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Pernambuco

02/12/2015


Exames para detectar zika devem chegar aos laboratórios no próximo mês

A comprovação pelo Ministério da Saúde da relação entre a infecção por zika vírus e os casos recentes de microcefalia fez aumentar a procura da população, principalmente das mulheres que desejam engravidar, por exames laboratoriais para identificar se estão com o vírus ou já foram infectadas alguma vez ao longo da vida. É que uma vez infectado pelo zika, o paciente desenvolve anticorpo e torna-se imune à doença. O problema é que o acesso aos exames na rede pública de saúde ainda é bastante restrito, realizado apenas em pacientes considerados de alto risco, como gestantes ou com evolução aguda da doença.

Mas diante da procura e da gravidade da situação, laboratórios privados de Pernambuco estão se preparando para oferecer os dois tipos exames específicos para zika: o PCR e o sorológico. O exame PCR (Polymerase Chain Reaction – traduzido para o português como Reação em Cadeia da Polimerase) é realizado entre o 1º e o 7º dia da manifestação dos sintomas do zika para constatar a presença do vírus no paciente. Já o exame sorológico detecta a presença do anticorpo, comprovando que o paciente já teve contato com o vírus e desenvolveu imunidade. A previsão é que os exames estejam disponíveis em 30 dias.

Atualmente, os laboratórios particulares do Recife já fazem exames de PCR e sorológico para dengue e chicungunha – vírus também transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti. As análises de dengue possuem cobertura pelos planos de saúde, mas as de chicungunha ainda não – por ser mais recente. O mesmo deve ocorrer com os exames de zika. O valor médio cobrado para sorologia de chicungunha é de R$ 300.

“O PCR é um exame mais caro, porém com resultados mais precisos. Os exames sorológicos possuem uma limitação. Quando feitos na fase virêmica, de infecção aguda, geralmente os resultados são negativos porque ainda não deu tempo para a formação do anticorpo”, explica a infectologista e professora de doenças infecciosas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Vera Magalhães. Ela alerta que o fato de descobrir se a pessoa já é imune à zika, apesar de ser tranquilizador, não deve ser considerado como uma solução para o problema.

“Os estudos estão em andamentos e por isso é precipitado atribuir todos os casos de microcefalia somente ao zika. O que sabemos até agora é a relação do zika com a microcefalia, através da comprovação de exames feitos em um feto no Ceará e nos líquidos amnióticos de duas gestantes paraibanas. Ou seja, são apenas três casos, mas podem existir outros fatores que ainda não conhecemos, como a correlação de agentes infecciosos. Vivemos uma tríplice epidemia de dengue, chicungunha e zika, com sintomas parecidos. A coinfecção ainda não está descartada”, afirma Vera Magalhães.

Para a infectologista, a prioridade é combater o mosquito Aedes aegypt. “Pernambuco sofre com epidemia de dengue há mais de 30 anos e agora com chicungunha e zika. Além de uma atuação mais enérgica do poder público, a população precisa entender que tem uma parcela de participação no controle do mosquito. Hoje, 80% dos focos são intradomiciliares”, afirma.

Em relação à imunidade adquirida pela pessoa que já contraiu o zika vírus, Vera Magalhães disse que os pesquisadores ainda não descobriram se essa imunidade é para sempre. “Como a zika e a chicungunha apresentam apenas um sorotipo, acredita-se que uma vez infectada, a pessoa vai se manter imune a eles por um bom período. Porém ainda não sabemos se é para o resto da vida. Já a dengue, apesar de ter quatro sorotipos, a imunidade é irreversível. Ou seja, a pessoa pode ter dengue no máximo quatro vezes ao longo da vida, caso seja infectado por todos os sorotipos”.

 

EXAMES DE ZIKA NA REDE PÚBLICA – De acordo com o último levantamento do Ministério da Saúde, o número de casos suspeitos de microcefalia no Brasil já chega a 1.248. Em Pernambuco, são 646 casos suspeitos e 211 confirmados. Porém, o número de exames realizados para zika ainda é muito baixo. Desde janeiro de 2015 – quando foram identificados os primeiros casos de zika – até o mês de novembro, foram colhidas apenas 273 amostras de 166 pacientes no Estado (segundo dados da Secretaria de Saúde).

As amostras de sangue foram enviadas para o Instituto Evandro Chagas, no Pará, e para o Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, em Pernambuco. O Portal NE10 entrou em contato com a assessoria do Ministério da Saúde para saber se o número de exames deve ser ampliado na rede pública. A assessoria informou que ainda são realizados em pequena escala em todos o País porque, além do alto custo e da complexidade das análises, até então a zika não era considerada um problema grave de saúde. Após as descobertas recentes, o Ministério estaria reavaliando todas as ações relacionadas com o vírus.

Mariana Dantas
NE10
 

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