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Bahia

07/07/2015


Justiça volta a investigar obras do metrô de Salvador

A Justiça Federal da Bahia retomou a ação de improbidade administrativa sobre a construção do metrô de Salvador, após cinco anos de suspensão devido à anulação da Operação Castelo de Areia, que investigou, entre 2009 e 2011, esquema de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, crimes financeiros e repasses ilícitos para políticos e empresários da Camargo Corrêa.

A primeira etapa do metrô soteropolitano ficou pronto ano passado, após 15 anos de sua licitação, feita em 1999, durante a gestão do ex-prefeito e atual deputado federal Antônio Imbassahy (PSDB).

Com custo acima de R$ 1 bilhão, o transporte de massa só tinha 7,5 km de extensão. Os principais réus na ação de improbidade administrativa são empresas já investigadas no Petrolão, pela Operação Lava Jato: Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão e Constran.

Nos bastidores políticos, segundo noticiou o jornal Folha de São Paulo no último fim de semana, afirma-se que Imbassahy, também vice-presidente da CPI da Petrobras na Câmara de Deputados, pode ser afetado com as investigações, muito embora não tenha o nome citado.

As especulações se baseiam no fato de também serem réus o ex-secretário de Transporte, Ivan Barbosa, e o ex-diretor da Companhia de Trens de Salvador, Nestor Duarte Neto. Ambos atuaram durante a gestão do tucano à frente da prefeitura de Salvador, entre os anos de 1996 e 2004.

À Tribuna da Bahia, Imbassahy afirmou estar supertranquilo em relação às investigações da Justiça e afirmou que nunca foi citado como possível acusado em nenhuma investigação. “Estou tranquilo em relação a isso. Não sou réu de nada, meu nome não foi citado em nada”, declarou.
Ainda segundo a Folha, um recurso da Andrade Gutierrez manteve suspenso o processo em caráter liminar (provisório) desde abril de 2010, mas o Tribunal Regional Federal da 1ª Região negou o mérito desse pedido.

Em abril deste ano, o Tribunal de Contas da União (TCU) detectou desvio de dinheiro pelas empreiteiras que executaram, na gestão do tucano, as obras do metrô soteropolitano. De acordo com o TCU, as empreiteiras gastaram a mais cerca de R$166 milhões.

Corrigidos, esses valores chegariam a R$ 400 milhões. Imbassahy esclareceu, na época, que o nome dele foi citado apenas para explicar o período em que ocorreu a obra. “Não citaram meu nome como envolvido em nada”.

O tucano reiterou ainda que em nenhum momento o nome dele é vinculado ao desvio de verba e que não há acusação com seu nome. Acrescentou, ainda, que petistas aproveitam a situação para citá-lo com o objetivo de macular sua imagem.

Ontem, à Tribuna, voltou a afirmar que petistas citaram seu nome “numa reação histérica e estéril”. “É importante destacar que não tem nenhuma acusação contra minha pessoa. O que foi citado por alguns petistas é de que algumas empresas contratadas estão envolvidas no Petrolão. Como também é verdade que essas empresas continuaram trabalhando quando Wagner era governador e continua com o governador Rui Costa”, justificou.

De fato, membros petistas citaram o nome do tucano e continuam pedindo a ele esclarecimentos sobre o assunto. É o caso, por exemplo, da deputada estadual Luiza Maia (PT) e do parlamentar federal Afonso Florence (PT), que saiu da CPI da Petrobras recentemente para, segundo ele, atuar com as novas delegações recebidas da bancada do PT para liderar no plenário. “Meu desempenho sempre foi bem avaliado pelo partido, não perdi gás algum, o que aconteceu é que recebi mais tarefas no plenário”, justificou à Tribuna, em edição do dia 27 de junho.

No caso de Luiza Maia, ela pediu que para que fosse criada na Assembleia Legislativa da Bahia uma CPI para investigar o superfaturamento da obra do metrô de Salvador e, consequentemente, a atuação do ex-prefeito.

Para Florence, é importante que Imbassahy seja investigado para desmitificar a ideia de que apenas os petistas são investigados. “Já tivemos Imbassahy como prefeito e como presidente da Eletrobras, como prefeito tivemos muitas denúncias”.

Na verdade, há quem diga no entorno do ex-prefeito que a reabertura da investigação acontece como uma reação dos petistas ao pedido feito pelo deputado tucano para a CPI da Petrobras ouvir o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto. 

Tribuna da Bahia

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