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Internacional

19/04/2018


Miguel Díaz-Canel é o novo presidente de Cuba

A Assembleia Nacional de Cuba anunciou nesta quinta-feira (19) a aprovação do nome de Miguel Díaz-Canel como novo presidente do país, em substituição a Raúl Castro, com 99,83% dos votos dos deputados.

O processo de escolha do presidente começou na sessão desta quarta, quando os parlamentares indicaram os candidatos de uma lista de 31 nomes para formar o Conselho de Estado, entre eles o presidente, que então foi aprovada por quase unanimidade. O nome de Díaz-Canel já era apontado como o favorito para assumir o cargo, o que aconteceu logo em seguida ao anúncio da aprovação.

O novo presidente disse na Assembleia que o mandato que recebeu do povo “é dar continuidade à Revolução Cubana em um momento histórico e crucial”, marcado pelo “avanço na atualização” do modelo econômico e social do país.

“Para aqueles que por ignorância ou má fé duvidam de nosso compromisso, devemos dizer-lhes que a revolução continua e continuará. O mundo recebeu a mensagem errada de que a revolução termina com seus guerrilheiros”, afirmou ainda, segundo informações do jornal oficial “Granma”.

O novo mandatário é o primeiro civil na presidência desde 1976, mas isso não significa necessariamente uma mudança política no regime. A trajetória de Díaz-Canel se deu dentro do Partido Comunista de Cuba (PCC), sob a tutela de Raúl Castro.

Raúl Castro afirmou que Díaz-Canel “foi o melhor” e revelou que ele foi “o único sobrevivente” de um grupo de jovens dirigentes que a cúpula cubana decidiu preparar para que viessem a ocupar cargos no alto escalão de govern

Disse ainda que confia no “sucesso absoluto” do sucessor pelas suas “virtudes” e por sua “experiência e dedicação ao trabalho”, demonstradas desde o início de sua trajetória política.

Com a passagem do comando a Díaz-Canel, o caçula dos irmãos Castro não renunciará a todas as suas funções. Ele continuará atuando como secretário-geral do Partido Comunista de Cuba até 2021, além de seguir como deputado nacional e líder das Forças Armadas.

“Raúl mantém por méritos na linha de frente da vanguarda política”, disse Díaz-Canel, após assumir. “É o melhor discípulo de Fidel. Ele assumiu a liderança da Revolução em meio a uma situação econômica difícil e soube colocar o dever à frente da dor pessoal”.

Perfil

Díaz-Canel nasceu em 1960, um ano depois da revolução, na província central de Villa Clara. Foi líder da união de Jovens Comunistas em sua província e chegou à liderança da juventude nacional do Partido Comunista de Cuba em 1993.

Depois, foi nomeado ministro do Ensino Superior por Raúl Castro em 2009 e ficou no cargo durante três anos. Em março de 2012, foi nomeado vice-presidente do Conselho de Ministros para a Ciência, Educação, Esportes e Cultura, circulando nacional e internacionalmente, muitas vezes na companhia ou em nome de Raúl Castro.

Metódico, Díaz-Canel cresceu na carreira política como um “funcionário exemplar”.

“Ele é um engenheiro que pensa em termos de eficiência, questionando-se qual é o sistema que lhe trará mais resultados”, afirma o cientista político López Levy, contemporâneo de Díaz-Canel, à reportagem da BBC.

Daniel Aarão Reis, professor de História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense (UFF) lembra que, embora Díaz-Canel seja um homem de confiança de Raúl Castro e tenha uma trajetória dentro do Partido Comunista de Cuba, ele não pertence à geração revolucionária.

“É um homem do sistema, mas há exemplos históricos de ‘homens do sistema’ que se decidiram a mudar o ‘sistema’. Basta citar dois exemplos: Mikhail Gorbatchev e Deng Xiao-Ping. Embora provenientes do ‘sistema’, souberam encarnar propostas reformistas”, diz Aarão Reis.

Questões importantes com as quais o novo presidente terá de lidar:

  • Desestatização

Para a historiadora e pesquisadora-visitante da Universidade da Califórnia Joana Salém, os cubanos têm duas expectativas principais em relação ao novo governo: primeiro, a desestatização da economia; segundo, a descentralização da política.

“Quando digo ‘desestatização’ não me refiro ao neoliberalismo ou às privatizações, como acontece no resto da América Latina, mas sim a uma economia que deixará de ser 95% estatal para ser 70% estatal. O Estado cubano seguirá sendo protagonista”, explica Salém.

“Acontece que a abertura de 30% de setor privado faz uma grande diferença na vida da sociedade cubana, que passa a criar pequenas e médias empresas”, completa.

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