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Brasil

23/03/2016


Ex-ministro de FHC diz que foco de Moro é impor Lula como chefe do esquema

O professor Bresser Pereira, ex-ministro da Fazenda, concedeu entrevista para o programa Espaço Público na noite desta terça-feira (22). Economista de convicções progressistas, Bresser fez um balanço geral do momento politico. Falou de economia, do impeachment e da Lava Jato.

Começando por este ponto. Ele se confessa decepcionado com o atuação do juiz Sérgio Moro e da Força Tarefa. “Eu estava muito empolgado no início da Operação e fiquei contente com a prisão de tantos corruptos“, admite ele. Aos poucos, diz, passou a notar que o objetivo principal da operação não era localizar, acusar e prender corruptos que infestavam a Petrobras, mas provar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva era o “ chefe” do esquema. Em tom de ironia, Bresser recorda que apenas um dos integrantes assumidos do esquema, Pedro Barusco, foi obrigado a devolver mais de 90 milhões de dólares ao país. Contra Lula, recordou, a maior acusação envolve pedalinhos no lago de um sítio em Atibaia. Para ser o chefe, disse, Lula deveria ter devolvido pelo menos um bilhão de dólares.

Referindo-se a um inegável mal- estar produzido pela operação nas últimas semanas, Bresser disse estar convencido de que está ocorrendo uma mudança de humores em segmentos mais amplos da população, que ele atribui em grande parte ao divulgação de grampos telefônicos de conversas de Lula, a margem, de qualquer previsão legal, e a condução coercitiva do ex-presidente para prestar depoimento a Polícia Federal. "Tenho a impressão de que não sou o único que mudou de opinião sobre a Lava Jato,” disse.

Bresser, que tem diploma de bacharel em Direito pela USP, é adversário do impeachment desde o inicio, a partir do argumento jurídico de que não há prova de crime de responsabilidade contra a presidente. Lembrou que a reação da oposição tucana (“do PSDB, partido do qual fui um dos fundadores,” lamentou-se) à derrota para Dilma em 2014 recorda a atitude da UDN, que estimulou o a reação militar que levou ao suicídio de Vargas em 1954 e ao golpe contra João Goulart em 1964. Disse estar convencido de que, apesar da pressão da mídia grande, não está convencido de que o Congresso irá aprovar o impeachment de Dilma em função dos prejuízos que a decisão causaria ao país. Assinalando a diferença entre os dois momentos, disse que em 1964 havia medo – mas em 2016 está impressionado com o ódio dos mais ricos em relação aos aliados dos mais pobres;

Num dos diversos momentos em que se discutia a recessão econômica do, Bresser ouviu o pedido para avaliar se a saída de Dilma não poderia ser útil a recuperação do crescimento. Disse que descarta essa possibilidade, deixando claro que o desastre produzido pela quebra da democracia não teria preço. “Não são coisas barganháveis,” disse, num resposta que explicita a profundidade de suas convicções democráticas.

Rompido com o PSDB desde 2001, eleitor assumido de Dilma em 2014, Bresser não deixou de fazer elogios ao governo Fernando Henrique nem evitou críticas a política economia dos governos Lula e Dilma. Reconheceu méritos em Lula, lembrando que seu espírito conciliador, criticado muitas vezes, é indispensável para negociações sob o regime capitalista, no qual os empresários tem o poder real, pois “definem os investimentos.” Lembrando que Lula pode ser considerado um continuador mais progressista do projeto nacional-popular iniciado por Vargas, acusou o fundador do PT ter praticado um tipo de “populismo cambial”, que facilitava o consumo de bens importados. Quanto a Dilma criticou pelo “populismo fiscal.” Assumindo uma perspectiva crítica, ele defendeu o ministro Nelson Barbosa, da Fazenda (“um bom ministro,” disse) e avaliou que a economia, depois de enfrentar uma queda profunda em 2015 e 2016, pode recuperar-se em 2017 e quem sabe “um pouco antes,” disse.

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