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Internacional

17/04/2015


Jornalista e ex-deputado pró-russos são assassinados em Kiev

m jornalista ucraniano, militante pró-russo, foi assassinado nesta quinta-feira (16) em Kiev. Oles Bouzina foi morto a tiros diante de sua casa por dois homens encapuzados. O assassinato integra a lista de crimes com motivação política sobre a questão ucraniana.

Bouzina foi chefe de redação do jornal Sevodnya, que apoiava o ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovitch. De acordo com o correspondente da RFI em Kiev, Sébastien Gobert, o jornalista era partidário do regime autoritário e a favor de um "império", que uniria Rússia, Ucrânia e Belarus.

Na última quarta-feira (15), um ex-deputado ucraniano, próximo de Yanukovitch, também foi assassinado em casa. Ele era suspeito de ter participado da violenta repressão contra os militantes da praça Maidan. Outros quatro amigos do ex-presidente também morreram nos últimos meses. Oficialmente, eles teriam se suicidado.

Onda de crimes

A onda de assassinatos preocupa os ucranianos e provoca uma guerra de informações desencontradas, relata o correspondente da RFI em Kiev. O presidente Petro Porochenko denuncia uma vasta campanha de desestabilização por parte do Kremlim.

O presidente russo, Vladimir Putin, condena os crimes. Em uma entrevista ontem à noite (16) na televisão do país, o líder classificou a morte de Bouzina como "um assassinato político". "Essas não foram a primeiras mortes com motivação política", indicou.

Putin comparou o assassinato de Bouzina com o de seu oponente Boris Nemtsov. Segundo ele, em Moscou, ao menos os investigadores conseguiram prender os autores dos disparos contra Nemtsov. "Embora tenha a pretensão de ser um Estado democrático, que quer se unir à Europa, a Ucrânia não é capaz nem de prender os assassinos, nem os mandantes do crime", disse.

Conclusões

Para o jornalista da RFI em Kiev, é preciso tirar conclusões e enumerar algumas hipóteses sobre esses assassinatos. Segundo ele, a morte de Bouzina pode ser uma retaliação de nacionalistas ucranianos ou de um acerto de contas. Outra hipótese é a da eliminação de testemunhas do antigo regime. Ou, por último, que ela faça parte de operações de desestabilização do governo ucraniano por parte das forças russas e pró-russas.

Enquanto o número de assassinatos não para de aumentar, a tensão continua no leste da Ucrânia. Alguns intelectuais, como o artista Oleksandr Roytbud, considera que esse é o início de uma época "de terror" na Ucrânia. "Algumas pessoas chegaram ao limite. Ninguém sabe quando isso vai parar", lamentou.

 

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