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Brasil

31/03/2015


“Estamos comprometidos com o direito de se manifestar e criticar”, diz Dilma

Tesoureiro da campanha do PT ao Palácio do Planalto em 2014, o ex-deputado estadual Edinho Silva (PT-SP) tomou posse nesta terça-feira (31) como ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Ele assume o lugar de Thomas Traumann, que pediu demissão do governo na última quarta (25).


Em três meses de segundo mandato, Dilma já substituiu três ministros. Além de Traumann, saíram Cid Gomes (Educação), substituído pelo professor da USP Renato Janine Ribeiro e Marcelo Néri (Secretaria de Assuntos Estratégicos), substituído por Roberto Mangabeira Unger.

Edinho Silva é da corrente majoritária do PT Construindo um Novo Brasil. Desde a reeleição de Dilma, em outubro do ano passado, setores do partido defendiam a indicação dele para a Secretaria de Comunicação Social, pasta responsável pela aplicação das verbas de publicidade do governo federal nos veículos de comunicação.


No discurso na solenidade de posse do novo ministro, Dilma disse que preza pela livre manifestação e garantiu que o governo jamais adotará medidas que possam afetar a liberdade de imprensa.


“Estamos comprometidos com o direito de se manifestar, informar, criticar. Somos contra a censura, a autocensura, as prisões, os lobbies e os interesses não confessados que podem coibir o direito à livre manifestação. Por isso, mais uma vez reitero que nós não temos e não teremos sob nenhuma hipótese, sob nenhuma circunstância qualquer ação no sentido de coibir, impedir livre manifestação das pessoas e a liberdade de imprensa”, afirmou a presidente.
Ela também Dilma agradeceu Thomas Traumann pelo ano em que comandou a Secretaria de Comunicação e disse que ambos passaram por “momentos complexos”.


“Quero registrar meu profundo agradecimento ao jornalista Thomas Traumann. Jornalista respeitado em todo o país. Ele tem se dedicado a um trabalho difícil, dedicado e exaustivo.Passamos por momentos complexos, mas também alcançamos muitos sucessos.”


Ao se referir a Edinho Silva, Dilma afirmou que o novo ministro tem capacidade dialogar com diferentes setores da política e da sociedade. “Capacidade de relacionamento cordial e construtivo com todos os setores da sociedade e mídia e reconhecimento do papel da imprensa. Esses atributos são fundamentais e serão fundamentais no desempenho das novas atividades de Edinho Silva na Secom.”


Comunicação do governo
Setores do PT querem reforçar mídias alternativas, como blogs, como estratégia de comunicação do governo. A secretaria também tem como função a interlocução do Executivo federal com a imprensa, além de gerenciar as estratégias de comunicação de todos os ministérios. A pasta administra ainda as redes sociais da Presidência. Atualmente, Dilma e o Planalto possuem perfis no Twitter, no Facebook, no Instagram e no Vine.


Em carta aberta publicada em sua conta no Facebook no início do mês, Edinho Silva afirmou que "há erros no campo político" do PT. Segundo ele, a legenda nunca esteve tão paralisada diante dos ataques da oposição.


Na rede social, o dirigente petista também comentou as denúncias de corrupção que envolveria inclusive colegas de partido. Na ocasião, o novo ministro afirmou que se for comprovado que pessoas usaram o PT para enriquecer, a sigla tem de ser a primeira a defender a punição deles.


Formado em Ciências Sociais, o Edinho foi prefeito de Araraquara (SP) entre 2001 e 2008. Ele também presidiu o PT paulista entre os anos de 2008 e 2013. Em 2010, elegeu-se deputado estadual em São Paulo, cargo que ocupou por um mandato, até 2015.


Durante a campanha de 2010, participou da coordenação das campanhas eleitorais de Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo e de Dilma Rousseff à Presidência da República. Na disputa presidencial do ano passado, ele ocupou o cargo de tesoureiro da campanha petista à Presidência.


Documento interno
A saída de Thomas Traumann da Secretaria de Comunicação ocorreu pouco depois do vazamento de um documento interno da pasta, divulgado pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, que apontava uma situação de “caos político” no país, “comunicação errática” do governo e defendendo mais investimentos em propaganda em São Paulo.


O texto gerou polêmica e comissões da Câmara e do Senado aprovaram convite para que o ministro esclarecesse aos parlamentares o conteúdo do documento.

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