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Brasil

30/04/2014


Grupo Pão de Açúcar lançará mercados de bairro voltados para classes A e B

Economia

O Grupo Pão de Açúcar lançará até o início de junho um novo modelo de minimercado mirando consumidores de classe mais alta que buscam a conveniência de compras em estabelecimentos menores e mais próximos, em mais um passo para impulsionar a expansão desse formato.

As lojas do novo modelo terão assinatura da bandeira Pão de Açúcar, disse o vice-presidente de varejo da companhia, José Roberto Tambasco, em contraposição às 168 unidades atuais do minimercado do grupo, que levam o nome da bandeira Extra.

"É um modelo de proximidade com características do Pão de Açúcar, que se difere do Minimercado Extra no que oferece em termos de sortimento e experiência de compra", afirmou o executivo em teleconferência com analistas nesta quarta-feira (30).

No primeiro trimestre, a companhia abriu seis Minimercados Extra. Em plano apresentado aos investidores no fim do ano passado, o GPA sinalizou a intenção de abrir cerca de 360 novas lojas Minimercado até 2016, no que deverá ser o maior vetor de crescimento físico do grupo.

Segundo Tambasco, o avanço do formato que segue concentrado na Grande São Paulo deverá ser direcionado para outros Estados a partir do próximo ano.

O GPA também analisa um terceiro modelo para o Minimercado, no qual pequenos varejistas adotariam a marca e se beneficiaram da infraestrutura da empresa, maior varejista do Brasil.

"Não é franquia, mas é forma de garantir os ganhos de eficiência, logística e de compra que temos dentro da companhia para pequenos comerciantes que já operam pequenas mercearias e que poderiam se aproveitar da nossa escala", afirmou Tambasco.

O executivo observou que ainda não há nenhuma decisão tomada sobre este terceiro modelo, que é inspirado em operação que seu controlador francês Casino tem na Colômbia.

Perspectivas

Após o deslocamento da Páscoa para abril deste ano ter afetado os resultados do primeiro trimestre do GPA, a companhia avalia que as vendas ligadas à data ficaram dentro do esperado.

Apesar de ter visto uma migração na procura por ovos de Páscoa rumo a chocolates mais baratos, em forma de bombons e barras, o GPA afirmou não ter perdido receita pelo fato de ter reforçado sua área de bomboniere.

"O quilo do ovo de Páscoa significa quase quatro vezes o quilo de tablete. Isso por conta de custos logísticos envolvidos nessa operação. O consumidor tem percebido isso nessa situação (macroeconômica)", afirmou Tambasco, em referência ao preço dos ovos e ao cenário de inflação elevada.

Ele acrescentou que a expectativa para o segundo trimestre é "boa", na esteira da Copa do Mundo.

Na véspera, a Via Varejo — divisão de móveis e eletrodomésticos do GPA — já havia sinalizado igual tendência, com estimativa de alta nas vendas de televisores e celulares.

No primeiro trimestre, o lucro líquido consolidado do GPA cresceu cerca de 23% na comparação anual, a R$ 338 milhões, diante de expansão orgânica e melhora das despesas.

A margem bruta da companhia caiu 1,1 ponto percentual, a 24,9%, num reflexo da estratégia de investimento em preços mais baixos para impulsionar as vendas e elevar a participação de mercado da empresa.

Lucratividade mantida

Segundo o vice-presidente financeiro da companhia, Christophe Hidalgo, o GPA continuará compensando preços mais baixos com mais eficiência em despesas, mantendo o nível de lucratividade atual.

Na teleconferência, executivos completaram que as sinergias de compra entre Via Varejo, Extra e Nova Pontocom, de comércio eletrônico, começarão a ser vistas nos próximos trimestres.

Às 13h41, as ações do GPA tinham variação positiva de 0,76%, a R$ 106, com o Ibovespa em declínio de 0,64%.

Na visão do Espírito Santo Investment Bank, os resultados trimestrais do grupo destacaram uma performance sólida, mas um pouco abaixo da curva no GPA Alimentar, na sequência de fortes resultados divulgados pela Via Varejo na véspera.

"No geral, estamos confiantes que a dinâmica permanece forte e que os resultados do segundo trimestre do GPA Alimentar representarão mais um catalisador para a ação", escreveu o analista Richard Cathcart, em relatório do banco de investimento.

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