menu

Brasil

28/01/2016


Lava-Jato: Juiz Moro pode ter pescado tubarões e não Lula

Ao que tudo indica, um dos alvos da Operação Triplo X, da Polícia Federal, é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Partindo do fato de que uma das coberturas do Edifício Solaris, no Guarujá (SP), está em nome de uma offshore aberta por um escritório especializado em criar empresas no Panamá, a força-tarefa da Operação Lava Jato fez uma devassa na subsidiária brasileira do escritório Mossack & Fonseca.

Em seguida, o procurador Carlos Fernando Lima afirmou que todos os apartamentos serão investigados. No caso de Lula, sua esposa, Marisa Letícia possuía uma cota, que foi devolvida à OAS no fim do ano passado. "Não será investigando um apartamento – que nem mesmo lhe pertence – que vão encontrar uma nódoa em sua vida", disse, em nota, o ex-presidente.

Ocorre que foram levados computadores e apreendida toda a comunicação do Mossack & Fonseca, da Avenida Paulista, que tinha uma clientela formada por grandes empresários e figurões da elite política e empresarial do País. Desde que o Panamá se tornou um dos paraísos fiscais mais "seguros" do mundo, por se recusar a compartilhar informações com autoridades de outros países, os negócios do Mossack & Fonseca prosperaram.

A esse respeito, o colunista José Roberto de Toledo publicou a coluna "Juiz Moro foi pescar", em que aponta a extensão dos negócios do Mossack. "O noticiário sobre nova fase da Lava Jato, a Triplo X, destaca o arpão direcionado a fisgar Lula. Dizer se ele vai acertar o alvo, por ora, é prestidigitação. Mas essa pescaria não cabe em um arpão. Ao grampearem toda comunicação e confiscarem computadores da Mossack & Fonseca, os investigadores da Lava Jato jogaram uma rede tão grande que correm o risco de pescar mais peixes do que são capazes de escamar. Peixes grandes", afirmou.

"No seu despacho autorizando a operação contra a Mossack & Fonseca, o juiz Sergio Moro cita ex-dirigentes da Petrobrás, como Renato Duque e Pedro Barusco, que teriam se beneficiado de contas abertas em nome de offshores criadas com ajuda da Mossfon. Mas isso é só o começo da pescaria", afirma. "Uma simples busca no Google pelos nomes dos funcionários da Mossfon presos revela que eles costumavam se reunir, no Brasil, com empresários e advogados – às vezes acompanhados de diplomatas panamenhos. Eram visitas de prospecção de clientes. Como o escritório na Avenida Paulista existe há 30 anos, presume-se que muitos desses contatos resultaram em negócios."

Nos últimos anos, o escritório esteve envolvido em diversos casos internacionais de lavagem de dinheiro, que tiveram grande repercussão, como, por exemplo, o escândalo do HSBC.

"A Mossack é bem mais ampla que o caso Lava Jato", diz delegado

À frente das ações da Polícia Federal na operação Lava Jato, o delegado Igor Romário de Paula acredita que "a Mossack é bem mais ampla que o caso Lava Jato. A empresa não só apresentou indícios de aparecer em outras investigações já deflagradas como provavelmente vai se descobrir muita coisa. Não podemos descartar que surjam provas para outras investigações".

Na 22ª fase da operação, deflagrada nesta quarta-feira 27, a PF apreendeu uma lista com os nomes de centenas de empresas abertas por brasileiros em paraísos fiscais. Segundo reportagem da Folha, as planilhas estavam armazenadas em computadores da filial brasileira da Mossack Fonseca e traz o nome das empresas e de seus respectivos proprietários brasileiros.

A expectativa é que os dados forneçam informações sobre um grande esquema de evasão de capitais e lavagem de dinheiro também em outras áreas, indo muito além da Lava Jato.

Notícias relacionadas