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Economia

15/03/2016


Ibovespa cai 4% e dólar sobre 2,1%

O Ibovespa opera em queda refletindo a perspectiva de que o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, aceite se tornar ministro-chefe da Casa Civil ou da secretaria do Governo após seu pedido de prisão ser enviado para o juiz federal Sérgio Moro. Segundo informações do Globo, Lula já teria aceitado o convite. Também saem notícias de que o relator da Operação Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), Teori Zavascki, homologou a delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS). Lá fora, as bolsasinternacionais caem após o banco central japonês traçar um cenário mais pessimista para a segunda maior economia da Ásia e não acenar com um aumento de estímulos que animasse o mercado.

Às 13h42 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira caía 4,02%, a 46.901,58 pontos. Já o dólar comercial sobe 2,18%, cotado a R$ 3,732. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 opera estável a 13,83%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 registra ganhos de 24 pontos-base a 14,52%.

Para Cassiano Leme, gestor da Constância Asset, todas as notícias que fragilizam o governo vão ser interpretadas de forma positiva na Bolsa. É por isso que o dólar chegou a ameaçar zerar perdas após as notícias sobre a delação de Delcídio, citando inclusive uma suposta tentativa de comprar o silêncio do ex-líder do governo no Senado, pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante. No entanto, a Bolsa passou a despencar mais forte com a confirmação pelo colunista do Globo, Lauro Jardim, de que Lula é ministro do governo Dilma.

"É um panorama muito complexo. O mercado vai ser muito volátil e confuso nos próximos dias. A Lava Jato deve continuar revelando fatos enormes e bombásticos com delações de executivos da OAS, Odebrecht, Andrade Gutierrez e também de Mônica Moura, a mulher do publicitário João Santana", explica o gestor.
Lula perto de se tornar ministro

A presidente Dilma Rousseff só está esperando telefonema do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmando que ele aceita ser ministro de seu governo. A ala petista já dá como certo que ele aceitará o convite, segundo coluna da Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo. O Valor Pro também diz que a nomeação de Lula para o ministério é dada como certa. Já a Época afirma que o ex-presidente resiste aceitar por ver desembarque do PMDB como irreversível.

Porém, Lula teria imposto condições: só toma posse depois de uma conversa franca nesta terça e com garantias de que a política econômica mudará. Em um primeiro momento, a entrada de Lula levaria a uma guinada do governo à esquerda, de forma a fazer com que houvesse uma reconexão com as bases sociais.

Uma destas propostas seria o uso das reservas internacionais apesar do que o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, disse recentemente. "Essa perspectiva de queima de reserva pra investimento está descartada. Se for o caminho, será para pagar dívida, há uma reflexão sobre isso, mas nenhuma decisão a respeito", afirma Wagner. A cúpula do PT e Lula insistem na necessidade de o governo usar um terço dos US$ 372 bilhões das reservas internacionais para a criação de um Fundo Nacional de Desenvolvimento e Emprego. Dilma e o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, no entanto, sempre resistiram à ideia.

Delcídio

Em seu acordo de delação premiada, o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) acusou o ministro Aloizio Mercadante de lhe oferecer ajuda financeira, política e jurídica em troca de seu silêncio, de acordo com informações da revista Veja. Segundo Delcídio, Mercadante agira a mando de Dilma. Nos diálogos aos quais a revista teve acesso, o ministro da Educação oferece ajuda financeira à família de Delcídio e promete usar a influência política do governo junto ao Senado e ao Supremo Tribunal Federal para tentar evitar a cassação do senador e conseguir sua libertação. Segundo a revista, Mercadante deixa claro ao assessor que vai tentar "construir com o Supremo uma saída" para Delcídio, citando até o ministro do STF Ricardo Lewandowski. O ministro afirmou que o presidente do Supremo poderia libertar o senador por meio de liminar, durante o fim do recesso do Judiciário.

