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Brasil

25/02/2016


João Santana admite à PF que recebeu recursos da Odebrechet

O jornalista e publicitário João Santana, preso pela 23ª fase da Operação Lava Jato, admitiu em seu depoimento à Polícia Federal que recebeu recursos da empreiteira Odebrecht e do lobista Zwi Skornicki por meio de uma conta bancária não declarada no exterior. A mulher de Santana, Mônica Moura, já havia confirmado em depoimento à PF os pagamentos investigados. O depoimento, contudo, não foi gravado.

Segundo o advogado Fábio Tofic, João Santana "abriu esta conta em 1998 para receber recursos de uma campanha realizada na Argentina". "Na época, achava que não tinha problema (em não declarar os pagamentos no Brasil), porque eram recursos recebidos em outro país", justificou. De acordo com o advogado, os pagamentos feitos por Skornicki nesta conta são referentes a a quitação de dívidas por serviços prestados fora do Brasil, em países como Angola e Panamá.

Ele também disse que os pagamentos de US$ 4,5 milhões feitos pelo lobista, que atuou junto ao estaleiro Keppel, seriam uma "doação ao partido angolano". "Era uma dívida antiga. Nessa área de marketing eleitoral, você demora para receber recursos. Ela (Mônica) disse que tinha este valor a receber, que cobrava insistentemente, e que foi informada de que deveria buscar este rapaz (Zwi Skornicki)", explicou Tofic.

O advogado disse, ainda, que Santana "é um criador, não trabalha com questão financeira e bancária" e que "tinha pouco conhecimento de como eram feitos pagamentos". João Santana confirmou ser dono da offshore Shellbil, utilizada para receber US$ 7,5 milhões. Segundo Tofic, o publicitário e a mulher pretendem regularizar a sua situação junto à Receita Federal e resolver a situação da Shellbil, que tem sede no Panamá.

Além de Santana, que já foi ouvido, a PF pretende tomar ainda nesta quinta-feira o depoimento de Maria Lúcia Tavares, funcionária da empreiteira Odebrecht apontada como responsável por uma planilha com menções a pagamentos para "Feira" (João Santana, segundo a PF), "JD" (José Dirceu) e "Prédio (IL)" (possível menção ao prédio do Instituto Lula, também de acordo com os investigadores da Lava Jato).

Brasil 247

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