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Brasil

25/09/2015


Mangabeira Unger diz que Nordeste “tem o direito de se rebelar”; Entenda

Conjuntura

Os números da transferência de riqueza da região e dos (parcos) investimentos da União (confira matéria com os dados econômicos clicando AQUI) ao longo dos anos, apontam para algo que o ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, argumentou em palestra para os oito governadores do nordeste durante encontro realizado em Natal: “O Nordeste precisa de rebelar”. 


“Não há solução para o Brasil se não houver solução para o Nordeste. Não há solução para o Nordeste se não houver solução para o semiárido”, a afirmação foi cunhada pela Associação dos Funcionários do Bando do Nordeste do Brasil (AFBNB) ainda em 2008 e voltou a ser pronunciada por Mangabeira Unger neste ano. O ministro defendeu um novo modelo de desenvolvimento para o Brasil, onde o Nordeste teria um papel preponderante. A defesa é para que haja o desenvolvimento mais igualitário, com ênfase num recorte regional para o desenvolvimento harmônico do Brasil. Entre as ações propostas para melhorar as condições da região estão a ampliação do prazo para a União destinar às regiões Centro-Oeste e Nordeste percentuais mínimos dos recursos destinados à irrigação.


A ideia de Unger é criar um modelo que democratize a economia do lado da produção e oferta. E não mais apenas do lado do consumo e demanda. Isto é, a região deixaria de ser mera consumidora dos bens produzidos no Sul e Sudeste. “Essa é uma tarefa urgente para o país, porque só essa estratégia produtivista e capacitadora conseguirá elevar a produtividade da economia brasileira, tirar o país da estagnação econômica e financiar o acesso aos serviços públicos de educação, saúde e segurança que o povo brasileiro busca”, frisou Unger.


Segundo o ministro, uma estratégia que contemple o desenvolvimento do Nordeste pode ser uma linha de frente dessa nova era de desenvolvimento nacional. Os pontos principais dessa nova estratégia apontam para a transformação do regime tributário “que castiga os estados predominantemente consumidores ou prestadores de serviços e fomenta uma guerra fiscal”, essa mudança levaria consequentemente a um novo pacto federativo e uma revisão do marco legal e tributário. Também seria necessário organizar uma espécie de “produtivismo includente”, que obrigaria a uma reavaliação da real necessidade de grandes obras na região, e visaria a uma aposta maior no “empreendedorismo vanguardista da indústria e dos serviços”, nas palavras do ministro, se referendo a soluções inovadoras criadas e fomentadas por empresários, cientistas e estudiosos visionários que pipocam em vários estados da região.


Unger afirma ainda que seria preciso também uma reorientação da política social e uma transformação radical na qualidade do ensino público. Contudo, no entender do ministro, esse novo paradigma do desenvolvimento depende em sobre medida de uma ação urgente do próprio Nordeste.


Mangabeira Unger ressalta que ao dizer que “não há solução para o Brasil, sem solução para o Nordeste”, não é apenas porque mais de um quarto do povo brasileiro vive no Nordeste, “é também porque o Nordeste tem muito das qualificações indispensáveis a essa obra (de um novo ciclo econômico). Inclusive a qualificação espiritual decisiva da disposição de rebelar-se”. A argumentação de Unger aponta para uma espécie de levante do Nordeste, construindo uma estratégia que leve o governo e o resto do país na onda. Apesar de propor que muito do futuro do desenvolvimento do país está numa proposta de desenvolvimento da região, Unger acredita que nada disso vai acontecer sem luta. “Luta pacífica, luta dentro das leis, mas luta. O Brasil precisa de um Nordeste inquieto, inconformado e desobediente. Nunca foi mais necessária à nação a rebeldia nordestina. Ao rebelar-se contra o modelo de desenvolvimento que nega braços, asas e olhos a sua assombrosa vitalidade, o Nordeste falará pelo Brasil”.

Confira Matéria completa na Edição da Revista Nordeste

Paulo Dantas – Revista NORDESTE
 

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