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Brasil

03/11/2015


Fórum da ONU em JP reunirá líderes mundiais para discutir a Internet no Mundo

Na Revista NORDESTE

Por Paulo Dantas

A Paraíba será a capital do mundo conectado em novembro, quando João Pessoa sediar a 10ª edição do Fórum de Governança da Internet (IGF da sigla em inglês de Internet Governance Forum), promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU). O evento irá ocorrer entre os dias 9 e 13 de novembro no Centro de Convenções Ronaldo Cunha Lima. O Fórum promete trazer líderes do setor, representantes de governos dos principais países do mundo, empresários e alguns dos maiores pensadores da área para discutir segurança, acessibilidade e regras claras para o uso da internet no planeta. O evento deve fazer com que os holofotes da mídia mundial mirem o litoral do Nordeste. O orçamento inicial para a realização do Fórum será de 2 milhões de dólares.


Pela primeira vez o encontro será realizado em um estado da região Nordeste. Anteriormente, o evento aconteceu em Istambul, na Turquia, e em Bali, uma ilha da Indonésia. O IGF já esteve no Brasil, mais especificamente no Rio de Janeiro, em 2007, na sua segunda edição.


Entre os motivos para a ONU escolher João Pessoa para o Fórum está o foco em pequenos centros, ao invés de megalópoles econômicas. “Isso contribui para mostrar ao mundo que regiões talvez não tão conhecidas possam participar do progresso”, explicou Vyacheslav Cherkasov, do Departamento de Atividades Econômicas e Sociais da Organização das Nações Unidas.


“Esse é um dos mais importantes eventos já realizados ao longo desses anos do IGF, primeiro porque é o encerramento de um ciclo e, segundo, porque daqui de João Pessoa talvez saia uma carta que seja um indicativo para padronização desse tipo de governança”, disse o secretário da Infraestrutura, dos Recursos Humanos, do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia da Paraíba, João Azevedo, quando da assinatura do protocolo para a realização do evento pelo governador Ricardo Coutinho (PSB). Vale ressaltar que o IGF surgiu a partir da Cúpula Mundial para a Sociedade da Informação (CMSI), entidade com mandato de cinco anos, renovado em 2010 — de forma que a décima edição sediada por João Pessoa será a última do segundo ciclo. Espera-se que na ocasião seja recomendado a renovação de mandato por mais cinco anos, pauta que deve ser apreciada durante a Assembleia Geral da ONU, prevista para ocorrer em dezembro deste ano.


Faltando pouco menos de dois meses para o Fórum, a Comissão Organizadora, presidida por Francilene Garcia, garantiu à Revista NORDESTE que vem atuando em várias frentes a fim de deixar tudo pronto para o evento: preparação da programação, aspectos de logística e segurança em João Pessoa e confirmação de convidados chaves.


Em relação ao item segurança, uma preocupação a mais em época de células terroristas espalhadas pelo mundo como Boko Haram e o Estado Islâmico, a Comissão Organizadora explicou que uma equipe da ONU está responsável pelo planejamento e execução da segurança como um todo do evento.

Uma cartada de sorte

“É dito por todo mundo, pelo embaixador da ONU, pelo secretario executivo do CGI: João Pessoa vai ser a capital internacional da internet durante uma semana. Vamos ter os principais players, os líderes do mundo no setor de tecnologia da informação discutindo aqui. Imagina o primeiro evento da ONU realizado no Nordeste”, contou um entusiasmado Percival Henriques de Souza, presidente da ANID.


Segundo o presidente, foi uma mistura de sorte e rapidez que fez com que João Pessoa conseguisse ser escolhida para sediar o Fórum. Souza foi peça chave no processo. Ele conta que participando de eventos pelo mundo soube da possibilidade de inscrever João Pessoa, imediatamente mandou uma mensagem para o governador Ricardo Coutinho (PSB) para saber se poderia inscrever a Capital e recebeu o aval. Era o último dia de inscrição. No Brasil duas outras localidades estavam disputando a preferência, Costa do Sauipe, na Bahia, e Brasília. “João Pessoa deu sorte, quando a comissão organizadora foi lá estava em plena Copa dos Robores”. A forma como a Robocup foi realizada agradou aos visitantes.