Ações em destaque

Em queda hoje estão os mesmos papéis que dispararam nas últimas duas semanas com o chamado rali do impeachment. Destaque para Petrobras (PETR3, R$ 8,91, -6,60%; PETR4, R$ 6,65, -10,14%), que além do cenário político sofre com mais um recuo do petróleo, com o barril do WTI (West Texas Intermediate) caindo 2,47% a US$ 36,26, enquanto o barril do Brent registra perdas de 2,12% a US$ 39,31.
Também sofrem com o cenário político os papéis de bancos, como fica claro pelas quedas de Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 30,24, -6,03%), Bradesco (BBDC3, R$ 28,01, -5,59%; BBDC4, R$ 25,02, -5,94%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 18,85, -15,09%). Somando a participação das quatro ações, temos por volta de 20% do peso da carteira teórica do Ibovespa.

As ações da Vale (VALE3, R$ 13,13, -2,31%; VALE5, R$ 9,44, -2,68%) afundam em meio ao mau humor do mercado e forte queda do minério de ferro lá fora. A commodity negociado no porto de Qingdao com 62% de pureza fechou em queda de 4,81%, a US$ 52,88 a tonelada seca. Com a queda de hoje, o minério já devolveu todo o rali de 20% que fez na segunda-feira da semana passada. Na época, os analistas disseram que não havia fundamentos para a disparada. Acompanham o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 4,97, -1,19%), holding que detém participação na Vale.

O dia de alta do dólar frente ao real favorece as exportadoras, que foram tão penalizadas nesse começo de ano. Entre as maiores altas do Ibovespa, os papéis do setor de papel e celulose Fibria (FIBR3, R$ 33,93, +5,21%), Suzano (SUZB5, R$ 13,33, +4,55%) e Klabin (KLBN11, R$ 20,44, +2,10%), além da fabricante de aeronaves Embraer (EMBR3, R$ 22,97, +1,95%).

Pnad Contínua

Às 9h, foi divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) relativa a dezembro de 2015. A pesquisa produz informações contínuas sobre a inserção da população no mercado de trabalho e suas características, tais como idade, sexo e nível de instrução. A taxa de desemprego averiguada pela Pnad cresceu 9%, ante expectativas de um avanço para 9,2% no último mês do ano passado. Em novembro a taxa de desemprego era de 9%.

Votação da "bomba de R$ 300 bilhões"

Ocorre hoje a votação em turno único do projeto de Decreto Legislativo nº 315-A: a mudança no cálculo da renegociação da dívida de estados e municípios. A lei prevê a troca do índice de IGP-DI, mais 6% a 9% ao ano, para IPCA mais 4% ao ano ou a Selic (taxa básica de juros da economia). O Decreto 8.616, editado no fim do ano passado, aplica a Selic acumulada de forma composta, os chamdos juros sobre juros. A proposta do deputado Esperidião Amin (PP-SC) revoga essa mudança do decreto. Para Evandro Buccini, economista da Rio Bravo Investimentos, a estratégia ideal da oposição é adiar a votação, já que dificilmente os partidos oposicionistas vão aprovar uma medida tão custosa para o Orçamento. "Não acho que passe, mas a própria base aliada pode ter um risco junto com a oposição", afirma. Para ele, uma aprovação teria um efeito extremamente negativo para o mercado financeiro, já que pioraria ainda mais a situação das já debilitadas contas públicas brasileiras. Estima-se que o impacto estaria em aproximadamente R$ 300 bilhões.

PMDB e PSDB

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o senador Aécio Neves afirmou que o PMDB e o PSDB tratam do pós-Dilma. Segundo ele, o apoio ao próximo governo é por uma agenda de reformas.

Cenário externo

As bolsas chinesas se recuperaram de perdas iniciais na sessão e encerraram as operações desta terça-feira com leve alta, liderados pelos ganhos das ações financeiras, imobiliárias e de consumo. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, avançou 0,3%, enquanto o índice de Xangai teve alta de 0,17%. Porém, no restante da região, as ações recuaram após o banco central japonês apontar um cenário mais sombrio para a terceira maior economia do mundo.

Como esperado, o banco central do Japão concordou em continuar com seu enorme programa de compra de ativos nos níveis atuais, mas mostrou-se um pouco mais pessimista sobre a perspectiva para as exportações, produção industrial e inflação. Enquanto isso, na Europa, o dia é de queda para os mercados mundiais, com o FTSE em queda de 0,49%, o DAX em baixa de 0,64% e o CAC 40 caindo 0,90% em meio aos sinais do BoJ de que não aumentaria estímulos.

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