importante abolicionista… E Aqualtune, avó de Zumbi dos Palmares, que liderou dez mil guerreiros e lutou muito, ainda que seja menos conhecida, foi uma verdadeira mártir. E claro Maria Curupaiti, quando o marido foi para a guerra do Paraguai, se enveredou atraz dele. Cortou os cabelos e fingiu ser homem. E uma coisa muito pouco difundida são as lendas urbanas de Pernambuco, que tem no livro Assombrações do Recife Velho, de Gilberto Freyre, algumas delas. Mas têm também blogs dedicados ao Recife assombrado. Cada adulto de hoje tem sua história de menino e isso Pernambuco nos ensinou muito bem. Somos, tal qual os mineiros, contadores de histórias. E o nosso sotaque nos privilegia, é uma riqueza…

NORDESTE – No mundo áudio -visual internacional , sua empresa é referência extra países. Onde a Sra é melhor de tudo?

Mônica Monteiro: Já dizia Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra. Acho que procuro esse melhor por meio do meu trabalho e imprimi isso a minha empresa. Gosto de promover encontros, unir pontas, descobrir afinidades e projetar um futuro positivo e esperançoso, mesmo em mares revoltos. Temos que conduzir o leme…A empresa que fundei também formou e forma muitos profissionais… Talvez nisso ela tenha sido a melhor. Muitos passaram por ela e quando reencontro com vários deles, estão melhores, muito melhores… Isso talvez seja um facilitador no mundo colaborativo da Internet, uma produtora que já privilegia essas triangulações entre profissionais e o mercado, com um olhar atento aos seus colaboradores. Hoje me dedico exclusivamente as novas funções no Grupo Band, mas o Grupo Cinegroup tanto no Brasil quanto no exterior, segue comungando dessas bonitas histórias.

NORDESTE – A mídia digital chegou devastando antigas produções e veículos. Como a Sra. tem se superado no novo modelo?

Mônica Monteiro: A Internet teve dois momentos. O primeiro deles, foi o início daqueles que diziam que ia ser um rolo compressor e muitas empresas ditas digitais começaram e encerraram de forma anônimas. Agora na iminência da quarta convergência industrial e na discussão sobre o 5G, percebo que estamos integrando e já produzindo pensando os novos modelos. Sinto que mesmo os que estão envolvidos diretamente, como o marketing digital, O UX destinados a consumidoress e os serviços B, B2B, ainda estão em alto mar. A distribuição tem sido a mais afetada, mas, por outro lado, já estamos produzindo com perspectivas de novos modelos, analisando os roteiros e acabamentos de histórias com tempos menores, pensando os interprogramas e também a captação de imagens, porque o formato hand-held chegou pra ficar. O celular substituiu e muito a forma de trabalho de todos nós. O que levávamos semanas, dias, hoje são segundos com ‘delays’ cada vez mais curtos no recebimento. Se me disserem o que ainda acho que devemos caminhar, diria que o som. O Brasil ainda tem complexidades nessa área e o som é fundamental.

NORDESTE – O que significa o Fórum das Mulheres Empreendedoras na CPLP como desdobramentos além de Lisboa e visando os vários públicos da Lusofonia?

Mônica Monteiro: A Federação das Mulheres Empreendedoras e Empresárias da CPLP foi criada em 2016, em Lisboa, pela empresária Moçambicana Maria Abdula. De lá para cá procuramos consolidar a FME CE-CPLP institucionalmente. Iniciamos com pequenos encontros e também em ações pontuais, como dialogar com autoridades representativas para uma internacionalização dirigida aos mais de 250 milhões de pessoas desses países. A Entidade já nasceu sem fins de lucro, justamente com o propósito de facilitar diversas ações visando o mercado dos países da CPLP. A proposta de ser mulheres, pois havia por parte dessas empresarias a pré-disposição e a acolhida da CPLP foi muito boa. Queremos somar, acrescentar, colaborar e também participar, já que também essas mulheres eram lideranças importantes em seus países. Os Fóruns vieram numa oportunidade em que há entre homens e mulheres uma ideia de sororidade, de integração e não de confronto. Por isso os Fóruns têm sido feitos para empresários, homens e mulheres, permitindo que a Federação seja um instrumento importante e respeitado, tendo em vista o trabalho que ela vem desenvolvendo. Promovemos em junho de 2019, aqui no Brasil, em São Paulo, o Fórum ’10 Mulheres que Você Precisa Ouvir’ e foi um sucesso, de lá houve desdobramentos importantes e negociações, e articulações. Tanto que no Fórum sobre Mobilidade e Inovação que acabou de acontecer em Lisboa, em 23 de setembro, a delegação brasileira contava com 40 empresárias, e ainda conferencistas fundamentais para exemplificarmos o trabalho da FME CE-CPLP Brasil, da qual sou vice-presidente para o Brasil. Janete Vaz do Grupo Sabin e Gabryella do aplicativo Lady Driver fizeram a diferença, ao lado de Renata Malheiros, representante do Sebrae, que levou um estudo significativo sobre setores em que há predominância de mulheres, com evidenciais resultados para a nossa economia.

