menu

Cultura

09/09/2015


Entrevista exclusiva: Chico Salles canta Rosil do Brasil

Revista Nordeste

Chico Salles é o paraibano mais carioca do país. O cantor e compositor, famoso no Rio de Janeiro por xotes, baiões e por composições em sambas da Unidos da Tijuca está lançando o CD, “Rosil do Brasil”. O disco chega às lojas pelo selo Zeca Pagodiscos e vem ressaltar e registrar a obra musical do compositor pernambucano Rosil Cavalcanti, gravada originalmente nas décadas de 40, 50 e 60 pelos nordestinos Jackson do Pandeiro, Marinês, Genival Lacerda, Luiz Gonzaga e outros, que, até hoje, é composta de verdadeiros sucessos nacionais.


Chico nasceu em Chabocão, em 1951, naquela época município de Sousa, no sertão da Paraíba. Cantor e compositor de Forró e cordelista. Transferiu-se, aos 18 anos, para o Rio de Janeiro no início dos anos 70, levando na bagagem influências musicais de Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga. Suas primeiras composições nasceram inspiradas nos xotes, xaxados e baiões que alegravam as noites do sertão paraibano e eram ouvidos nos bailes e forrós da região. Em seguida foi misturando no mesmo caldeirão as raízes e as lições de mestres como Paulinho da Viola, Chico Buarque e Martinho da Vila – sua trilha musical dos tempos de universitário. Nos anos 80, já engenheiro civil, conheceu o trapalhão Mussum, que o levou aos mais tradicionais redutos do samba, como o “Buraco Quente da Mangueira” e o “Pagode do Cacique de Ramos”, frequentados por sambistas do quilate de Beth Carvalho e Jorge Aragão, entre outros. A amizade com Mussum, seu vizinho em Jacarepaguá, rendeu boas parcerias musicais. Além de fundarem o Bloco “Elas e Elas” em 1985, eles fizeram juntos muitos sambas, músicas de carnaval e até um xote.


Na entrevista (ao lado) Chico Salles fala à NORDESTE sobre o novo disco e as perspectivas de futuro.
Aproveitem!
 

Revista NORDESTE: O ano de 2015, lhe expôs com um CD com elogios da crítica dedicado à obra de Rosil Cavalcanti, principal parceiro de Jackson do Pandeiro, de alguma forma esquecido. Onde você quis chegar com o trabalho?
Chico Salles: Apenas homenagear e relembrar o Mestre Rosil Cavalcanti.

NORDESTE: Embora interprete grandes sucessos na voz de Jackson do Pandeiro, a impressão é de que sua performance não quis atrair o Rei do Ritmo para perto de si…
Salles: Claro, cantei Rosil. O Grandioso Jackson é inigualável e inimitável. É a nossa matriz e referência no que se refere a ginga, ritmo, timbre e sotaque. Não me atrevo a imitá-lo.

NORDESTE: Qual a receptividade nos vários cenários do Brasil?
Salles: Surpreendente e impressionante a quantidade e qualidade das matérias editadas por críticos de todo país sobre este CD. Até o Juarez Fonseca, do Zero Hora, de Porto Alegre, fez excelente matéria.

NORDESTE: Sua formação e performance se alinha ao estilo do Forró mais clássico, longe das derivações que o Ceará exportou com outra batida, levada…Que avaliação faz do forró estilizado?
Salles: Não o conheço bem. Sei que ocupa importante espaço do nosso estilo mais tradicional, talvez por nossa culpa também, por não termos imprimidos um melhor controle de qualidade no conjunto do nosso estilo. Aí existe também um componente político e cultural que foge da nossa vontade.

NORDESTE: Como foi atrair para o CD figuras como Chico César, Maciel Melo, etc?
Salles: Sem dificuldades, pois já os conheço bem, somos amigos e estamos com o mesmo propósito. Juntamente com Biliu de Campina, Josildo Sá e Silvério Pessoa, penso que formamos um excepcional grupo para cantar Rosil.

NORDESTE: Tomando por base sua própria experiência, como é um artista de estilo como o seu produzir e divulgar um CD diante de um mercado sempre voltado para o modismo?
Salles: É muito complicado. É o osso do ofício. Um tijolo por dia. Com perseverança chegaremos lá. Dá um pouco de trabalho, mais a causa é justa.

NORDESTE: E agora, diante de Rosil sobre seus ombros, quais as próximas etapas e desafios?
Salles: Andar bastante ainda com Rosil. Estamos preparando shows em Fortaleza, Brasília, Belo Horizonte, Recife e São Paulo.

NORDESTE: Na fase posterior, o que Chico Sales pretende ainda produzir?
Salles: Penso em fazer um Projeto chamado “Samba Nordestino”. Tenho pensado nisso para 2016.
 

Notícias relacionadas