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Brasil

04/07/2014


Internet é campo fértil para a propagação de ideias políticas e polêmicas

Nesta Edição

 “À medida que cresce uma discussão online, a probabilidade de surgir uma comparação envolvendo Adolf Hitler ou o nazismo aproxima-se de 1 (100%)”, este é o enunciado da pouco conhecida, porém facilmente comprovada Lei de Godwin. Criada pelo jurista americano Michael Godwin, em meio aos debates em fóruns de internet na década de 1990, a ideia era mostrar como as pessoas tendem a exagerar quando estão discutindo sobre posições políticas na web. Com a proximidade das eleições, os argumentos conhecidos como Reductio ad Hitlerum, ou o ‘jogar com cartas nazistas’ estão mais forte que nunca.

Em pleno século XXI, as redes sociais se tornaram um palco onde ideologias de direita e esquerda estão fortes e vivas como na década de 60. No Brasil, os debates na internet costumam comparar qualquer político de esquerda à Stálin, Mao Tsé Tung e Ho Chi Mihn. Enquanto os políticos liberais são todos fascistas, ditadores militares ou atuais representantes de Margaret Thatcher na Terra. 

É provável que você já tenha visto alguma imagem publicada por essas páginas. Elas geralmente trazem críticas genéricas ao governo e à oposição. Assim como não existem inocentes, também não há responsabilidade no conteúdo que se é transmitido. O perigo de se misturar todos os políticos em apenas um saco é que os honestos se confundem com os corruptos e um trabalho sério, rapidamente é convertido em ‘meme’ por um público cego pelo desserviço prestado por essas mídias específicas.

Os discursos de ódio na internet não se restringem apenas ao campo político, é comum acompanharmos comentários xenófobos, racistas, homofóbicos e machistas. Recentemente, a Justiça Federal decidiu quebrar o sigilo de seis internautas por comentários discriminatórios em matérias jornalísticas que noticiaram um acidente de ônibus com 18 vítimas fatais no Ceará. Nos comentários, o grupo celebrava a tragédia com frases preconceituosas sobre o Nordeste. Se estivessem em um ambiente público, esses internautas certamente não iriam comemorar uma morte sequer. Porém, o anonimato é capaz de criar monstros opinativos.

Rafael Puetter é um ativista político mais conhecido como Rafucko. Seu trabalho de mobilização on-line migrou de forma positiva para as ruas. De acordo com ele, a liberdade de conectar-se diretamente com o público, sem um intermediário que faça controle prévio do conteúdo, faz da internet um bom espaço para promover o ativismo e os debates políticos. Entretanto, a disseminação de mentiras e discursos odiosos poluem as redes e prejudicam um espaço que deveria ser útil ao cidadão. “As páginas que disseminam ódio são assustadoras, mas encaro como uma saída do armário de muitos brasileiros. Essa mentalidade cruel e perversa sempre esteve presente, mesmo que por baixo dos panos. Há que se tirar proveito do que fica às claras com o conteúdo dessas páginas, aproveitar o escancaramento deste discurso para melhor combatê-lo”, diz Rafucko.

(Veja a matéria completa na edição n°91 da Revista Nordeste, à venda em todas as bancas)
 

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