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Brasil

04/11/2013


Estado ocupa 4º lugar no “ranking” nacional de adoção de crianças

NA BAHIA

 

O número de adoção de crianças tem aumentado tanto na Bahia quanto no restante do país. De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no Brasil, o crescimento foi de 30% em um ano. Desde 2010, a Bahia segue no ritmo chegando à quarta posição no número de adoções entre os estados brasileiros, segundo o Cadastro Nacional de Adoção. De janeiro de 2012 a maio de 2013 foram feitas 152 adoções no estado. Mesmo assim, não há o que se comemorar. O processo de escolha da criança ainda se esbarra no perfil desejado pela maioria dos casais: menina, branca, com menos de dois anos.

O perfil imposto por futuros pais limita a possibilidade de outras crianças e adolescentes encontrarem um novo lar. Atualmente em Salvador, 53 meninos e meninas aguardam a oportunidade de viver com uma nova família, sendo que 26 delas têm idades entre 11 e 15 anos. Acima de 15 anos, existem ainda oito jovens que vivem na esperança ter um pai ou uma mãe. Há também 15 crianças na faixa etária de seis a dez anos e outras quatro de 0 a cinco anos.

“É muito triste a gente ver um jovem cheio de vida perder a esperança de encontrar um pai ou uma mãe por causa da idade. Isso dói muito pra gente que cuida dessas crianças, sendo que Muitas chegaram aqui no abrigo, ainda pequenas”, desabafa a fundadora da casa de acolhimento Lar Pérolas de Cristo, Vera Lúcia Guimarães, que abriga mais de cem crianças atualmente.

Projeto inovador

Para estimular as pessoas interessadas adotar crianças com diferentes perfis, o Juiz titular da 1ª Vara da Infância e da Juventude, Walter Ribeiro Costa, implantou o projeto “Família Hospedeira”, em setembro deste. O objetivo é despertar principalmente para a adoção tardia por meio de um convívio social entre quem quer adotar e quem está disponível para adoção.

Assim, crianças e jovens de cinco a 17 anos são encaminhados para passar o fim de semana, alguma data festiva ou férias escolares na casa de alguém que ele tenha criado afinidade. “Para isso, criamos encontros lúdicos com atividades culturais entre as famílias e as crianças e adolescentes permitindo que essas famílias escolham a partir do convívio e não somente pelas características”, explica o jurista.

Desde quando foi implantado na capital baiana, o projeto já possibilitou a indicação de 25 crianças acima de cinco anos. “O projeto tem sido bem aceito em Salvador. As instituições receberam com muito otimismo e tem trazido resultado positivo”, comemora Costa. O cadastro de interessados em adoção conta com 244 famílias aptas e 130 em processo de habilitação.

Na ficção, recentemente na novela Amor à Vida, um casal homoafetivo adotou uma criança negra e na faixa de cinco anos de idade. O mesmo acontecido na vida real. O juiz Walter Costa disse que em oito meses atuando em Salvador, já sentenciou um casal homossexual, e mais outro segue em processo. “Eles estão no período de convivência com a criança que tem mais de seis anos”, informa o juiz.

Ele ressalta ainda que não há esse tipo de preocupação no juizado porque o que interessa é se a aquela criança terá os interesses dela atendidos, independente do interesse sexual de quem quer adotar.

Dificuldade

A capital baiana conta com 23 abrigos de acolhimento a crianças e adolescentes, sendo três municipais e 20 mantidos voluntariamente por pessoas da sociedade. O maior deles é o Lar Pérola de Cristo, que acolhe até 120 crianças de 0 a 17 anos, normalmente vítimas de abuso sexual, maus tratos e abandono. A fundadora do Lar, Vera Lúcia, diz que a parceria com o Juizado ajudou a quadruplicar o número de adoações de crianças nos últimos anos. Só em 2013, já foram seis processos efetivados.

Mas, o próprio juiz reconhece que os abrigos passam por necessidades que dificultam o atendimento. “Eles abrem o espaço de acordo com as condições deles. Tem casas que atendem 20 crianças, tem casas que atendem mais e outras menos”. A manutenção do Lar Pérolas em Cristo é dada a partir da doação das pessoas que se sensibilizam e de voluntários que atuam na casa. “Até temos um convênio com a Prefeitura, mas há oito anos não é reajustado. Dos R$ 6500 direcionados para a comida, usamos R$ 4.900 só com a compra das carnes. A outra parte é para pagar os profissionais que nos ajudam quase voluntariamente”, denuncia a dirigente da instituição.

Todos os que moram no Lar Pérolas em Cristo estão estudando. Dentre eles a jovem Joice Carine, de 17 anos, que sonha em ser bióloga. Ela chegou ao lar junto com os três irmãos mais novos há um ano e meio, e sonha com um futuro promissor. “Eu gosto daqui, mas estou tentando juntar os R$ 311 que ganho no meu estágio para construir a minha casa e poder levar meus irmãos e minha mãe para morar comigo”, conta.
 

 

iG Bahia

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