NORDESTE – Por que são poucas as mulheres a participar no comando da economia e política dos países da lusofonia? O que está por trás de tudo isso?

Mônica Monteiro: De fato, a história não nos favoreceu e em alguns momentos, não nos favorece, seja no contexto social e político ou ainda em algumas culturas fortemente tradicionalistas. Por outro lado, as mudanças e as incertezas do futuro tem tido resultados oscilantes na economia, o que forçou, a exemplo do Brasil, essa revolução nos mercados. A verdade é que independente de sermos mulheres, colaboramos para o superávit, lideramos também e fazemos diferença no mercado e no resultado final. Portanto, é natural que essa tendência tende a acontecer em outros lugares. A realidade é que não somos a Cinderela e o mundo a bruxa má. Estamos no front e quando temos a oportunidade, vamos em frente.

NORDESTE – Qual sua intuição sobre os efeitos do Forum em Lisboa?

Mônica Monteiro: Os resultados são iminentes. Recebi um recado ontem de uma das diretoras da FME CE-CPLP, que negócios já estão sendo estabelecidos na área do café. Aliás, faço um parênteses, as empresarias diretoras da FME CE CPLP Brasil estão se superando, pois além de suas atividades, têm colaborado diretamente na projeção do empresariado brasileiro no mercado internacional.

NORDESTE – Como a Sra identifica os principais obstáculos para uma unidade política de expansão da mulher no comando dos países?

Mônica Monteiro: Os obstáculos passam por outras questões que interferem não apenas na posição do empresariado feminino, mas numa política de internacionalização para o país. Portugal, por exemplo, em extensão é até menor que São Paulo, mas com uma política bastante contundente além fronteiras. As negociações e a tributação ainda são muito complicadas, em se tratando de importação e exportação. É impressionante você conseguir saber o valor de uma saca de café no Alibaba, que é um site bastante conhecido, de alguns países e chegar com muita facilidade nas pontas comerciais de cliente, indústria e comércio. E aqui no Brasil, se precisar exportar uma caixa de tomates, necessita de uma pesquisa considerável. Agora tem a história da reforma na tributação, isso deve ser bastante discutido com toda a cadeia empresarial também.

NORDESTE – Qual sua opinião sobre os efeitos da Inteligência Artificial nas mídias tradicionais e novas do Brasil e dos demais países de língua portuguesa?

Mônica Monteiro: Uma das questões que discutimos no Fórum de Lisboa foi a inovação. Os efeitos do IOT (lê-se ai ou ti), a Internet das Coisas, têm contribuído de forma bastante isonômica, seja pelas nuvens que hoje seguramente tem sido um espaço bastante importante de compartilhamento, acesso e arquivo de conteúdo, seja na robótica, mecatrônica e nos processos que alimentam a indústria para a quarta convergência, se pensarmos em mercados desrruptivos, como o brasileiro e dos demais países da CPLP. Acho que, ao contrário do que imaginam, na saúde e energias renováveis, avançaremos muito, se pensarmos em vidas poupadas e ecossistema. Por outro lado, esse futuro ainda está pulverizado e dependendo de soluções que ainda não aconteceram, ou se acontecem, em menor escala. Talvez necessitemos de indivíduos e grupos que nascerão ou serão formados, e também de mercados mais sólidos. Uma coisa é certa, estamos no caminho do futuro, e a inteligência artificial faz parte dele.

NORDESTE – Quem são as lideres internacionais que a Sra identifica como referência para.as líderes brasileiras?

Mônica Monteiro: Acho que as líderes africanas têm sido referencia, pelo menos para mim, como Mama Sara Masasi, Graça Machel, Leymah Gbowee, Luisa Diogo e Nadine Gordiner. Produzi um filme sobre elas, porque duas nobeis da paz, uma ativista, uma ex-primeira dama e uma empresária todas ali no Continente Africano, com uma trajetória vitoriosa, não dava para não reunir num filme e descortinar para outras mulheres? O filme, em uma sessão de São Paulo, foi aplaudido pelos espectadores. Conseguem imaginar isso no final de uma sessão de cinema? É porque essas trajetórias são transformadoras. E também garotas, como Malala Yousafzai, que esteve no Brasil há um ano com um discurso de empoderamento que nos fez olhar para nós, para nossas meninas. Talvez a FME CE CPLP tenha esse compromisso também, com nossas meninas, crianças e o futuro. Aqui no Brasil, embora não tenham me perguntado a Nina Silva, do movimento Black Money, tem influenciando positivamente meninas e afrodescendentes em áreas até então de predominância masculina, e precisamos aplaudir. E acho que não poderia me furtar de falar que a ascendência de mulheres a política tem chamado a atenção do mundo para o quanto é importante apoiarmos uns aos outros.’

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