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Brasil

09/02/2015


Fortaleza só cumpriu metade da meta de replantio de árvores

CEARÁ

O concreto avança sobre o verde por todas as regiões de Fortaleza através de empreendimentos imobiliários e obras de infraestrutura. As leis apontam para a necessidade de que tal perda seja compensada. No entanto, a velocidade da supressão de árvores e o fato de o plantio ser investimento a médio e longo prazo faz com que tais ações não condigam mitigar a perda do verde a altura.

Em 2014, 62,5% do plantio de árvores previsto no Plano de Arborização de Fortaleza foi feito somente por um empreendimento como compensação ambiental. O Plano foi lançado em junho de 2014 e previa o plantio de oito mil árvores até o fim do ano. No entanto, só quatro mil foram plantadas, informou a titular da Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma), Águeda Muniz.

Desse total, 2,5 mil faziam parte da compensatória ambiental da construção do shopping Riomar, no Papicu. Segundo Águeda, os plantios da gestão municipal deixaram de ocorrer a partir de setembro e seriam retomados neste início de ano. O motivo apontado para a interrupção foi a umidade do ar, que ficou abaixo do esperado para esses meses, o que impactaria na adaptação das plantas e, provavelmente, na necessidade de refazer o trabalho de plantio.

O principal impacto ambiental dos empreendimentos realizados atualmente em Fortaleza é a supressão de vegetação. Ações recentes que implicaram em compensatórias foram a implantação do binário da Aldeota, a construção do viaduto da Antônio Sales, a retirada de árvores de bosque do Exército pela Cagece e o shopping Riomar. Também está na lista o desmate de área do Cocó para a construção de conjunto habitacional no Dendê, mostrada pelo O POVO na semana passada. A compensação será com o plantio de 1,9 mil árvores.


Segundo Águeda, as compensatórias passaram a ser mais rigorosas a partir de 2014. Portaria da Seuma apontou que o número de árvores a serem plantadas por cada uma suprimida pode chegar a 15, a depender de especificidades como espécie e tamanho. Antes, eram duas plantadas para cada suprimida, informa.


A secretária também reitera que há exigência na compensatória de que as árvores plantadas sejam semiadultas e a manutenção seja realizada pelos empreendimentos. A Seuma, nesses casos, acompanha o plantio e o cuidado por meio de relatórios e visitas mensais. Caso alguma planta não se adapte e morra – como muitos relatam em avenidas da cidade como a Aldy Mentor – o empreendimento responsável é obrigado a plantar uma nova.


Longo prazo

Segundo o engenheiro agrônomo Alexandre Krause, secretário da Regional Nordeste da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, a compensação da retirada da vegetação só tem resultados a médio e longo prazo.
 

“De cada 100 árvores plantadas em áreas públicas, 20 a 30 chegam à fase adulta”, ressaltou Alexandre, lembrando a experiência em Recife, onde atua. Segundo ele, a depredação da população e a falta de manutenção adequada (que inclui a carência de técnicos) são obstáculos.


Ações de conscientização, manutenção adequada das árvores plantadas, planejamento maior das obras, cumprimento real das leis que versam sobre proteção e compensações são imprescindíveis para que o verde não seja cada vez mais raro nas áreas urbanas já descaracterizadas.

 

(O Povo)

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