“O Estado foi fundamental e o governador despachando por sms…deixa claro a importância da tecnologia. O governo está empenhado”, garante. Quem também deve dar suporte ao evento é a Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP), que já sinalizou que vai ajudar no trânsito local durante o Fórum. A PMJP irá atuar em áreas complementares ao Estado, a exemplo do atendimento básico da saúde (com auxílio do SAMU e Hospitais), mobilidade urbana e atrações culturais.

Souza argumenta que o evento ainda possibilitará uma melhora do ponto de vista de infraestrutura de acesso a internet na Paraíba, além de divulgar o destino para um público de grande poder aquisitivo. “A Robocup trouxe um público de jovens, agora o público será de lideres. São pessoas que ganham 600 mil dólares por ano, altos executivos, que podem considerar João Pessoa para trazer a família no próximo verão. Esse tipo de evento qualquer cidade gostaria de ter”, frisa.
Em relação a infraestrutura de acesso a internet nos hotéis, Percival garante que até novembro o cenário vai ter uma melhora substancial. “Estamos conversando com os hotéis para garantir 3 megabits para os hóspedes”, explicou. “Eles estão se comprometendo a melhorar a rede. O wi fi na orla vai melhorar muito em João Pessoa”, assevera.


Além dos hotéis, Souza informou que as quatro operadoras (Oi, Tim, Claro e Vivo) estão fazendo o levantamento do sinal no Centro de Convenções para garantir um atendimento melhor na área. “Eles já estão instalando um equipamento que ampliará o sinal e irá servir para todos os eventos que acontecerão lá”, pontua, lembrando que antes disso o sinal de telefonia no Centro de Convenções era instável.

 A ONU presente no Nordeste

O Fórum será a chance do mundo discutir a internet como um todo. A economia, a segurança, os crimes e a democratização do acesso estarão em pauta, principalmente em um mundo cada vez mais conectado e com uma espécie de guerra virtual sendo travada com direito a vazamento de informações, espionagens internacionais (vide escândalo de Eduard Snowden) e o terrorismo usando a rede para amealhar seguidores e fazer publicidade de suas ações e ideologia. Para a ONU, a disseminação do ódio, do fascismo e da intolerância contra os diferentes, via rede mundial de computadores, preocupa.


 “No Brasil discutimos a internet de graça. No mundo, uma das preocupações gira em torno de como conquistar o próximo bilhão de pessoas”, pontua Percival Souza.


Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), no Brasil, apontam que a metade da população não está conectada, por isso, como inserir essas pessoas e ainda garantir que diversos setores, como governo, universidade, sociedade civil e empresários, tenham o mesmo peso, será um tema forte. Mais acesso proporcionaria também mais equilíbrio à internet. “Acreditamos que se um desses setores ficar sozinho vai ser muito ruim. Precisamos da academia, porque nos dá o suporte técnico, da sociedade civil, dos usuários, para dizer que o uso da internet não deve ser só para dar dinheiro às empresas, mas agregar valor às pessoas. E precisamos dos governos para que eles possam ajustar suas políticas publicas, entre elas, a de como resolver a questão tributária e o comércio eletrônico”, avalia Souza.

Como será o Fórum

O Fórum deve receber entre 1.800 a 3 mil participantes vindos de 130 países. Entre as presenças confirmadas estão a presidenta Dilma Rousseff (PT) e o secretário geral da ONU Ban Ki-Moon. Extraoficialmente estaria também sendo aguardada a candidata democrata à presidência dos EUA, Hillary Clinton, e a presidente da Argentina, Cristina Kirchner. É estimada a vinda de 50 ministros de outros países, já confirmados o ministro das Comunicações da China e Holanda. A programação técnica contará com a presença de vários pesquisadores e pensadores sobre a internet no mundo. Serão mais de 100 workshops temáticos, sessões principais e um dia de programação liderada pelo país hospedeiro.

