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Brasil

25/11/2015


Especialistas afirmam: El Niño intensificará seca

Exclusivo

Por Paulo Dantas

A situação crítica que o Brasil está vivendo hoje pode se prolongar até 2021, está é a visão do meteorologista e representante brasileiro na Organização Mundial de Meteorologia, Luiz Carlos Molion. Para entender o que está acontece com o clima do planeta, a A Revista NORDESTE ouviu dois estudiosos. As teses para explicar porque existem os períodos cíclicos de seca são inúmeras.

Entre as teses, há a que diz que as explosões solares que atingem a Terra em períodos de 11 anos acabariam causando em efeito em cadeia: o aquecimento dos mares. Em relação ao aquecimento dos mares, o fenômeno mais conhecido é o EL Niño. No entender de Pedro Severino de Sousa, que estuda os fenômenos climáticos desde 1991, é o calor do magma do interior da terra que propicia o aquecimento do pacífico faz surgir o El Ninõ.

“O magma do interior da terra fez com que houvesse a deriva continental (separação dos continentes)”, lembra. Segundo Souza, a ciência meteorológica não tem ainda uma tese científica, apenas hipóteses, sobre o que provoca o El Niño e a seca e outras variantes do clima terrestre. “Mas acredito que numa escala menor, dentro Geologia e das forças da grandeza climática, é a diminuição do calor oriundo do interior da terra”, frisa. Outro ponto levantado por meteorologistas, biólogos e demais cientistas que estudam a alteração no clima da Terra, é ação predatória do homem. Souza credita à exploração do petróleo, e em particular do pré-sal, estragos à harmonia do globo. Segundo esse raciocínio, ao se retirar o petróleo do pré-sal, um óleo de alta combustão, localizado numa região próximo ao magma, seria o mesmo quer tirar lenha de uma fornalha. “Estão diminuindo o calor que seria emitido para a evaporação do mar no nosso Atlântico Sul”.

Molion aposta numa outra tese para isto. “Na minha opinião são ciclos controlados pela distribuição da temperatura da superfície dos oceanos, da ordem de 19 anos. Eles ocorrem em função do movimento, ou ciclo lunar, chamado ciclo nodal, em que o plano da orbita da lua varia a inclinação com relação ao Equador terrestre”, pontua. A tese de Molion lembra que a lua é responsável pelas marés, e quando está no máximo de inclinação, 28,6º, atuando fora dos trópicos, a sua atração gravitacional acelera as correntes marinhas e transporta mais calor da região equatorial para os trópicos. Desta forma os trópicos começariam a se esfriar. Quando eles começam a se esfriar diminui a produção de chuva. “Uma atmosfera mais fria é mais seca e com menos capacidade de provocar chuvas”. Para Molion é a Lua a responsável pela redistribuição do calor e fazer com que os oceanos fora dos trópicos fiquem mais aquecidos, do que os que estão dentro dos trópicos. Por outro lado, quando a Lua esta inclinada 18,4º, ela não distribui calor, e provoca o El Niño.

“Existe uma coincidência dos últimos 100 anos. Em 1925, 41, 42, 57, 58, 79, 80, 97, 98, foram El Niños fortes. Se fizer as contas estão espaçados de 20 anos. Toda vez que a Lua está dentro dos trópicos, como agora, ela redistribui mais calor, os trópicos ficam mais frios e chove menos. Eu diria que até a lua sair de dentro dos trópicos novamente, só em 2020, vamos continuar com esse período de chuvas a baixo do normal”, alerta, explicando que isso não significa necessariamente que haja seca. “Pode acontecer no período de 9 anos, uma ou duas secas severas, mas o ponto mais crítico sob o ponto de vista humano e social, é um período longo com chuvas abaixo da média. Não precisa ser uma seca severa para criar um problema sério”.

Independentemente da tese, tanto Sousa, quanto Molion, veem um ciclo mais severo de seca pela frente que inclui ainda o ano de 2016 com chuvas mínimas ou praticamente nulas no Nordeste setentrional, especialmente na região do semiárido, e no Sudeste, após as chuvas de outubro, novembro e dezembro, que já serão abaixo da média.  

 

Confira matéria sobre a seca no NORDESTE
Confira matéria sobre a seca no SUDESTE

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