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Alagoas

24/12/2015


Meta de redução de acidentes foca em motociclistas e pedestres

Motociclistas e pedestres representam mais da metade das vítimas de acidentes de trânsito em Fortaleza. Juntos, eles são 69% dos feridos e mortos. Esses e outros dados são a base de um programa internacional de trânsito que começa em janeiro, na capital cearense.

Fortaleza é uma das 10 cidades do mundo que recebem o Programa de Segurança Viária da Bloomberg Philantropies, uma instituição norteamericana com sede em Nova York. O programa conta com a assistência técnica de especialistas na criação de ações de curto, médio e longo prazos para prevenir acidentes de trânsito. Em Fortaleza, o horizonte dessas ações é de cinco anos. No Brasil, além de Fortaleza, São Paulo também receberá o programa.

"A frequência de sequelas e óbitos no trânsito em Fortaleza está muito acima da média do mundo. É importante encarar isso como um problema de trânsito, mas essa realidade passa por uma abordagem de saúde pública", disse o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PROS).

Nos fins de semana, a cada três atendimentos na emergência do Instituto Dr. José Frota (IJF), principal hospital de trauma de Fortaleza, um é em decorrência de acidente de trânsito. Desse montante, 67% são motociclistas. De acordo com o prefeito, as estatísticas mostram que os óbitos entre motociclistas ocorrem, principalmente, pela falta de uso do capacete.

O estudante Pedro Ícaro Costa e o pai, o mecânico Vicente Machado, adotaram mais que esse equipamento como forma de prevenir acidentes no trânsito de Fortaleza. As botas, joelheira e cotoveleira ajudaram Pedro a enfrentar os quatro acidentes que já sofreu. Vicente também passou a usar os equipamentos depois de um grave acidente, que o fez ficar 8 meses de licença e passar por várias cirurgias no IJF. "O trânsito é muito louco. As pessoas não sabem se portar no trânsito e nós, motociclistas, estamos mais expostos", afirmou Pedro.

A gerente de compras Fernanda Maciel costumava pilotar motocicleta em Apuiarés, sua cidade natal, localizada a 121 quilômetros da capital. Há oito anos morando em Caucaia, na Região Metropolitana, e trabalhando em Fortaleza, decidiu trocar as duas rodas pelo carro. "O fluxo de veículos na cidade é muito grande e os ônibus não têm pena dos motociclistas. Já me envolvi em colisão, sem danos físicos, e percebo que a diferença é grande se comparado com moto." Há cerca de 20 anos atrás, ela sofreu um acidente grave pilotando moto em Apuiarés. Sem capacete, caiu, bateu a cabeça e ficou inconsciente. Foi parar no IJF e só recobrou a consciência 12 horas depois da queda.

Nos quatro eixos do programa, está prevista a criação de um plano de segurança para motociclistas e de uma estratégia de educação no trânsito. Das ações de apoio ao pedestre, duas já estão sendo realizadas em Fortaleza. São as implantações das travessias elevadas (serão 40 em 2016) e das faixas em diagonal para pedestres.

A primeira dessas faixas, que têm o formato de X, já está funcionando em um cruzamento da Praia de Iracema, um dos principais cartões-postais da capital. A ideia é facilitar a travessia de pedestres em cruzamentos com vias largas.

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