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Pernambuco

26/08/2015


Governador vai fazer encontros e explicar a crise à sociedade

O governador Paulo Câmara (PSB) seguiu o conhecido script de todo governo que anuncia medidas impopulares: escalou um porta-voz, o secretário estadual da Fazenda, Márcio Stefanni. Foi assim, por exemplo, quando lá atrás a presidente Dilma Rousseff (PT) fez o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, virar a face do ajuste fiscal. Também como a presidente, inclusive, Paulo Câmara vai sair do Palácio do Campo das Princesas e discutir a crise com setores da sociedade. Ele pretende fazer isso a partir da semana que vem.

Antes de prosseguir, é bom saber que os interlocutores de Paulo se queixam da comparação com Dilma e falam que o governador nunca se isolou, nem negou a crise. É fato que Paulo Câmara já assumiu o Estado e no mês seguinte anunciou os primeiros cortes. E, ao circular, foi alvo de gracejos sobre inaugurar ruas, praças e pórticos em pequenos municípios, onde vai toda semana desde o Todos por Pernambuco.

Por outro lado, o governador vai sim usar uma estratégia similar à de Dilma. Não com cercadinho. Ele vai à sociedade falar da “pedagogia” da crise e já começou a conceber uma agenda semanal de encontros setoriais, que vai incluir movimentos sociais e a imprensa, entre outros. Paulo Câmara quer dar a real dimensão da crise nacional e do Estado.

É só crise? Não. Como Dilma, Paulo não quer ser refém do tema e pretende comunicar aonde quer chegar com o seu governo. Como espera e não espera entrar para a história.

 

“NÃO VAMOS QUEBRAR O ESTADO”

Três secretários citam uma frase que o governador já dizia ao núcleo do governo e foi externada a todo o secretariado na reunião da segunda: “Vamos ser responsáveis. Não seremos nós que vamos quebrar o Estado”. O contexto da mensagem é que, embora seja uma crise nacional, Paulo Câmara não teme o desgaste das medidas duras e impopulares, diz um aliado.

O pacote de medidas de Paulo para gerar caixa e que a coluna antecipou já está pronto para andar. Mas uma parte só terá efeito em 2016. Não é só aumentar o ICMS, como se especula. É todo um conjunto para fazer caixa.

Vem aí o leilão da gestão da folha de pagamentos, contrato atualmente com o Bradesco, a venda de ativos (como imóveis), a antecipação de tributos e o saque de R$ 170 milhões a R$ 200 milhões em depósitos judiciais. De novo, como já antecipou a coluna Pinga-Fogo, o governo continua não descartando a privatização da Copergás.

Giovanni Sandes
Ne10

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