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Cultura

25/05/2015


Entrevista NORDESTE: RPM retorna aos palcos

Considerada uma das bandas de maior sucesso na década de 90, o grupo volta com a formação original e completa trinta anos de estrada. Em turnê pelo Brasil e com agenda cheia, a banda divulga o álbum Elektra, com músicas inéditas


Banda RPM (Revoluções por Minuto) surgiu em 1983 e chegou a ser uma das mais populares do país entre 1984 a 1987. O som da banda caiu no gosto popular na época áurea do rock brasileiro, rivalizando com Barão Vermelho, Engenheiros do Hawaii, Paralamas do Sucesso e até Legião Urbana. Na segunda metade dos anos 80, a banda conseguiu bater todos os recordes de vendagens da indústria fonográfica. No total, vendeu mais de 5 milhões de discos na carreira. O vocalista e letrista da banda, Paulo Ricardo, era conhecido por suas letras arrojadas e até pelo apelo político e sensual – É famosa uma capa de disco onde ele aparece quase nu. As suas músicas arrebatam fãs até hoje. Entre as mais famosas estão “Loiras Geladas”, “Olhar 43”, “Revoluções por Minuto” e “A Cruz e a Espada”.


Mas, por uma dessas reviravoltas do destino, a banda acabou entrando no ostracismo e nos últimos anos passou a ser figura conhecida do Domigão do Faustão. No entanto, a banda está de volta aos palcos, e a Revista Nordeste sauda seus leitores com uma conversa com os intergrantes que revelam como está sendo o retorno dos shows.


NORDESTE: O grupo foi um dos mais populares na década de 90 e conquistou fãs por todo o país. Após uma parada de oito anos e algumas apresentações esporádicas a partir de 2006, ocasionadas pelo sucesso da minissérie global “Por toda minha vida”, em 2011 finalmente a banda volta a pisar nos palcos. Como se deu isso?
RPM: Quando o programa foi ao ar, ficamos muito emocionados. Percebemos o carinho que o público e os fãs ainda tinham pela banda. A partir daí, sentamos e passamos a conversar seriamente sobre a volta definitiva do RPM. Em novembro de 2010 já estávamos compondo novas músicas.

NORDESTE: Até hoje vocês são lembrados pelo estrondoso sucesso que fizeram no passado. Como os integrantes vêem essa relação entre o saudosismo dos fãs e as mudanças que a banda precisou fazer?
RPM: Desde que retornamos, percebemos que o público se manteve. Ele envelheceu com a gente. Mas também notamos que havia um novo público que era mais jovem. Assim, as mudanças foram inevitáveis e ficamos felizes de poder reunir os fãs saudosistas e mais antigos com o novo público.


NORDESTE: Sempre que há um fato histórico importante artistas populares aproveitam para expressar um ponto de vista. O RPM fez recentemente a música “Primavera Tropical” para falar das manifestações que sacudiram o Brasil em junho de 2013. Como vocês veem as mudanças e o trabalho em cima delas?
RPM: As pessoas sempre nos cobram canções engajadas, no estilo de “Alvorada Voraz”, (que trata da questão da Ditadura Militar). A nossa matéria prima sempre foi o tempo em que vivemos. E, durante as manifestações de junho de 2013, não podia ser diferente. Fizemos a música “Primavera Tropical”. O rock, cujo clipe foi gravado ao vivo, foi lançado com exclusividade em nossas redes sociais. A revolução continua e nós não podemos parar.

NORDESTE: Qual a receptividade do público com o retorno de vocês e como tem sido a aceitação do CD Elektra?
RPM: A turnê Elektra foi demais. Entramos no palco com tesão e garra. Por todas as cidades que passamos a nossa apresentação foi sensacional. Vamos lançar para os fãs um documentário com cenas de bastidores, shows, entrevistas e curiosidades dessa turnê. A receptividade com o nosso retorno foi a melhor possível.

NORDESTE: Sobre o processo de composição do último trabalho de vocês, como ele está se dando?
RPM: Ficamos muitos anos sem lançar um CD novo e o Elektra ficou pronto para o Natal de 2011. Em 2013, a gente tentou começar o processo de um novo CD e DVD, algo no estilo ao vivo, porque a turnê estava sendo muito significativa. Mas começamos a notar que ainda levaria algum tempo para que as pessoas sentissem que a volta do RPM era para valer, já que a gente tinha voltado uma vez e se separado novamente. Some a isso duas mudanças de empresário nesse meio tempo. Isso é uma coisa que desestrutura bastante o artista. Então, nós preferimos arrumar primeiro a casa e nos dedicar ao trabalho novo. Somente depois é que a gente pôde se dedicar na produção do álbum e trabalhar nesse material que a gente tinha acumulado ao longo desses anos.

NORDESTE: Vocês esperavam todo esse sucesso com o Elektra?
RPM: Na verdade, nós temos uma ideia de sucesso bastante ambiciosa. Quando a gente prepara uma coisa nova, a nossa referência sempre vai ser o nosso começo de carreira, que foi a era de ouro do rock brasileiro. E a gente sempre espera mais. Hoje, a fatia do pop rock é muito menor do que era naquela época, então eu acho que o importante para aquele CD e para nós mesmos é mostrar que estamos artisticamente ativos e que temos condição de fazer um novo trabalho sem se apoiar em antigos sucessos. O Elektra realizou a tarefa com êxito, nos fazendo receber a indicação de melhor álbum do ano no Grammy latino. O disco se ressentiu de uma série de coisas. A banda estava separada há oito anos e a gente não vinha aquecendo. É como um atleta que estava um pouco fora de forma. Agora, estamos com o calor que o Elektra e a turnê deixaram. A melhor herança do Elektra é o trampolim que ele construiu para que a gente possa mostrar para o público que a gente veio para valer.

NORDESTE: Quando vocês pretendem lançar o próximo álbum e a próxima turnê, o Deus ex Machina?
RPM: A previsão é que seja em abril. O álbum está quase concluído. A produção do show está sendo feita paralelamente ao CD. Paulo Ricardo pôs voz em janeiro e agora é mixar e terminar alguns detalhes como capa, encarte, preparar o clipe e lançar a primeira música junto com a turnê. Deus ex-machina é um nome curioso, uma expressão em latim que significa uma solução mirabolante, uma solução inesperada. E isso tem a ver com a história da banda. Ninguém esperava que o RPM sobrevivesse a tantas hecatombes. Acho que Deus está do nosso lado. Pelo menos o Deus ex-machina.

NORDESTE: Tem alguma canção que vocês acreditem que vai estourar?
RPM: Acreditamos que a primeira música, Espada Raio-X, irá surpreender. Ela é muito forte, um pop rock bem RPM. A nossa ideia com esse trabalho é manter nossa identidade e renovar nossa sonoridade. Para isso, estamos compondo com o Lucas Silveira, do Fresno. Além de ser um artista muito talentoso, é um excelente produtor. O Lucas deu uma renovada na nossa biblioteca de timbres e efeitos. Então, ficou um LP bem renovado, bem rejuvenescido. Pesado e impactante.
 

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