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Brasil

14/11/2013


Estudo mostra que negros ganham 36,1% menos que os de outra raça

DESIGUALDADE

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) confirmou o que os movimentos negros já gritavam para a sociedade em relação à desigualdade no mercado de trabalho. De acordo com a pesquisa divulgada pela instituição, o salário médio dos negros chega a ser 36,1% a menos do que os trabalhadores não negros. Para o coordenador nacional da União dos Negros pela Igualdade (Unegro), Gerônimo Silva, “é comum aparecerem pesquisas na semana da consciência negra que provam o que os movimentos negros vêm falando. Existe um apartheid social e um sofrimento pós-escravidão que precisa acabar”.

O secretário estadual da Promoção da Igualdade Racial, Elias Sampaio, também compartilha da opinião de que a pesquisa apenas mostra aquilo que “o Movimento Negro, e nós que militamos no campo institucional de combate ao racismo, há muitos anos temos apontado para a sociedade e para os governos”, defende. Para ele, dados como estes são mais uma prova de que existe racismo no Brasil, “que ele opera em diversas esferas, tanto na sociedade, como em empresas e instituições e que deve ser observado como elemento a ser superado quando falamos de democracia e desenvolvimento”.

Em Salvador, a pesquisa revelou que historicamente o rendimento médio real da população negra sempre foi inferior ao da não-negra. Nos anos de 2010 e, especialmente, 2011, os ganhos de rendimentos dos negros foram superiores aos dos não- negros, reduzindo o diferencial entre eles. Em 2012, o rendimento médio real dos ocupados negros diminuiu (3,2%), enquanto o dos não-negros permaneceu relativamente estável (-0,1%). Os valores desses rendimentos passaram, entre 2011 e 2012, de R$ 1.077 a R$ 1.043, e de R$ 1.727 para R$ 1.726,00, respectivamente. Os homens negros registraram a maior perda de rendimento (de R$ 1.230 para R$ 1.179) no período analisado (Tabela 6).

Em contrapartida, o secretário lembra que o Sebrae divulgou pesquisa no final de outubro, com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Os dados mostram que quase metade (49%) das micro e pequenas empresas brasileiras são comandadas por empreendedores negros. “Existe um maior número de negros que podem não estar ocupando altos cargos, mas se tornaram micro e pequenos empreendedores, por exemplo”, ressalta Elias Sampaio.

Mudança
Segundo o coordenador da Unegro, é preciso criar políticas de promoção racial para unificar o Brasil e isso não terá é uma mudança a longo prazo porque se trata de educação. “Há dez anos foi criada a lei 10.639/03, que obriga as escolas públicas e particulares a incluir no currículo escolar o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira. Até hoje as escolas não respeitaram a lei. Sabemos que é uma luta difícil, mas não vamos desistir”, afirma Gerônimo Silva.

A Sepromi destaca as ações que estão sendo realizadas em prol da igualdade racial no âmbito da empregabilidade e da educação. O secretário garante que até o final do ano o projeto de empreendedorismo negro deve ser concluído. O objetivo é fomentar um conjunto de ações, ferramentas e iniciativas que empoderem os negros dentro do mercado de trabalho, dando acesso à capacitação técnica, à possibilidade de instrumentos adequados de trabalho, maior formação e capacitação.

iG Bahia 

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