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Brasil

26/08/2014


Mini bolsa de startups é nova aposta do investimento coletivo no Brasil

Economia

Não sabe onde colocar seu dinheiro? Qual tal comprar pequenas frações de um novo negócio, junto a um grupo de pessoas que financiam a ideia? O chamado equity crowdfunding, espécie de mini bolsa de valores de startups e pequenas empresas, já engatinha no Brasil.

O executivo Fausto Caron, de 34 anos, foi um dos 28 investidores que, unidos, aportaram R$ 200 mil na Broota – plataforma de investimentos que recebeu o aval da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para financiar sua ideia pela internet: reunir empresas e projetos de negócios com potencial para captar recursos coletivamente.

O investimento mínimo de R$ 1 mil visa popularizar o acesso do interessado. Mas, por enquanto, o projeto só aceita investidores qualificados – aqueles com pelo menos R$ 300 mil investidos.

“Um investidor anjo precisa dispor de muito mais dinheiro, no mínimo R$ 50 mil”, compara o sócio fundador da Broota, Frederico Rizzo. A média desembolsada por cada investidor no projeto ficou entre R$ 7 e R$ 8 mil.

A Broota recebeu 15% de seu valor estimado de mercado – em torno de R$ 1,1 milhão. A plataforma reúne sete empresas iniciantes mo portifólio. O retorno do investimento é de longo prazo, podendo variar entre cinco e 15 anos, conta Rizzo.

A iniciativa é pioneira no País, mas é apenas um embrião se comparada ao avanço da modalidade nos Estados Unidos. Em março, o site de financiamento coletivo Kickstarter atingiu R$ 1 bilhão em investimentos nos Estados Unidos, mais da metade em 12 meses.

Por tratar-se de negócios quase sempre incipientes, o investimento é de altíssimo risco. Mas caso a ideia vá para frente, há chances de o retorno se multiplicar exponencialmente. É como comprar ações na bolsa, mas sem a governança corporativa e conjunto de regras que protegem o investidor no capital aberto.

“Investi valores relativamente baixos do meu patrimônio, já que o crowdfunding é de altíssimo risco. Se o retorno não vier, não vai prejudicar meus outros ativos”, comenta Caron.

Diversificar é a palavra de ordem do investidor. Sua estratégia é diluir o risco, apostando quantias menores e em mais empresas. Se você tem R$ 50 mil para aplicar, a recomendação é fazer 10 investimentos de R$ 5 mil, e jamais colocar todos os ovos no mesmo cesto.

De cada 10 startups, mostrou um estudo da The National Venture Capital Association, nos Estados Unidos, apenas de 10% a 20% dão retornos substanciais a seus investidores. Outros 30% a 40% vão à falência absoluta, enquanto entre 3 e 4 das empresas apenas retornam o investimento original.

O equity crowdfunding é parecido com o investimento anjo, com a diferença de que precisa de um número maior de investidores, além de um líder que dedique seu tempo ao negócio e esteja mais próximo do empreendimento.

Para o empreendedor e fundador da Anjos do Brasil, Cássio Spina, a nova modalidade tem grande potencial no longo prazo e pode ser uma alternativa de captação de recursos e de acessibilidade para pequenos investidores. “É totalmente sinérgico com o investimento anjo”, acredita.

Segundo Spina, a AngelList, dos EUA e o CrowdCube, da Inglaterra, recomendam como melhores práticas que cada investimento de crowdfunding tenha pelo menos um investidor líder para acompanhar o negócio de perto, geralmente mais experiente e conhecedor do negócio.

No caso da Broota, um investidor âncora detêm 20% do investimento, enquanto o restante é fracionado em cotas de pequenos valores para os demais cotistas.

Segundo disse ao iG, o presidente do Instituto de Economia Criativa, Adolfo Melito, o crowdfunding de empresas movimenta no exterior ao menos US$ 116 milhões, enquanto no Brasil apenas 0,5% deste valor caminha para a modalidade.

Segundo o sócio fundador da Broota, Frederico Rizzo, não existe um número mínimo ou máximo de investidores por projeto, mas a CVM impõe que apenas empresas com faturamento máximo de R$ 3,6 milhões ao ano podem captar recursos pelo modelo coletivo. A arrecadação máxima é de R$ 2,4 milhões.

“Em vez de comprar uma ação, o investidor adquire cotas da empresa, títulos de dívida como debêntures, conversíveis em ações se o negócio crescer e tiver liquidez, sem o custo e burocracia de tornar-se um sócio”, explica Rizzo. Isso vale tanto para empresas já em operação, como as que estão nascendo.

Projeto deve ser inovador e ter potencial de mercado

Para Rizzo, é interessante que o empreendedor que busca financiamento não peça muitos recursos na primeira rodada de captação. “Quanto mais ele pedir, mais terá que oferecer. Por isso, é bom captar apenas um percentual do valor da empresa. Quando acabar o dinheiro e já tiver resultado para mostrar, pode captar mais em uma nova rodada”.

O empreendedor que busca interessados deve avaliar se seu projeto é atraente e com potencial de crescimento, segundo o executivo da Broota. Na plataforma, só são aceitos projetos que já tenham um investidor experiente que tenha colocado dinheiro na startup. Esse é o critério para filtrar projetos bons dos ruins.

O investidor Caron acredita que cada pessoa procura projetos relacionados a seu perfil. “Alguns preferem investir em uma empresa com perfil sustentável, outros procuram um projeto de comércio ou um setor com o qual tenham se relacionado no passado”, conta.

Há ainda quem procure investimentos mais palpáveis, com algum retorno tangível, diz Caron. Mas o principal, acredita o investidor, é que a ideia seja inovadora e com potencial de crescimento que atenda às necessidades do mercado.

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