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Rio Grande do Norte

09/06/2015


Micarla depõe no processo que apura fraude na saúde

Depois de ser questionada pelo advogado de Assis Rocha, “o tutor financeiro de sua família”, a ex-prefeita Micarla de Sousa chorou. Ela compareceu ontem à noite ao prédio da Justiça Federal em Natal, no bairro de Lagoa Nova, para responder sobre um possível envolvimento no suposto esquema de corrupção na Secretaria Municipal de Saúde (SMS) durante a sua gestão (2009 – novembro de 2012).

Em depoimento de mais de uma hora, ela defendeu Assis Rocha e seus ex-auxiliares na Prefeitura, Fernando Luna, ex-secretário de Planejamento, e Bruno Macedo, ex-procurador-geral do Município, todos réus no processo movido pelo Ministério Público Federal. O processo é resultado da Operação Assepsia, que investigou contratos entre a Prefeitura de Natal e a Organização Social (OS) Marca. Essa organização social foi responsável por gerir os Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs) e a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Pajuçara.

Ao ser questionada se haveria enriquecido depois do período ficou à frente do poder Executivo de Natal, a ex-prefeita respondeu iniciando um choro: “Se eu tivesse saído mais enriquecida, minha família não teria vendido o maior bem, a TV Ponta Negra. Meu patrimônio diminuiu. E não foi só o meu, foi da minha família também”. Micarla chorou ao afirmar ter prometido no leito de morte de seu pai, o ex-senador Carlos Alberto de Sousa, que cuidaria do patrimônio da família daquele em momento em diante. Além disso, lembrou de questionamentos de um de seus filhos. “Mãe porque te chamam de ladra se a gente está passando pelo o que a gente passou?”, disse durante a audiência.

O juiz federal Walter Nunes decidiu dar um intervalo na audiência. “Quero minha mãe, cadê a minha mãe?”, disse Micarla ao se levantar da cadeira reservada ao réus. Miriam de Sousa acompanhava o depoimento da filha dentro na sala de audiência da 2º Vara da Justiça Federal do Rio Grande do Norte. Segundo o advogado da ex-líder do Partido Verde (PV), a pressão arterial da sua cliente chegou a 20 por 13.

Segundo ela, Antonio Luna e Assis Rocha também não tiveram mudanças na sua vida financeira. “Luna e Assis continuam do mesmo jeito pelo que eu sei”, acrescentou Micarla de Sousa. Ela garantiu que não sabia de nenhum favorecimento eventualmente dado à Marca. Segundo ela, só soube depois que a Operação foi deflagrada. “O senhor sabe o que é uma mulher traída, sempre a última a saber”, disse.

De acordo com o Ministério Público Federal, só representantes da Marca foi a única empresa participante da seleção simplificada feita pela Prefeitura de Natal para escolher a Organização Social que iria gerir a UPA e as Ames. Um e-mail mostra que houve uma reunião que preparou esse processo e os gestores da Marca tiveram acesso à ele e também participaram da referida reunião preparatória. Para o juiz Walter Nunes, o fato de o intervalo entre o edital e a efetiva escolha da organização ter sido de menos de um mês também gera estranheza.

Questionada pelo procurador da República Fernando Rocha, Micarla de Sousa preferiu não falar o valor do seu patrimônio. Ela informou apenas que sua renda era originária de doações da sua mãe, Miriam de Sousa, e da rádio 95FM, da qual ainda é sócia. O procurador perguntou também se Micarla não sabia que Marca tinha fins lucrativos, o que vai de encontro com a legislação que regula as OS. A ex-prefeita disse que desconhecia. Micarla de Sousa negou envolvimento em qualquer irregularidade e afirmou que se sentiu traída com as notícias de corrupção.

Ex-prefeita e ex-procurador divergem
Para a ex-prefeita de Natal, Micarla de Sousa, o contrato com a Marca havia passado pela Procuradoria-Geral do Município pela Controladoria Geral. “Eu acredito que foi acompanhado pelo Procuradoria e pela Controladoria do Município”, disse. Entretanto, o ex-procurador-geral Bruno Macêdo disse que esse contrato não havia passada pelo seu Gabinete. “Depois que esse contrato foi fechado, inclusive nós mandamos uma circular para todas as secretarias informando sobre a nossa função”, disse o ex-procurador-geral do Município.

Além dele, até o fechamento desta edição, o procurador Alexandre Magno e sua mulher Anna Karina Castro depuseram ontem. Ela foi acusada de simular serviços e emitir notas fiscais frias por meio de sua empresa de comunicação. “Eu jamais deixaria, nem mesmo o meu marido, utilizar a minha empresa com essa finalidade”, defendeu-se.

Alexandre Magno, o ex-procurador do Município demitido em função de condenação de corrupção passiva na justiça estadual, disse que as reuniões relatadas em e-mail com Marca não eram irregulares porque estavam sob a égide da legislação vigente. O ex-secretário de Saúde, Thiago Trindade também depôs. Também estavam previstos para os depoimentos de Miguel Weber, Assis Rocha, Annie Azevedo e Carlos Pimentel.

Tribuna do Norte 

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