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Brasil

11/07/2014


Forró virou negócio lucrativo e hoje envolve uma rede complexa de empresários

Nesta Edição

No passado, a sanfona e a zabumba davam o ritmo ao Sertão, onde Luiz Gonzaga foi coroado rei. Quando apenas o pé-de-serra era a trilha sonora oficial dos nordestinos, poucas pessoas imaginaram que um dia o forró se tornaria um negócio lucrativo e envolveria uma rede complexa de empresários, bandas, empresas e casas de show. A reinvenção do ritmo aconteceu ainda na década de 90, quando o forró adicionou aparatos eletrônicos ao antigo xote. A partir deste momento, as bandas passaram a contar com a presença de dançarinas, guitarra e jogos de luz; uma combinação que resulta no ritmo frenético do chamado forró eletrônico ou estilizado, como alguns preferem definir.

Como resultado desta transformação, o público recebeu uma experiência sensorial mais intensa e imediata. Isto porque, agora, o mercado forrozeiro prioriza as apresentações, mais que a venda de CDs e músicas. Se livrando dos estigmas, o forró agora possui um público mais heterogêneo e fiel, sendo inegável a capacidade de bandas como Garota Safada de atrair uma legião de fãs para os seus shows. De cima do palco, Wesley Safadão, Xande, Solange e tantos outros se tornaram responsável pela mistura de classes sociais e de gêneros. No Nordeste, pode-se dizer que o forró é onipresente e feito para todos, não à toa, a palavra surgiu do inglês, ´For all´.

Quem viveu na região nordestina durante os últimos 23 anos, definitivamente, já ouviu o chamado: “É a banda Mastruz com Leite”. Uma das pioneiras do estilo, o grupo tem um currículo extenso – em 20 anos, conseguiu lançar 48 CDs e segurar um show por quase cinco horas sem parar. O sucesso do grupo tem como fonte, além do talento dos músicos, o empresário Emanuel Gurgel cuja expertise nos negócios fonográficos deixaria Brian Epstein, dos Beatles, no chinelo. Gurgel decidiu entrar no ramo por amor ao ritmo.

“Eu gostava de dançar, mas não existia um lugar em que eu pudesse fazer isso. As pessoas viam o forró como uma breguice, ninguém se assumia como forrozeiro. Eu não só assumi como vi uma oportunidade de negócio. Antes as bandas não eram profissionalizadas, não envolviam a tecnologia e não possuíam esquemas de divulgação. Nós mudamos isso”, conta Gurgel. Entre as ideias do empresário, está a de que as bandas agenciadas por ele repitam exaustivamente o nome delas durante os shows e gravações dos CDs. O objetivo? Ficarem marcadas na mente do público.

Inicialmente, ele apostou suas cartas na Black Banda. Entretanto, o grupo preferia tocar músicas em inglês, ignorando ainda o forró. Em seguida, veio o Mastruz com Leite e com eles o sucesso. Emanuel Gurgel cresceu e se tornou líder no mercado. “Por causa da falta de um som de qualidade, resolvi montar um estúdio para os forrozeiros. Investi 150 mil dólares, muitos me chamaram de louco e achavam que eu nunca teria retorno desse dinheiro. Bem, a música “Meu Vaqueiro, Meu Peão” se encarregou de pagar a conta”. Na época, o modelo criado por Gurgel para o Mastruz foi reproduzido por diversos outros grupos como Cavalo de Pau, Brucelose, Cavaleiros do Forró e os paraibanos do Magníficos.

Ainda para enfrentar o preconceito dos sistemas de comunicação em divulgar a nova cultura do forró, Emanuel decidiu criar a ‘Som Zoom’, uma empresa que engloba uma rádio responsável por transmitir forró durante todo o dia, uma emissora de TV, um parque de vaquejada e uma editora. Um esquema montado para driblar veículos das outras regiões do país, que tinham preconceito em tocar esse estilo musical.

“Nós comprávamos horários em rádios de São Paulo, Rio de Janeiro, Manaus, Porto Alegre, todos os cantos do país e só tocávamos forró. Foi assim que o estigma foi quebrado. Perceba que hoje o forró é uma máquina de se fazer dinheiro no Nordeste; existem mais de três mil bandas espalhadas por aqui. Só na minha cidade (Pentecostes, interior do Ceará) temos umas cinco. Veja, a melhor casa de show de Fortaleza é o Mucuripe e eles estão sempre tocando forró. A festa que mais lota é o ‘Forró das Antigas’ com Mastruz com Leite, Limão com Mel e Calcinha Preta. Então, posso dizer que não há mais tanto preconceito”, conclui Gurgel.

(Leia a matéria completa na edição nº91 da Revista Nordeste, já à venda nas bancas) 

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