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Brasil

25/04/2017


Licitação do Banco do Brasil levanta suspeitas de corrupção no governo Temer

A luz amarela que aponta para suspeitas de corrupção está mais uma vez acesa sobre uma empresa pública brasileira. O alvo desse ingrato holofote agora é o Banco do Brasil, que promoveu concorrência de lisura duvidosa para contratar agências de publicidade que receberão R$ 500 milhões ao ano.

Reportagem publicada nesta terça-feira (25) pelo jornal Folha de S.Paulo mostrou que, quatro dias antes de a divulgação do resultado oficial da licitação, vencida pela agência Multisolution, o próprio jornal havia antecipado que esse seria o desfecho da concorrência do Banco do Brasil .

O valor a ser pago pelo gerenciamento da produção de peças publicitárias para o banco estatal faz desse edital a concorrência mais cara já promovida pelo governo Temer. E as suspeitas de que o destino desse caminhão de dinheiro tenha sido escolhido de modo irregular exigem do presidente uma atitude firme: determinar a realização de uma nova licitação e apurar toda e qualquer eventual falcatrua ocorrida neste processo.

As investigações da Operação Lava Jato estão aí para nos lembrar que fraudes e esquemas envolvendo falsas concorrências para faturar contratos com empresas estatais são uma situação corriqueira neste País. E que não pode mais ser admitida.

Entenda o caso

Até o resultado desta concorrência, a Multisolution jamais havia assinado um contrato com o setor público. E o ineditimismo não se deu por falta de interessados no edital, já que outras 14 agências estavam na disputa: Agnelo Pacheco, Artplan, Calia/Y2, Dentsu Latin, America Propaganda, Fields Comunicação, Heads Propaganda, J. Walter Thompson, Lew Lara/TBWA, Lua Propaganda, Master, PPR, Nova/SB e Z+.

Essas duas últimas empresas (Nova/SB e Z+) ficaram em segundo e em terceiro lugar, respectivamente, e também devem dividir o contrato com a vencedora Multisolution.

No modelo de concorrência adotado para essa contratação, o vencedor seria definido conforme avaliação das propostas feitas por uma comissão formada por funcionários do Banco do Brasil que atuam nas áreas de comunicação, publicidade ou marketing, e por pessoas de fora da empresa. No presente caso, esses avaliadores externos foram um integrante do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e outro da Embratur.

Antes mesmo de a Folha revelar a possível falcatrua acerca do edital, a agência NBS (uma das participantes), havia anunciado que iria recorrer contra o resultado, conforme informações do meio&mensagem . A empresa havia se classificado em terceiro lugar, mas acabou sendo desqualificada após a comissão do BB anunciar uma correção do resultado.

Procurada pela reportagem do iG , o Banco do Brasil informou que a escolha da empresa vencedora "obedeceu rigorosamente a legislação e a definição das vencedoras foi norteada por critérios técnicos". O banco também anunciou que irá, já nesta quarta-feira (26), publicar todas as propostas técnicas que foram apresentadas na licitação.

Leia abaixo a íntegra da nota enviada peloBB:

"O Banco do Brasil informa que o processo de licitação para escolha das novas agências de publicidade obedeceu rigorosamente a legislação e a definição das vencedoras foi norteada por critérios técnicos, conforme parâmetros previstos em edital público.

Na próxima quarta-feira, o Banco do Brasil, de forma transparente, irá publicar todas as propostas técnicas que foram apresentadas na licitação, junto com as respectivas notas atribuídas pela comissão técnica responsável pela avaliação, o que possibilitará a verificação de todo o processo por qualquer interessado.

O Banco do Brasil esclarece ainda que não procede a informação de que tenha ocorrido qualquer tipo de embate entre agências de publicidade na audiência pública realizada hoje para a abertura dos envelopes. A audiência cumpriu com normalidade todos os procedimentos previstos em edital para apuração das empresas vencedoras da licitação, incluindo a abertura em sequência dos dois envelopes com as propostas técnicas que compõem a nota final de cada participante."

iG

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