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Maranhão

14/07/2015


Imprudência e cobranças marcam disputa por vagas de estacionamentos

Estacionar pelas ruas do Centro de São Luís é uma tarefa cada vez mais difícil. Com o fluxo intenso de veículos circulando nas vidas, a dificuldade começa na hora de identificar a vaga próximo do ponto de parada dos condutores. Alguns circulam até encontrarem a ‘preciosa’ vaga. Outros ignoram o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e estacionam em local proibido. É comum encontrar veículos, por exemplo, estacionados em áreas destinadas a circulação de pedestres.

Para a professora Roseane Dias, que frequentemente vai ao Centro, é complicado encontrar um local e, na maioria das vezes, o valor cobrado é muito caro. “Não tem vagas e temos que pagar um valor absurdo, em estacionamentos privados. Semana passada tive que pagar 10 reais. Pouco estacionamento, e alguns flanelinhas… Quando a gente vai dar um real, eles reclamam. Querem mais”. apontou.

Os guardadores de veículos estão presentes na maioria das ruas, os chamados “flanelinhas”, que auxiliam os motoristas na hora de estacionar os carros e recebem um valor. Antes havia um estacionamento rotativo, em que existia uma empresa que prestava esse serviço para a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT), com a cobrança via parquímetro, que eram manuseados pelos condutores de veículos e guardadores cadastrados.

O usuário comprava os créditos para estacionar seu carro, pelo valor de R$ 1 por hora. O tempo máximo de credenciamento era de duas horas, com tolerância de cinco minutos para renovação de tempo. O funcionamento do serviço era das 8h às 18h. Os equipamentos foram instalados nas ruas da Paz e do Sol. Atualmente os aparelhos ainda se encontram nos locais, porém não funcionam mais. Alguns inoperantes.

Segundo o flanelinha, Rosenilson Diniz, que trabalha há mais de 20 anos na Rua da Paz, o sistema que adotava o parquímetro era melhor e mais organizado. “Hoje não temos valores fixos, algumas pessoas pagam e outras não. Antes era mais certo, que íamos receber”, concluiu. Na Rua da Palma alguns flanelinhas colocam cones, nas vias, para ‘reservar’ vagas, impedindo que outras pessoas estacione no local, o que é irregular. Em nota a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) informou que o estacionamento rotativo está desativado. A SMTT comunicou que o serviço está sendo avaliado e passará por reformulação. A secretaria esclareceu que o cadastramento dos flanelinhas é realizado pela Supervisão de Área Integrada de Segurança Pública (Saisp), da Secretaria Estadual de Segurança Pública, em parceria com a Superintendência Regional do Trabalho (SRT) e o sindicato da categoria.

 

Casarão

A reportagem identificou que, no início da Rua do Sol, esquina com a Rua Santaninha, um casarão que serve de estacionamento privativo para veículos. Na parte externa do prédio predomina-se a arquitetura original, porém os portões foram modificados e na parte interna todo o telhado foi retirado. No portão há o valor de R$ 3,50 a hora de segunda-feira a sexta-feira e mensal. Após contato com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Maranhão (Iphan-MA), a assessoria do órgão, informou que casarão era de responsabilidade do estado. A equipe de reportagem entrou em contato com assessoria do governo do estado, mas até o fechamento da matéria não recebeu a confirmação sobre a autorização de funcionamento de estacionamento no casarão.

 

Estacionamentos x Patrimônio
 

Alguns casarões tombados pelo patrimônio foram transformados em estacionamento. O cenário é encontrado facilmente pelas ruas do Centro Histórico de São Luís, que possui 1.432 prédios tombados pelo Governo Federal e também pela Unesco, além dos 4.400 de responsabilidade do Estado.
Ano passado o Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (IHGM) denunciou que a casa que foi moradia de Aluísio Azevedo poderia virar estacionamento. Em 2008, São Luís possuía 12 prédios em situação irregular; todos de responsabilidade do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Maranhão (Iphan-MA). Atualmente, segundo o Instituto, somente um dos estacionamentos que foram notificados e embargados pelo órgão continuou funcionando. O prédio histórico perdeu quase todas as características coloniais.

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