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Economia

23/11/2015


Exclusiva: presidente do BNB fala de novas táticas para manter desenvolvimento

Na Revista NORDESTE

Por Walter Santos

Matéria públicada na Revista NORDESTE nº 107.

Economista, engenheiro civil e professor do Departamento de Economia Aplicada da Universidade Federal do Ceará (UFC), Marcos Holanda assumiu a presidência do Banco do Nordeste no mês de maio, indicado pelo líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira. Apoio ao setor industrial, ações voltadas ao agronegócio, produção de energias renováveis e atenção especial ao turismo são algumas das atividades intensificadas na gestão de Holanda. Ainda em 2015, o BNB deve aplicar aproximadamente 60% dos ingressos de recursos do FNE na região semiárida, castigada pela seca. Nesta entrevista, Holanda explica como vê a atuação do banco e pontua sua visão em relação ao gasto público. 

Revista NORDESTE: O senhor está há pouco tempo à frente do Banco do Nordeste, mas já demonstrando muita vontade de trabalhar. Antes, como o senhor encara a conjuntura de retração econômica e financeira no País?
Marcos Holanda: Eu acredito que os momentos de desafios trazem oportunidades para repensar e refletir sobre as melhores opções que devemos fazer. Por exemplo, uma das coisas que tenho destacado, desde quando assumi a presidência do Banco, é a importância da inovação. E, quando me refiro à inovação, falo de encontrar novas soluções, fazer melhor o que já se faz bem, de forma simples, mas com eficiência, com eficácia, com efetividade. Essa ideia inclui buscar novas soluções, novos modelos de negócios, não só para ter maior competitividade, mas também para aumentar a produtividade e fazer o Banco chegar às pessoas.

NORDESTE: O senhor acredita na escalada crescente da inflação ou acha que estão sendo tomados cuidados suficientes para impedir altas?
Holanda: Eu vejo que vem sendo feito um esforço extraordinário para conter a inflação, além do que há o compromisso claro e muito empenho para realizar os ajustes necessários. Nós, aqui no Banco do Nordeste, por exemplo, estamos fazendo nossa parte. Com a participação e consciência de todos os segmentos da sociedade, acreditamos que, já em 2016, os efeitos serão sentidos pela população, com o arrefecimento da inflação e a retomada do crescimento econômico.

NORDESTE: Com o contingenciamento de recursos orçamentários, as estruturas de Poder sofrem de imediato a redução financeira para novas operações. Qual o papel do Banco do Nordeste nessa engrenagem?
Holanda: O Banco é o grande instrumento de desenvolvimento múltiplo do Nordeste. Foi criado com esta função e permanece com esta função. Em cenários mais desafiadores, ele está ao lado do setor produtivo, oferecendo suas soluções financeiras. O Banco mantém toda a sua disponibilidade de recursos para operar. Assim, o Banco continuará com seu papel de forte indutor do desenvolvimento regional. Apenas para o FNE, principal fundo administrado pelo Banco, estão previstos para 2015 investimentos aproximados de R$ 7,2 bilhões em repasses do Tesouro Nacional, que somados aos reembolsos, totalizam R$ 13,3 bilhões a serem investidos na economia nordestina.

NORDESTE: O senhor deixou transparecer desde seu discurso de posse que há um foco de fazer o crédito chegar mais na ponta, nas famílias. De que forma isso vai se processar com a retração financeira?
Holanda: As linhas de crédito do Banco são muito atrativas, contam com as melhores taxas e prazos. Se há retração, se outras instituições se retraem, a tendência é de aumento numa demanda por esse crédito mais competitivo. E é assim que acredito que podemos chegar mais na ponta, fortalecendo a Região, gerando emprego e aumentando renda.

