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Brasil

10/08/2015


Mais do que abandonar golpe, Globo rifou Cunha

O assunto mais comentado do fim de semana foi a sinalização da Globo de que apoiará a permanência da presidente Dilma Rousseff até o fim do seu mandato. O recado, que já havia sido passado em editoriais recentes do jornal O Globo, foi confirmado por João Roberto Marinho, um dos sócios da emissora, em encontro com senadores petistas.

Mais do que simplesmente abandonar o golpe, a Globo fez outra sinalização importante. Em editorial publicado pela revista Época neste fim de semana, chamado "Piquenique à beira do vulcão", a Globo bateu duramente no presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

"Sob o comando do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, os deputados continuam a brincar de piquenique à beira do vulcão. Ignoraram as recomendações de prudência e aprovaram, em primeiro turno, a PEC 443, que vincula os salários da Advocacia-Geral da União, delegados civis e federais à remuneração dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Se a PEC 443 for aprovada pelo Congresso, cria-se mais uma despesa adicional de R$ 2,4 bilhões por ano", diz o editorial da Globo. "O país espera que as lideranças do Senado Federal sejam mais responsáveis e atuem para desarmar as bombas que a Câmara deixou no caminho".

Cunha sentiu o baque e, na noite de ontem, foi ao Twitter para se defender de ser o responsável pela implosão das contas públicas, como estratégia de vingança contra a presidente Dilma Rousseff. "A tentativa de alguns de me colocar como vilão das contas públicas por retaliação ao governo não tem amparo na realidade dos fatos", disse ele.

Nos próximos dias, Cunha deverá ser denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Só depois da nova lista de Janot, a presidente Dilma fará sua reforma ministerial. Em outro editorial do Globo, a família Marinho defendeu que o Congresso dê a Dilma condições de 'governabilidade'.

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