O primeiro dia do evento é conhecido por dia zero, no qual é realizada uma apresentação dos governos. Nos quatro dias seguintes há mais de 130 sessões paralelas, onde serão expostos casos de sucesso, servindo de exemplo para outros países. Tradutores simultâneos participarão nas seis línguas oficiais da ONU (árabe, chinês, inglês, francês, russo e espanhol, além do português – tanto no evento, quanto na transmissão online). Para cada língua haverá um servidor, facilitando o acesso para turistas que estão fora do seu país. Além da imprensa vinda de diversos países para cobrir o evento, haverá também uma transmissão mundial na íntegra e ao vivo de tudo o que acontece.


No fim do evento será publicado livro com todas as informações debatidas e elaborado documento com o relato de boas práticas expressas no Fórum para estimular outros a usarem o mesmo processo em suas redes.


O Fórum de Governança da Internet foi criado pela Organização das Nações Unidas em 2006 pelo então secretário-geral Kofi Annan, tendo sido realizado anualmente em vários países desde então. Já houve edições em Atenas (Grécia), Rio de Janeiro, Hyderabad (Índia), Sharm El Sheikh (Egito), Vilnius (Lituânia), Nairobi (Quênia), Baku (Azerbaijão), Bali (Indonésia) e Istambul (Turquia).  

Os temas do encontro:

Evolução da Governança da Internet: capacitar o desenvolvimento sustentável

  • Cibersegurança e confiança

  • Respeito à privacidade

  • Inclusão digital e diversidade

  • Liberdade de expressão

  • Direitos humanos e neutralidade da rede

  • A economia da internet

  • O reforço à cooperação entre os setores

  • Recursos críticos da internet

  • Questões emergentes

 

Acordo com Obama, Google e Facebook 

O encontro em João Pessoa promete trazer a tona acordos que possam prevenir crimes cibernéticos e ampliar a segurança na rede mundial. A presidenta Dilma Rousseff e o presidente dos EUA, Barack Obama, já se posicionaram e se comprometeram em cooperar no IGF. Os presidentes defenderam um maior entendimento entre os países para a governança da internet. A intenção é construir uma internet mais "transparente e inclusiva". A declaração foi feita durante visita de Dilma aos EUA e após dois anos de relações estremecidas devido à espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA, em inglês) a Dilma.


Em comunicado conjunto, Dilma e Obama concordaram que o gerenciamento da rede deverá ter "a participação dos governos, da sociedade civil, do setor privado e das organizações internacionais". Para os presidentes só assim a internet cumprirá o "potencial como ferramenta poderosa para o desenvolvimento econômico e social". Estados Unidos e Brasil ainda definiram a criação de um grupo de trabalho sobre internet e tecnologias da informação, a intenção é discutir assuntos como prevenção de crimes cibernéticos e segurança nas redes.


Durante a visita aos EUA, Dilma também foi a sede do Google e conversou com o presidente-executivo da gigante da internet, Eric Schmidt. Na visita, a presidenta obteve a promessa de Schmidt de ampliar o centro de engenharia da Google em Belo Horizonte e foram discutidas formas de levar a internet a áreas do Brasil que ainda estão desconectadas, como a Floresta Amazônica. O Google diz que o Brasil é, ao mesmo tempo, o quinto país com o maior número de pessoas conectadas à internet e o oitavo com a maior população desconectada. A empresa tem um programa – o Projeto Loon – que usa balões estratosféricos para levar internet a celulares e tablets em regiões isoladas. Segundo a presidente, o sistema de balões pode trazer ao Brasil oportunidades para interconectar a Amazônia sem grandes custos.


Em abril, Dilma também anunciou que o governo fecharia uma parceria com o Facebook para expandir o acesso à internet no Brasil. O anúncio foi feito após ela se encontrar com o presidente do Facebook, Mark Zuckerberg, durante a última Cúpula das Américas, no Panamá.

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