NORDESTE: O Banco sofre os efeitos das regras ditadas pelo segmento, a partir de normas do Banco Central. Qual a política do Banco do Nordeste na questão do crédito diante das restrições?
Holanda: O Banco cumpre todas as normas do Banco Central e segue operando na perspectiva de crescimento, atuando de forma eficaz, eficiente e efetiva para o desenvolvimento da região Nordeste.
Ainda em 2015, o Banco do Nordeste deverá aplicar aproximadamente 60% dos ingressos de recursos do FNE na região semiárida nordestina, mais sensível às intempéries climáticas e carente de crédito de longo prazo. O Banco tem que atuar com eficácia, eficiência e efetividade. Quando falo em eficácia, significa apoiar o setor agrícola, a média e pequena empresa, as grandes empresas, distribuir geograficamente esses recursos. Eficiência significa ter uma estrutura enxuta, que maximiza esse potencial de aplicação. A sociedade cobra uma estrutura eficiente. Hoje, a dona de casa e o empresário estão fazendo esforço para fazer mais com menos. Já a efetividade é fazer com que o que foi desembolsado chegue lá e torne a empresa mais produtiva, torne o agricultor mais produtivo, aumente a renda do micro e do pequeno empresário.

NORDESTE: Tomando por base anos anteriores, qual a projeção de investimentos do Banco do Nordeste nos nove estados nordestinos mais norte de Minas e Espírito Santo?
Holanda: Nossa meta é investir R$ 13,4 bilhões em financiamentos com recursos do FNE, BNDES e FDNE em toda a área de atuação do Banco.

NORDESTE: Na atualidade, qual a missão precípua do Banco sob sua orientação?
Holanda: Tenho expressado para todos os funcionários que o Banco do Nordeste é um banco de desenvolvimento múltiplo. Sua missão maior é de promover o desenvolvimento da Região e, para isso, conta com seus diferenciais e com todas as vantagens de um banco múltiplo.
Sobre esses diferenciais, acredito que um ponto importante que estamos trabalhando é exatamente o de fortalecer o Etene, por exemplo, já que ele é o escritório de estudos que referenciam a ação do Banco. Nesse sentido, estamos estruturando, por exemplo, a função de economista-chefe do Banco do Nordeste, que constituirá um avanço.


NORDESTE: Durante algum tempo, empresários de outros estados fora do Ceará diziam que o Banco do Nordeste era um banco cearense. Com base nos dados dos últimos tempos, como tem se dado a aplicação de investimentos privados nos demais estados?
Holanda: Historicamente, o maior tomador de recursos do Banco do Nordeste é o estado da Bahia, até mesmo pelo porte do estado em relação à economia regional. O Ceará vem em segundo e Pernambuco na terceira colocação. O Banco é da Região. O fato de ter sua sede no Ceará não o faz um banco do Ceará.

NORDESTE: Quais as atividades econômicas consideradas de mais urgência na atração de novos investimentos do Banco?
Holanda: O Banco do Nordeste deve intensificar sua atuação apoiando investimentos produtivos que potencializem a internalização de seus efeitos dinâmicos, por meio do adensamento das cadeias produtivas existentes. Assim, o Banco do Nordeste continuará apoiando o setor industrial, inserindo a Região na dinâmica nacional, bem como as ações voltadas para o desenvolvimento do agronegócio – agregando valor aos produtos primários -, estimulando novas alternativas produtivas da agropecuária de base familiar, a produção de energias renováveis, o processo de interiorização do varejo moderno e serviços, com foco especial para o turismo regional, que apresenta grande potencial.
Assim, o Banco orienta sua atuação em função dos impactos gerados na realidade regional pela aplicação dos recursos, adotando-se um processo de ajustamento permanente das suas estratégias de financiamento.

NORDESTE: Na sua avaliação, de que forma as micro e pequenas iniciativas econômicas têm abrigo nas políticas de crédito do Banco do Nordeste?
Holanda: O Banco tem programas específicos para esse segmento, a exemplo do maior programa de microcrédito da América Latina, que é o Crediamigo. Dando sequência à sua exitosa experiência, criamos o Agroamigo, voltado para o público mais carente da agricultura familiar. Ressaltamos, também, programa específico para apoio ao microempreendedor individual, na perspectiva de geração de renda. A ação do Banco deve sempre vislumbrar que os micros se tornarão pequenos, que os pequenos serão médios e que os médios se transformarão em grandes.

NORDESTE: Qual a meta final que o senhor pretende apresentar no final de dezembro?
Holanda: Definição de uma política corporativa específica para atuação junto às médias empresas e cidades de médio porte, que podem provocar efeitos de transbordamento na economia regional. Além disso, avançar fortemente no financiamento às micro e na minigeração distribuída de energia, em virtude do imenso potencial da Região.
 

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