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Piauí

22/07/2015


Estupro coletivo: Antes de morrer, menor pediu desculpas à mãe em carta

Uma carta e muitos significados. Morto na última quinta-feira (17/07), Gleison Vieira da Silva, de 17 anos, era um dos quatro adolescentes que participaram do estupro coletivo no município de Castelo do Piauí. Entregue para a sua mãe dois dias antes de ser assassinado pelos próprios colegas, e que também participaram do crime, a carta revela que o adolescente pouco frequentou a escola. Nela, ele agradeceu a criação que teve, e pediu perdão pelo que fez à mãe, já que se sentia perdoado por Deus.

Quatro meninas foram violentadas de todas as formas, uma delas veio a falecer dias depois, ao não resistir a uma série de espancamentos. As outras estão condenadas ao trauma pelo resto das suas vidas.

Gleison era o mais velho entre os adolescentes, e foi ele quem deu detalhes à polícia do crime que chocou o Brasil e foi combustível para a discussão da redução da maioridade penal, aprovada em parte na Câmara dos Deputados. O crime contou com a participação de um adulto, Adão, que inclusive já foi espancado onde está preso.

Uma verdadeira história de terror e violência, que simplesmente retrata uma parte da degradação moral que vive a sociedade e a consequência de tanta falta de interesse do poder público em resolver os problemas básicos do país.

A carta divulgada pelo Portal Castelo, foi reescrita, sem os erros do adolescente. Nela, Gleison pede que sua mãe guarde a carta por três anos, o período que deveria sair do CEM (Centro Educacional Masculino). O adolescente saiu do centro e um carro do IML, com o rosto desfigurado após o espancamento e sequer foi enterrado em sua cidade natal.

Leia a carta do adolescente morto:
Mãe eu sinto muito a sua falta, eu quero que você me perdoe pelo que fiz. Eu sei que Deus me perdoa, agora eu quero o seu perdão.

Desculpa mãe eu não ter sido o filho que você sempre quis, mais eu quero que você saiba que você nunca vai sair da minha mente, nem do meu coração.

Mãe eu só peço que você lembre que tem um filho que te ama muito, eu sei que nunca recompensei tudo o que fez por mim, e que continua fazendo, obrigado por ser uma mãe tão boa, eu agradeço a Deus por ter você comigo. Eu nunca vou esquecer-me de você nem da minha Vovó, nem do meu padrasto.

Fica com Deus que aqui eu vou ficar com ele.

DESFECHO ESPERADO
Gleison foi morto de forma semelhante a de uma das adolescentes após o estupro coletivo, com vários golpes na cabeça. O garoto ficou com o rosto completamente desfigurado e fraturou o crânio. Socorristas do SAMU foram acionados e encontraram o menor ainda com vida, mas ele não resistiu e faleceu ainda no CEM.

Os outros três menores, também sentenciados pelo crime em Castelo do Piauí, teriam confessado participação no assassinato do rapaz. Os quatro estavam no CEM mantidos juntos justamente para evitar que fossem retaliados por outros internos. Eles chegaram a ser ameaçados de morte caso fossem colocados no alojamento comum.

MÃE DEU CONSELHO
A reportagem do Portal Castelo falou com a mãe do adolescente morto, Elizabeth, que relatou que toda vez que lê a carta, relembra do filho e chora com saudades, pois desde que ele tinha oito anos de idade, dizia que iria estudar e trabalhar para comprar uma casa para a mãe e ser o homem da casa.

A mãe diz sentir uma dor muito grande por seu filho não ter sido enterrado na sua cidade natal. Agora, sem condições financeiras, não tem condição de ir visitar o filho em Teresina-PI, onde foi sepultado.

QUAL O FIM DOS OUTROS?
O crime que cometeram foi tão bárbaro que desperta em muitos o desejo de que paguem de igual forma. Um deles já pagou por esta sentença. Mesmo internados em um local que deveriam recuperá-los para que se um dia voltassem à sociedade, não cometessem mais crimes, foi o local ideal para o assassinato. Os três carregaram nas costas o peso da violência que cometeram, mas vale lembrar que há milhares de menores nas ruas do estado, que estão prestes a cometerem crimes iguais ou piores, e que nada é feito de maneira efetiva para combater este mal.

As adolescentes e suas famílias nunca esquecerão o que aconteceu. Foram vítimas desses menores infratores e de um sistema totalmente falho. Por mais que crimes como este não sejam justificados com a pobreza e falta de oportunidades, não custa lembrar que é papel do pode público oferecer educação, para evitar que menores cheguem a este nível, proteção, para evitar que os cidadãos sejam vítimas de qualquer crime, e ressocialização, para evitar que mesmo que isso aconteça, criminosos possam voltar para a sociedade de forma digna após pagarem pelos seus erros, e enfim, ajudem a construir uma sociedade mais justa.

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