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Brasil

26/09/2014


Mentor da ‘Barbárie de Queimadas’ é condenado a 106 anos de reclusão

Paraíba

Após 17 horas de julgamento, Eduardo dos Santos Pereira, apontado como o mentor da 'Barbárie de Queimadas', ocorrida em 2012, no Agreste da Paraíba, foi condenado a 106 anos e quatro meses de reclusão. A sentença foi anunciada pelo juiz às 9h no plenário do 1º Tribunal do Júri de João Pessoa, no Fórum Criminal. Eduardo foi considerado culpado pelos dois homicídios, formação de quadrilha, cárcere privado, corrupção de menores e porte ilegal de arma, além dos cinco estupros.

Na 'Barbárie de Queimadas', cinco mulheres foram estupradas durante uma festa de aniversário e duas delas foram assassinadas porque teriam reconhecido os agressores. Eduardo Santos foi o último dos envolvidos no crime a ser julgado. Outros seis homens já foram condenados e cumprem pena em regime fechado e três adolescentes foram sentenciados e cumprem medidas socioeducativas.

Os jurados ficaram cerca de 2h30 reunidos isolados para definir o veredito e só voltaram ao plenário às 8h. Para a irmã de Isabella Pajuçara, uma das duas mulheres mortas, a justiça foi feita. "Queria agradecer aos movimentos sociais, ao movimento feminista. A espera de mais de dois anos acabou", disse.

O advogado de defesa de Eduardo, Harley Cordeiro, disse que vai recorrer na ata e dar entrada no recurso na segunda-feira (29). Ele acredita que as provas periciais foram desconsideradas na decisão. "A maioria delas inocente o réu desses crimes", alega. Já o promotor Francisco Sarmento avalia que a pena é eprfeitamente compatível com os crimes apontados. "Ele foi condenaedo em todos os crimes listados pelo inquérito policial", destaca.

Durante o julgamento, Eduardo dos Santos permaneceu cabisbaixo e ouviu atentamente às teses sustentadas pela defesa e pela acusação. Alguns dos depoimentos, a pedido das testemunhas de acusação, não foram acompanhados por ele.

Entre as testemunhas de acusação estavam duas vítimas de estupro, o marido de uma das vítimas, que também estava na festa, e adolescentes que foram sentenciados por envolvimento no crime. A imprensa não foi autorizada a acompanhar os relatos das vítimas, nem dos adolescentes. Além deles, também foram ouvidos um policial militar e um homem que teria vendido lacres do tipo 'enforca gato', usados para prender as mãos das vítimas. Já em defesa de Eduardo Santos, houve apenas uma testemunha: um dos homens já condenados por participação no estupro coletivo, que durante o depoimento assumiu a culpa pelo crime e tentou tirar a responsabilidade de Eduardo.

(G1)

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