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Rio Grande do Norte

16/06/2016


Fotógrafo natalense faz sucesso em São Paulo

Mudar de cidade e de profissão em busca de um lugar ao sol. O fotógrafo Ramón Marinho Vasconcelos não contou conversa quando surgiu a oportunidade: se jogou e partiu rumo a São Paulo para se dedicar aos cliques que tanto fazem sua cabeça desde quando era aluno do curso de Arquitetura e Urbanismo na UFRN. Mudou-se de mala e cuia com a família para a metrópole no início de 2014, e encontrou seu 'sol' na terra da garoa. Arquiteto de formação, chegou a exercer a profissão antes de se encontrar de forma definitiva na fotografia.

O nome do natalense ganhou destaque nacional no início do mês de junho quando figurou entre os cinco finalistas do 41º Prêmio Abril de Jornalismo, na categoria “Fotografia Retrato”, com uma imagem do roqueiro Supla para a revista online Elástica. O instantâneo ganhou o título de “Papito Maduro”, e mostra o músico bem vestido com seus indefectíveis cabelos descoloridos e espetados (herança da fase punk), ostentando em uma das mãos uma xícara e na outra uma sugestiva escultura 'estirando o dedo' pra geral(!).

“A revista que faz a inscrição”, explicou, “em seguida todo o material passa pela curadoria do Prêmio que anuncia os cinco finalistas. Não dá para dizer que fiquei em segundo lugar, pois apenas o primeiro é definido”, frisou. O vencedor foi o experiente Bob Wolfenson. A indicação trouxe visibilidade, mas de “uma maneira prática não houve aumento de trabalhos. Foi legal para o currículo”, adiantou Ramón.

“Entre dezenas de concorrentes, meu filho, que trocou a Arquitetura pela fotografia e Natal por São Paulo, ficou entre os cinco melhores no Prêmio Abril de Jornalismo. O vencedor foi Bob Wolfenson. E, ó, para o coruja aqui, perder para Wolfenson não é pra qualquer um”, escreveu o jornalista Osair Vasconcelos, pai de Ramón, em seu perfil nas redes sociais. Também nas redes, a mãe Vânia Marinho era só elogios: “Arquiteto por formação e fotografo de coração, chegou em Sampa movido pelo desejo de ir além; sem régua e compasso, seguiu seu rumo e foi em busca dos sonhos”, disse a jornalista.

Para Ramón, o mais importante para se tornar um bom fotógrafo é “ficar de olhos e ouvidos bem abertos, observar, sentir e fotografar. É uma meditação, um processo. A foto tem que contar alguma coisa, evocar alguma história”, ensina antes de emendar: “Nada de glamour, estou na ralação diária de trabalho como a maioria das pessoas por aqui”.

 Ele ressalta que sempre gostou de fotografia. “(O fotógrafo) Giovanni Sérgio sempre foi uma inspiração pra mim, ia muito no estúdio dele, conheci os trabalhos. Era algo inspirador e desejável como meio de vida”. E assim ele começou a estudar por conta e comprar equipamento: “Fiz uma migração lenta da Arquitetura para a fotografia”.

A relação entre Ramón Marinho Vasconcelos, 35, e o “desenhar com luz e contraste” começou a ficar mais séria em 2008, quando se ofereceu para fazer fotos de uma obra em que estava envolvido enquanto arquiteto. Ele considera esse 'job' o marco zero da nova carreira profissional: a ficha caiu de vez quando, ainda como arquiteto, topou com fotos que tinha feito para um outro projeto. “Foi ali que percebi que já estava do outro lado”, recorda o fotógrafo em entrevista exclusiva ao VIVER por telefone.

Na virada de 2013 para 2014, depois de fotografar muito para a revista Palumbo, para o projeto Conexão Felipe Camarão, para construtoras de Natal além de breves incursões na área de publicidade, Vasconcelos recebeu a notícia que estava entre os cinco candidatos de todo o Brasil selecionados para frequentar o Curso Abril de Jornalismo em São Paulo. Apresentou portfólio, mandou texto e passou por uma entrevista presencial antes de confirmar presença.

“Foram dois meses de curso, mantivemos contatos com todas as redações das revistas da Editora Abril, e desenvolvi projetos para as revistas Exame e Quatro Rodas”. Ele esclarece que não há um direcionamento para essa ou aquela publicação pós-curso, mas conta que passou a fazer 'freelas' para várias revistas da Abril. “Vim com intenções de ficar em São Paulo, na minha cabeça estabeleceria bons contatos e tentaria alguma coisa na área de fotografia como profissional”.

Entre um trabalho e outro, acabou indicado por um colega para a trabalhar na TV Globo. A emissora precisava de um fotógrafo na base (de geração de conteúdo) que mantém em São Paulo, e Ramón passou a clicar as gravações de programas como o do Jô e o Altas Horas, além de cumprir pautas para a Globonews, Profissão Repórter e Fantástico, e fazer a cobertura de eventos como lançamentos de novelas por exemplo. “Hoje em dia é raro eu pegar 'freelas', minha dedicação é praticamente exclusiva”, avisou.

Entre seus trabalhos recentes está a série fotográfica “Imigrantes”, produzida para ilustrar a campanha de lançamento da nova novela das 19h “Haja Coração”. Depois de ser mostrada na festa de lançamento da novela e circular nas redes sociais, a série com 20 fotografias acabou virando exposição – que permaneceu em cartaz até este domingo, dia 12 de junho, no Museu da Imigração em São Paulo. “A ideia era fotografar pessoas que não são de São Paulo, mas que assumiram a cidade e fazem a diferença em sua área de atuação. Alguns personagens foram selecionados a partir de pesquisas, outros abordamos na rua: quem chamava atenção íamos lá fazer a foto e ver se a pessoas tinha uma história interessante. O melhor é que, apesar de ser um projeto definido, tive total liberdade para criação de um trabalho autoral”. Ele planeja trabalhar em uma segunda edição do projeto, com foco em imigrantes brasileiros que buscam oportunidades na cidade grande. “A médio prazo quero chegar aí em Natal com alguma exposição”, adiantou.

Serviço
Conheça mais sobre o trabalho: www.ramonvasconcelos.com

Tribuna do Norte

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