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Política

14/03/2016


Michel Temer começa campanha visando 2018 e mostra que é candidato

Na Revista NORDESTE

Por Luan Matias

O vice-presidente da República, Michel Temer, está mesmo disposto a concorrer à presidência em 2018. Para isso, já tem uma estratégia traçada: ser reeleito presidente nacional da legenda, buscar consenso e estabilidade dentro do PMDB e fazer o maior número possível de prefeitos nas eleições deste ano. Tendo essas etapas superadas de maneira satisfatória, a ala do partido que apoia Temer acredita que ele chegaria forte para a disputa do planalto.


E o plano já está sendo colocado em prática: Temer está viajando o país ao lado dos ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco e do ex-governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, em agenda que está sendo chamada de Caravana da Verdade. "Nós não queremos ser mais subalternos. Queremos eleger o futuro presidente da República", disse Franco na passagem do quarteto por João Pessoa, onde também fizeram campanha de apoio ao pré-candidato à prefeitura, Manoel Júnior.


Mas buscar consenso interno é uma dificuldade histórica do PMDB. Prova disso é que os senadores Renan Calheiros e Romero Jucá também estão em plena campanha pela presidência do partido. Apesar disso, Temer já vem utilizando esse desalinhamento como gancho para defender seu maior trunfo para este primeiro momento: o discurso de unidade. “O PMDB é um partido de muitas divergências internas, mas que quando se colocam os problemas do país, as divergências se convergem. Você passa da divergência para convergência”, destacou.


Mas essa postura de pregar a unidade vai além do próprio partido, o que tem feito o vice-presidente associar o PMDB tanto ao governo Lula/Dilma quanto ao de FHC. “Como é que se fez o Plano Real no Brasil, que começou com Itamar Franco e passou pelo Fernando Henrique? Foi com o apoio do PMDB no Congresso Nacional. Nós conseguimos naquela oportunidade sustentar a tranquilidade da reforma financeira do Plano Real. Depois, quando vieram os movimentos sociais, foi o PMDB que garantiu mais uma vez esses programas. Nós somos os fiadores da governabilidade do país em face do grande poder político que nós temos”, discursou.


Essa postura até tem evitado críticas diretas à presidente Dilma Rousseff por parte do grupo liderado por Temer, embora em todo tempo o governo federal e o atual momento político do país tenham sido desaprovados em vários momentos do discurso. Não por acaso, o senador José Maranhão (PMDB/PB) fez uma crítica bastante específica: "O governo cria programas e manda a conta para os estados e municípios", o que direciona a uma outra etapa do planejamento de Temer em direção ao Planalto: valorizar a figura dos prefeitos e a partir deles criar uma base de sustentação para a sua campanha.


Durante a passagem do grupo por João Pessoa, que esteve acompanhado pela liderança estadual do partido, esse foi um ponto repetido como um mantra nos discursos da maioria dos políticos presentes. “Precisamos recuperar a autonomia municipal. Temos um estado unitário disfarçado de estado federal, porque há uma centralização do poder e dos recursos na União”, criticou Temer, que foi bastante claro em relação às suas intenções para as eleições municipais deste ano: “Temos que sair para essa campanha municipal não apenas com candidaturas, mas com candidaturas que elejam, divulguem, acentuem a ideia de um programa para o país, que deve prestigiar os municípios. Município forte significa estado forte, estado forte significa União forte. Vamos descentralizar esses serviços”, disse.


A convenção nacional do PMDB acontece em março, o que torna as próximas semanas decisivas para o sucesso do plano de Michel Temer. Até lá, ele deve visitar todas as regiões do país e continuar disseminando a sua estratégia. “Nós agora não queremos ser fiadores da governabilidade, nós queremos ser o governo, para aplicar diretamente as nossas mensagens. Nós temos o dever, mais do que o direito, o dever, de ocupar a presidência da República em 2018”, concluiu o vice-presidente em seu discurso na capital paraibana. Alguém duvida que a eleição presidencial já começou?
 

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