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Brasil

25/02/2016


Mais da metade das cidades brasileiras que usam lixões estão no Nordeste

Na Revista NORDESTE

Por Pedro Callado

Existem 1.559 cidades do Brasil com depósitos de lixo a céu aberto, também conhecidos como lixões, e mais da metade dessas cidades estão no Nordeste. São 834 municípios que depositam seus resíduos sólidos em lixões no Nordeste, segundo números da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), divulgados no ano passado.

Em 2010 foi sancionada uma Lei Federal determinando que todos os lixões deveriam ser extintos e os resíduos sólidos deveriam ser depositados em aterros sanitários. Todos os municípios do país receberam um prazo de quatro anos, até agosto de 2014, para acabar com os lixões e construir aterros. No Nordeste, apenas Pernambuco e Maranhão desenvolveram um plano de resíduos para atingir a meta dentro do prazo, mas ambos falharam já que a grande maioria das cidades de cada estado continua fazendo uso de lixões.

Na verdade, o plano quase não andou em todo o país. Para se ter uma ideia, nos dados de 2013, eram 1.569 cidades depositando lixo à céu aberto. Em dois anos, apenas 10 lixões foram desativados.

Recentemente o Senado Federal aprovou um projeto de lei da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) que prorroga o prazo de validade dos lixões em até cinco anos, dependendo do tamanho do municípios. Capitais e cidades de regiões metropolitanas precisam cumprir a determinação até julho de 2018, já municípios com menos de 50 mil habitantes, por exemplo, terão até julho de 2021.

Lixões são um problema ambiental, já que a concentração de lixo são uma grande ameaça para o solo, para o ar e também para a água. Mesmo longe de rios e lagos, o lixo depositado na terra pode contaminar o lençol freático.

Mas o problema também atinge diretamente várias famílias. Centenas de pessoas buscam os lixões como uma forma de ganhar dinheiro, catando em meio aos resíduos sólidos qualquer coisa de valor que possa ser trocada por algumas moedas. Dessa forma, várias pessoas ficam expostas a doenças e acidentes, incluindo crianças. É muito comum os catadores se cortarem em pedaços de vidro ou latas. Além disso, em muitas cidades do Brasil o lixo hospitalar é enviado para lixões, incluindo seringas que podem estar contaminadas com vírus e bactérias.

 

Manifesto de catadores

No município de Caicó, no Rio Grande do Norte, procurando evitar problemas de Saúde derivados do contato entre pessoas e o lixo, o prefeito proibiu a coleta de materiais recicláveis no local há quase dois anos. Para compensar ele prometeu apoiar a Associação de Catadores, mas o grupos alega que isso não acontece.
Recebendo em um mês o que eles tiravam em uma semana, os catadores resolveram entrar no lixão e marcar presença. Um grupo representando as 100 famílias que foram prejudicadas com a proibição passaram uma noite no Lixão de Caicó no dia 3 de janeiro. Eles foram retiradaso depois com determinação da Justiça. 

 

Lixão x Aterro

O lixão é apenas um depósito de lixo a céu aberto, nada mais. É um lugar que não recebe nenhum tipo de preparação e onde é depositado, de forma definitiva, toneladas de resíduos sólidos. Não há qualquer tipo de cuidado contra contaminação de qualquer tipo. O chorume, líquido formado a partir da decomposição de matéria orgânica, penetra no solo e contamina lençóis freáticos. A exposição do lixo sem tratamento oferece riscos de doença para humanos e animais que vivem ao redor.

O aterro sanitário é também um grande depósito de lixo, mas recebe um tratamento prévio. O solo é tratado e impermeabilizado. O chorume é drenado e encaminhado para tratamento para depois ser devolvido ao meio ambiente sem riscos de contaminação. O gás metano, liberado pelo lixo, é captado e queimado.

O lixo é coberto, evitando o mau cheiro e a poluição visual. Após aproximadamente 20 anos um aterro não pode receber mais lixo.

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